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Estudo nº 6 – Perdão e a igreja

Semana de 03 a 10 de maio

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

 

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

Perdão e a igreja

 

           Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

“Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão: Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado. Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de CRISTO” (Gal. 6: 1 e 2).

 

  1. Introdução

 

Nesta semana estudaremos como a igreja, ou seja, a comunidade espiritual deve tratar as questões dos pecados. Parte-se aqui de um pressuposto de humildade: hoje pode ser a vez de alguém outro, que caiu em algum pecado grave, e que manchou o nome da igreja, pelo que, os demais ficaram envergonhados, e muitos deles, exaltados contra esse irmão. Mas, como todos ainda mantemos a natureza de pecado, é preciso cuidar, como o verso para memorizar bem alerta: se tiverem que tratar do pecado de algum irmão, façam-no com cuidado, no sentido de restaurar aquele irmão. É preciso tratar do assunto com mansidão, não como os especialistas da Lei, que levaram uma mulher para ser apedrejada. O verso diz que se alguém for “surpreendido” em flagrante, deve-se buscar “restaura-lo”.

Duas são as razões para essa sábia recomendação: (1) assim é que DEUS procede com todos os pecadores; JESUS morreu por todos os pecadores; e como JESUS fez, não querendo que ninguém se perca, devemos nós também ter a mesma intenção; (2) nós também somos pecadores, e se hoje nos cabe tratar do mau procedimento de um irmão, pode dar-se o caso de no futuro sermos nós a pedir que nos ajudem antes de nos condenarem. Essa é a Lei de DEUS, o que desejamos para nós é o que devemos desejar para nossos semelhantes. O princípio do amor se aplica dessa forma: “amar o próximo domo a ti mesmo”. Estudaremos nessa semana a aplicação desse princípio. O socorro que o irmão hoje pede deve vir da misericórdia daqueles que estão responsáveis pelo seu caso.

 

 

  1. Pecado na igreja – I

 

“Por toda parte se ouve que há imoralidade entre vocês, imoralidade que não ocorre nem entre os pagãos, a ponto de um de vocês possuir a mulher de seu pai” (I Cor. 5:1, NVI).

A pornografia não é aceita por todos os que não crêem na verdade bíblica. Nem mesmo todos ateus a aceitam sem preocupações ou restrições. Em nossos dias, a imoralidade e a pornografia vem sendo promovidos como cultura, como lazer, distração, prazer, passa-tempo, etc. Mesmo nos dias em que se repetiriam as condições imorais dos tempos de Ló e de Noé, há muitos que tem firme posição contra.

Nos tempos de Paulo, na recente igreja de Corinto, a imoralidade havia entrado e se tornado tolerada como algo normal. Ainda eles se orgulhavam de serem a igreja da verdade, que estava certa, e as demais erradas. Isso, nas palavras de Paulo, era uma manifestação de soberba, ou seja, um orgulho prepotente do tipo: nós somos superiores. Julgando-se assim, não viam o pecado se insinuando entre eles, e pecados que nem os pagãos toleravam.

O pior é que o seu desleixo chegara a tal ponto que muitos, senão todos, sabiam o que se passava na igreja. Isso se tornara público. E assim sendo, resultara em um péssimo testemunho. Ora, quem iria unir-se com um grupo de adoradores de tal espécie?

Um pecado em especial foi mencionado por Paulo. Um homem praticava sexo com a sua madrasta. Esse foi um exemplo, mas poderia haver outras práticas imorais. E tais coisas nem sequer geravam algum constrangimento entre eles.

Como o mal era de natureza moral, justamente onde cristãos devem ser o máximo exemplo, e como já se havia tornado público, a ponto de Paulo o saber a longa distância, da mesma forma, a solução de tal problema deveria re realizada de tal forma que se tornasse também pública. Ou seja, era urgente limpar o nome da igreja, manchada duplamente, pelo tal pecado, e pela sua arrogante tolerância. Foi então que Paulo recomendou uma disciplina exemplar a esse irmão: que ele fosse excluído do seio da comunidade. Ele não o expulsou da comunidade, mas o afastou por um tempo, pelo que parece, o texto é muito resumido para termos certezas. Assim como mal era público, sua correção também o deveria ser, tanto no que diz respeito a disciplina, tanto, e principalmente, no que diz respeito ao amor para com o irmão faltoso.

Ao Paulo recomendar que se reunisse, e em nome de JESUS entregasse o tal homem a satanás, isso parece sugerir que ele fosse excluído por um tempo, pois ele logo a seguir explica, para que ele sinta o que é estar fora da comunidade. Assim ele se dará conta que, fora da proteção do ambiente da igreja, satanás está mais próximo, e pode atacar com mais liberdade. Dessa forma, como Paulo deixa entender, que se perca a carne, ou seja, a natureza do pecado, a velha natureza, mas se salve a natureza espiritual do tal homem, e que alcance a vida eterna. É isso que melhor parece ser a interpretação desse caso. E é o que a igreja tem seguido como recomendação ao longo do tempo, e ainda hoje faz.

O que se deduz desse caso? A pornografia, a imoralidade, o sexo livre, enfim, nesse campo está o extremo do afastamento dos princípios divinos. Isso é prostituição na carne, mas o mesmo se diga da prostituição espiritual. Tais problemas, que hoje vemos se difundindo aceleradamente pelo mundo, e entrando em todas as igrejas, em todos os níveis sociais, em todos os lugares do planeta, sendo promovido principalmente pela televisão, precisa merecer atenção especial da parte da igreja. É esse o caminho pelo qual facilmente se pode destruir uma comunidade religiosa, roubando-lhe a pureza matrimonial. Os princípios do governo de DEUS estão relacionados ao amor entre os irmãos, principalmente o amor que une os membros de uma família. Se o amor entre os membros do lar não funciona, nenhum governo será bem sucedido, nem mesmo o governo celeste. O amor é a base de todo o empreendimento. Essa é a razão da importância dos casos em que o amor é substituído pela prostituição e pela pornografia.

Pela recomendação de Paulo, tais casos, principalmente quando se tornam públicos, devem ser tratados com firmeza, mas sempre no sentido de tentar salvar a vida das pessoas envolvidas. Que se perca a ‘carne’, essa se perderá mesmo, mas que se salve o ser espiritual, ou seja, o da nova natureza, aquele que nasceu de novo no batismo. A irmandade deve fazer o possível, para, em primeiro lugar, evitar que o mal se alastre. Cada um deve cuidar para que também ele não venha a cair no mesmo erro. E com relação àqueles que já foram atingidos, trata-los com respeito e amor, de tal maneira que, tanto as pessoas sejam resgatadas da posse que satanás tem sobre elas, quanto que o mal não se alastre entre os demais, pois todos estão propensos a seguir maus exemplos.

 

 

  1. Pecado na igreja – II

 

“Entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [JESUS]” (I Cor. 5:5).

 

O pecador está em pior situação quando, em pecado, permanece normalmente na ilusão de estar ao amparo da igreja e no favor da graça de JESUS CRISTO. Ele precisa sentir que, como está, encontra-se separado de CRISTO, embora seu nome esteja no rol da igreja. Permanecendo assim, vai se perder. Portanto, para que a ferida do pecado que nele está aberta seja curada, precisa ser tratada, e isso causa dor, ou seja, no mínimo, tristeza, mas pode evitar perder a sua preciosa vida eterna.

Por esse raciocínio, entendemos que é bem melhor que uma pessoa sofra temporariamente a que no futuro deixe de existir para sempre. Estando em pecado, por força dessa situação já está afastada de CRISTO. Mas, permanecendo normalmente inscrita na igreja, tem ela a ilusão de estar tudo bem. Com o tempo, como permanece num mesmo relacionamento com os demais membros, se auto-convence de que não é tão mau assim o que faz, e que isso seria temporário, e ela mesma, quando desejar, sairá desse pecado. Assim, apenas, estaria administrando a sua situação, e se convence estar tudo sob controle. Mas, quase que imperceptivelmente, ela esta se afundando cada vez mais. E afundará sempre mais se a igreja nada fizer, se der a ela uma mensagem de que o seu modo de pensar está até razoável. Isso se chama conivência, e é algo muito perigoso. Pode permitir que uma pessoa passe do ponto de fácil arrependimento, e se coloque em situação bem difícil para voltar a ser fiel aos bons princípios da Bíblia. Em outras palavras, a disciplina não pode tardar, assim como, ao se descobrir uma doença grave, não devemos retardar o tratamento, para impedir seu agravamento, ou que chegue a um ponto em que “já é tarde demais”.

Então, havendo pecado, deve haver tratamento, o quanto antes. Nesse sentido, a igreja é comparável a um hospital. Precisa cuidar de seus membros quanto as doenças espirituais e as físicas também, para que as pessoas permaneçam no caminho da vida eterna, sejam salvas.

Paulo, em I Tim. 1:20 indica três providências para o cuidado com casos graves, como o que estamos analisando. (1) que a pessoa seja entregue a satanás; (2) para ser castigada; (3) a fim de não mais blasfemar.

O que ele quer dizer com isso? Não é forte demais entregar a satanás? E seria essa mesmo uma estratégia correta, entregar a satanás para assim, ser salva?

Analisemos estas questões sob a ótica do contexto bíblico mais amplo. Pela cultura bíblica do amor, não faz nenhum sentido entregar uma pessoa a satanás para por ele ser curada e assim alcançar a vida eterna. Seria algo como entregar a um inimigo e este a devolveria corrigida. Tal coisa não acontece. Portanto, devemos entender o que Paulo queria dizer com essa expressão.

Um pecador se torna assim por ter cometido um pecado, a faze-lo, separou-se de JESUS, e também da igreja, embora seu nome permaneça escrito no livro de rol dos membros. Ele foi que se separou. O grave problema que pode acontecer é, como discutimos acima, ele não se dar conta da situação em que se encontra. Para haver arrependimento, é necessário que haja a consciência da trágica situação em que se encontra. Então, isso é o que deve proporcionar a disciplina.

A disciplina não pode assumir tom de vingança, de punição, de retaliação, de expurgo, de excomunhão. A disciplina deve servir para que a pessoa reflita quanto a verdadeira situação sua. Em casos extremos, o membro é afastado da igreja, isto é, desligado, para sentir que de JESUS já se havia desligado. A permanecer em pecado, estará perdida. Esse desligamento, para ser eficaz, para ser temporário, deve ser acompanhado de muita humildade por parte da comissão que o faz, e deve haver pessoas que confortem quem está sendo assim tratado. Ela precisa dar-se conta de que deve mudar de vida pelo arrependimento. Deve perceber que sua situação perante o Céu é exatamente como agora sente, a separação do rol de membros. Devem fazer tudo para que retorne e o faça livre de seu pecado. Por certo a afirmação “entregue a satanás” é uma força de expressão, cujo significado deve ser, disciplina por desligamento temporário ou coisa parecida. A expressão sugere, não a entrega a satanás, mas que ela vai ser submetida a uma situação que ela mesma escolheu, por um tempo, para sentir o quanto é perigoso estar afastada do seio da comunidade de crentes, e, principalmente, o quanto a comunidade a ama – por isso é importante a assistência especial por esse tempo. Isso deve ser o que se refere “para serem castigados”, ou seja, tratados os males em que se encontra. Nós sabemos que o estilo de Paulo é de usar palavras acentuadas, fortes, mas a sua mensagem é tal como a de JESUS. Então, vem a expressão: “a fim de não mais blasfemar” (I Tim. 1:20). Ou seja, para que esteja livre de sua tentação, e que, portanto, o pecador, que também é vítima, esteja curado de seu mal. Do contexto bíblico é assim que podemos entender essas passagens.

 

 

  1. “Reafirmem seu amor” – I

 

Esse estudo aplica-se mais intensamente no período de tempo em que uma pessoa faltosa esteja em disciplina eclesiástica. A pessoa deve sentir muito fortemente que está perdoada, mas, embora isso, que o pecado causa conseqüências. O tempo de disciplina é um expediente educativo. Nós, seres humanos, todos, não nos damos conta da exata dimensão das conseqüências de qualquer pecado, mas em especial, daqueles que afetam profundamente a nossa mente, como os que são do campo da imoralidade. Assim, nessas ocasiões, não só deve sofrer o faltoso, a igreja toda deve sofrer junto. Quando há pecado, os anjos do Céu e DEUS sofrem, e nós nos comportamos indiferentes? O período de tratamento de um pecador para que se dê conta de seu mal, mesmo depois de perdoado, o que deve ser feito logo que possível, deve ser transformado numa oportunidade para que todos os membros se fortaleçam contra pecados, e que se fortaleçam os laços de amor na igreja. Assim, quem sairá derrotado é satanás.

Por que devemos nos comportar assim com o que está em tratamento (disciplina)? Para que ele, ao se entristecer pelo que fez, não se entristeça demais. O pecador, para arrepender-se, deve entristecer-se, mas não além de um certo limite, por exemplo, que fique doente, ou que isso lhe provoque um mal maior, como depressão. Podemos compartilhar sua tristeza, mas, melhor do que isso, podemos confortá-lo e levar esperança para ele. Podemos transformar a má experiência do pecado numa experiência vitoriosa. Mais tarde ele será, não mais um pecador, mas um vitorioso, e a igreja se sentirá também vitoriosa por ter salvo um de seus membros. Todos ficarão felizes, talvez façam uma comemoração especial pela vitória. Isso até seria muito bom. Quando a estratégia de satanás, de criar situações em que as pessoas caiam em pecado, for aproveitada para, em vez de derrotas, haver vitórias, e a igreja, junto com o ex-pecador, sair fortalecida do episódio, então há uma demonstração do verdadeiro espírito de JESUS: salvar almas para o reino de DEUS.

Nesses casos, satanás, que não faz outra coisa senão acusar tenta fazer as pessoas ver que devem permanecer assim. Tenta fazer parecer que tratar de tais situações seria causar traumas, e uma imagem negativa na sociedade. É melhor acobertar que expor a público. Mas, na sabedoria do alto, ao obter o resgate de um pecador, de tal maneira que agora já não é mais pecador, mas um justo, pelo sangue de JESUS, isso reverte um ataque de satanás em vitória e fortalecimento da igreja, e demonstra o amor do Salvador. É assim que podemos entender as palavras de Paulo. Isso é, no mínimo, sabedoria do alto. Será então que as pessoas se sentirão aliviadas de suas culpas, sabendo que de fato foram perdoadas. Elas terão nova experiência de vida, e a felicidade de sorrir para em breve terem a vida eterna com total felicidade. Isso será em breve, muito em breve, certamente nessa geração (Mat. 24:34). Ora, vem Senhor JESUS!

 

 

5.       Reafirmem seu amor – II

 

É um momento difícil ao a igreja enfrentar um pecado que atenta contra os princípios morais. Há muitas coisas postas em questão. Por exemplo, correm risco, os seguintes assuntos:

ð                As doutrinas da igreja, que não podem ser banalizadas;

ð                há o mau exemplo para os demais membros;

ð                há o efeito do precedente, que geralmente se torna costume;

ð                há a má imagem perante o público externo;

ð                há a tradição externa da cultura da sociedade, que já banalizou quase todos os bons princípios, e a igreja não pode se nivelar por baixo;

ð                há leis e precedentes jurídicos que dificultam o tratamento de questões relacionadas a imoralidade – DEUS, no entanto, acertará contas com todos aqueles que se valem desses expedientes de fuga;

ð                há a necessidade de erradicar o pecado dentre a comunidade de crentes;

ð                e o mais difícil, há a necessidade de evitar que a pessoa que cometeu tal pecado não se perca, mas que, liberta de sua fraqueza, seja salva – esse é o grande desafio, tema da lição de hoje.

A grande pergunta é: como proceder para que o pecado seja condenado, mas que não se ofenda a sensibilidade do pecador, a ponto que ele saia da igreja, junto com seu pecado? É preciso uma ginástica de diplomacia cristã e espiritual: separar o pecado do respectivo pecador, para destruir o pecado e salvar o pecador, para que ele se torne outra vez um colaborador como instrumento nas mãos do Salvador.

Para resolver essa questão, só há uma única estratégia: derramar muito amor sobre o pecador. Se na comunidade, ou se entre os responsáveis não houver a aplicação intensa dos dois grandes mandamentos de DEUS, (1) amar a DEUS e (2) amar o próximo como a si próprio, então situações dessas, ao serem tratadas, resultarão em fracasso. Ou seja, o que deveria ser uma operação de resgate, se tornará uma operação de punição. E isso não salva. Faz perder o culpado e até pode ofender a outros mais, e mais pessoas podem se perder, principalmente se forem ainda fracos na fé.

Assim, o que podemos dizer aqui é que, na igreja há momentos delicados. Um deles é quando compete tratar espiritualmente um caso de grave ofensa aos mandamentos de DEUS. Nesses casos, é preciso cuidar para que aqueles que o fizerem não sejam tão neófitos quanto a práticas dos dois grandes mandamentos, e que o problema por eles enfrentado seja tão somente agravado, não resolvido. Os momentos delicados são muito oportunos, nem por isso desejáveis, para que a igreja cresça no amor, para que reafirme o seu amor entre os membros, e desses para com o que entrou em problemas. Uma vitória nesses momentos será forte experiência para a salvação, não só do que foi resgatado, mas para toda a comunidade.

 

 

  1. Disciplina eclesiástica

 

“Em nome do Senhor JESUS, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de JESUS, nosso Senhor” (I Cor. 5:4).

Aqui está a essência da orientação para a ação da igreja, principalmente em casos complicados, que envolvam disciplina. No estudo foram acrescentados outros três versículos. Em Mateus 16:19 está a polêmica passagem – polêmica que os homens criaram, não DEUS – em que JESUS está dando as chaves do reino a Pedro, e por isso, ele se tornou o primeiro papa. Na verdade não é assim. O que Pedro recebeu, também está escrito nos três últimos versículos do livro de Mateus, que eles ensinassem o que JESUS ordenou, nada além disso. As chaves são duas: os profetas do Antigo Testamento, e os escritos do Novo Testamento. Ou seja, JESUS ali deu a Pedro, e a todos os que devem decidir sobre assuntos importantes, os critérios de como tomar essas decisões. Esses critérios são os mesmos que se utilizam no Céu, por isso Ele disse “chaves do Reino”. Ou seja, assim como se decide lá no trono celeste, pelos mesmos critérios deve-se decidir aqui na Terra. Portanto, usando esses critérios bíblicos, as decisões aqui serão coerentes com as decisões celestes. Logo, o modo como forem as decisões na Terra, assim serão as celestes, por isso JESUS disse: “o que ligares na Terra também será ligado no Céu, e o que desligares na Terra também será desligado no Céu. É importante salientar que JESUS ali não deu a Pedro, nem a ninguém aqui na Terra o direito de alterar o que quer que seja na Palavra de DEUS. Não temos sequer o direito de alterar os escritos dos autores de livros daqui, imagine alterar os escritos autorizados por DEUS, agora imagine o que Ele escreveu com Seu próprio dedo!!!

Em Efésios 1:22 o apóstolo explica que JESUS pôs todas as coisas debaixo de seus pés, para Ele (CRISTO, verso 20) ser o cabeça da igreja, isto é, sobre todas as coisas. CRISTO é o cabeça da igreja, e esta é o Seu corpo. Portanto, os homens que dirigem a igreja devem estar submissos à cabeça que é CRISTO, e não estabelecer um cabeça em lugar de CRISTO sobre a igreja, como é o caso do papa. No verso 23 diz que a igreja é o corpo de CRISTO, portanto, a explicação está bem clara: quem dirige a igreja é CRISTO. A autoridade que Ele deu à igreja se encontra escrita na Bíblia, e em conformidade com esta palavra, ou seja, pelo “está escrito” podemos e devemos agir. Sendo assim, nossas decisões e nossas ações aqui na terra estarão conforme a vontade do governo celeste do Universo.

Em Efésios 5:23 explica mais uma vez, CRISTO é o cabeça da igreja, e esta é o Seu corpo – é claro que isto não é literal, mas significa a unidade de comando e de obediência, ou seja, quem de fato tem o poder e a quem compete obedecer. Explica melhor, e isso é muito significativo: CRISTO, como cabeça, é O Salvador da igreja. O que quer dizer tal afirmação? Significa que CRISTO morreu pelo corpo, a igreja, por isso Ele é o cabeça, isto é, o comando. Significa que a igreja está tão unida a Ele que forma um só organismo, sujeito a CRISTO. Significa que só Ele pode salvar, ninguém mais.

Por fim, analisemos um pouco o verso do dia, de I Cor. 5:4. Ali orienta claramente que devemos agir “em nome de CRISTO”. Ou seja, seguindo tudo o que Ele orientou, aplicando os critérios das chaves que Ele nos deu, que é a Palavra de DEUS, que CRISTO mesmo obedeceu, e em essência, se resumem nos Dez Mandamentos, escritos pelo Seu próprio dedo. Nesse verso orienta ainda que as decisões devem ser por reunião de várias pessoas, ratificadas pela assembléia dos crentes. Entre eles, nessas reuniões, estaria o espírito de Paulo, ou seja, o seu modo de pensar, que obedecem os mesmos critérios das duas chaves dadas a Pedro, para a igreja. Nada de importante deveria ser decidido por indivíduos, mas em reunião, sob a orientação dos escritos. Nesse procedimento estaria, e está, o poder de JESUS, nosso Senhor. Ou seja, quando são obedecidas as orientações exaradas nas duas chaves, o poder do governo celeste está ali presente, e confirma as decisões. Importante ainda é salientar que em parte alguma na Bíblia há a autorização para se alterar o que quer que seja na Bíblia ou nos Dez Mandamentos.

 

 

  1. Aplicação do estudo

 

O perdão é uma solução maravilhosa. Não se limita em simplesmente apagar o passado, mas, faz parte de um procedimento completo, que vai desde a punição necessária (essa recaiu sobre JESUS), o arrependimento, o desejo de mudar de vida, então o perdão, pelo qual a pessoa é declarada justa perante o Universo. Então vem uma nova vida, de santificação, isto é, uma experiência de andar com DEUS, como Enoque.

O perdão e o processo completo que o acompanha precisa, delicadamente e com muito cuidado, tratar de evitar o efeito “infestação” do pecado. Quando um membro comete pecado, há a tendência de outros se sentirem com maior liberdade de também pecar. Muitos pensam assim: se ele pode, também posso, ou, também quero. Ou então, se ele está se perdendo, também quero me perder. Se ele peca, e não acontece nada com ele (aparentemente), também quero fazer o mesmo, e não quero ser punido. O mau exemplo é bastante atraente para quem está sob o efeito da velha natureza. Portanto, nessas questões de pecado, não só devemos nos esforçar em salvar o pecador, como evitar que o gérmen do pecado se espalhe, como um poderoso vírus ou bactéria. Temos como exemplo a ‘pneumonia atípica’ a SARS. É como diz a lição, “um pouco de fermento faz levedar toda a massa”. É um minucioso trabalho de medicina espiritual, salvar o faltoso daquele momento sem que ele seja levado a um traumatismo ainda maior, pelo qual saia da igreja em definitivo, e impedir que o mal se espalhe.

Esse trabalho de salvar pessoas de seus pecados está ficando cada vez mais complicado. Quase que imperceptivelmente são emitidas leis que dificultam os procedimentos necessários para ações de restauração de um doente espiritual. Por vezes, algumas pessoas, em resistindo ao tratamento, precisam, como último recurso, ser excluídas do lar espiritual, a igreja. As leis cada vez mais facilitam a indústria dos processos jurídicos contra qualquer possibilidade de dano direto ou indireto à sua imagem. De certa forma de fato, há dano, então está correto haver ressarcimento, muitas vezes, igrejas tem descuidado do aspecto ‘reputação’ do que está sendo disciplinado ou excluído. O ressarcimento, no entanto, jamais deveria ser obtido numa justiça fora da igreja, muito menos ser em dinheiro. Não é a igreja que deve divulgar os pecados das pessoas, portanto, há que se ter cuidado nesse aspecto. Cabe, se o pecador quiser, pelo seu comportamento indevido, propagar ele mesma seu conceito pessoal negativo. Outros não devem fazer isso, ao menos JESUS nunca o fez. Por isso, é complicado excluir alguém e anunciar que foi por desobediência ao sétimo mandamento. Mas, por outro lado, tais leis criam obstáculos à manutenção da pureza na igreja. De uma ou de outra forma vai crescer o risco dos processos na justiça, com indenizações extraordinariamente grandes. E vai, inclusive, promover episódios em que pessoas propositalmente criem situações em que possam tirar proveito dessas oportunidades. No entanto, essa é uma situação limite, DEUS está por intervir nesse festival de direitos à impunidade, assim como o fez nos tempos de Noé. Nada deixará de ser colocado em dia.

Por fim, aqueles que agem com amor, seja quando estiverem como pecadores, seja quando estiverem como quem ajuda um pecador, devem aproveitar cada situação de dificuldade para aperfeiçoar o seu amor. Não é apenas pela leitura que aperfeiçoamos o nosso amor pelo próximo. Isso deve ocorrer quando somos desafiados a odiá-lo. É quando ouvimos o que não gostamos que somos provados se amamos ou se não amamos. É quando ocorre algo inusitado e de origem maldosa contra nós que somos medidos naquilo que dizemos ser o correto. Esses momentos de prova são os melhores para cultivar o amor. Na normalidade não se cultiva o amor com tanta intensidade, apenas se aplica o que se sabe, e é fácil faze-lo. Na hora da crise que, ou crescemos espiritualmente, ou diminuímos. Nesses momentos, o melhor é lembrar de JESUS na cruz, como Ele reagiu. Por isso, como orienta E. G. White, sempre é bom todos os dias meditar um pouco sobre as cenas da cruz. É ali que está nosso exemplo de como vencer amando até mesmo os inimigos, quem passa por tais provas, pode também, com facilidade, entender o que se passa com outro irmão que caiu em alguma tentação, e pode ajuda-lo a sair.

 

 

escrito entre: 30/03/2003 a 10/04/2003

revisado em 10/04/2003