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Estudo nº 3 – Perdão e arrependimento

Semana de 12 a 19 de abril

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

 

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

Perdão e arrependimento

 

           Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

  1. Introdução

 

“Conta-se a história de uma águia que certo dia, baixando à terra apanhou uma doninha, pequeno animal muito vulgar na Europa, e voou em seguida para as alturas, levando a sua presa.

“Alguns homens, que contemplavam aquele incidente, viram dentro em pouco que a águia vacilava, abaixando o vôo. Fazia um esforço desesperado como se quisesse livrar-se de um pesado fardo. Finalmente, caiu morta ao chão. Aproximaram-se os homens e viram então a doninha junto ao corpo da grande ave. É que esta, receosa de que a sua presa escapasse, segurou-a fortemente contra o peito e o pequeno animal tivera ocasião para prender-se à sua garganta, produzindo um ferimento por onde se esvaía vagarosamente o sangue do seu inimigo, Verdadeiramente o pecado engana e destrói.

“Israel aconchegou ao peito o pecado e pereceu, e todas as nações que se afastam de Deus, que acolhem a idolatria e desobediência, terão o mesmo fim” (Duzentas ilustrações, livro 1).

           O arrependimento é produto da ação do Espírito Santo na mente da pessoa. O Espírito Santo sempre está agindo, mas, poucas vezes, as pessoas atentam para o que Ele ensina. Ele se manifesta de diversas maneiras, direto pela mente, por um texto, por alguém a falar, por sonhos, por experiências de vida, enfim, Ele é muito criativo. As pessoas atendem se quiserem pois são livres. Para respeitar a liberdade das pessoas, o Espírito Santo deve permitir que a vida transcorra de uma forma que jamais leve a decisões forçadas, pelo medo ou por conveniência. Essas condições tirariam a liberdade de escolha.

           Então, quando percebemos que erramos, houve ação do Espírito Santo, e se refletiu em nossa consciência. Ao meditarmos sobre o fato, e percebermos nosso erro, é porque já houve, da parte do Espírito Santo, a impressão na mente e no coração, de princípios da Lei de DEUS. Isso a consciência toma para comparar nosso modo de proceder e o padrão correto. Então nos sentimos envergonhados, e nesse instante, inicia-se o processo de arrependimento: a pessoa sente-se mal pelo que fez e não quer repetir outra vez. Quer mudar completamente de vida.

           O pecado na pessoa ocorre assim como o conto da águia. O pecado domina a pessoa, e ela se apega a ele. Então o pecado acaba com a pessoa. O que antes parecia bom, se mostrou mau, e resultou em morte. O pecado domina, mas DEUS liberta.

 

 

  1. Chegar ao arrependimento

 

“O Senhor não demora em cumprir a Sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (II Ped. 3:9, NVI).

 

           O contexto dos últimos dias não é favorável a que pessoas se arrependam. Pelo contrário, é favorável a que se distanciem de DEUS. A ciência apresenta muitas explicações para a origem do Universo e da humanidade, chega a fazer coisas prodigiosas em tecnologia, com soluções impressionantes. Doenças que antes eram fatais agora são prevenidas. A produtividade aumenta cada vez mais, e se fossemos um pouco mais sábios, com os recursos da ciência, no mundo, poderíamos em pouco tempo resolver os problemas da pobreza, da saúde, da educação e habitação, bem como de infra-estrutura. Mas a guerra consome tanto que a miséria e as doenças lhe seguem, e nós não nos conseguimos libertar desses flagelos. Contraditoriamente, a humanidade nunca esteve tão próxima das soluções de que necessita, mas também nunca antes esteve tão envolvida com problemas. Por um lado, temos as soluções, por outro, aumentam os problemas. Há uma incapacidade de usar as soluções, elas são transformadas em problemas. Vejam os EUA, o seu progresso os levou ao fabrico de armas mortíferas como nenhuma nação possui. O produto do trabalho humano direcionado para aumentar a intensidade de problemas.

           Essa é a ação do pecado: tendo recursos, os utiliza como uma oportunidade para criar problemas, não para resolve-los. Eis porque a solução da humanidade não está nesses recursos, mas no arrependimento da vida que vem levando. E arrependimento é algo que vem de cima, é um dom divino, que pode ser implantado na mente e no coração do ser humano se ele sentir necessidade.

           Algo incrível podemos aprender com esse estudo. Quanto pior o mundo se torna, mais forte a necessidade de arrependimento, e também mais difícil será o arrependimento. Mas, onde abundou o pecado, super-abundou a graça, e o Espírito do Senhor está agindo com seu poder, em maior intensidade. Quando parece impossível que mais alguém se arrependa, então é que muitos o farão, contrariando a tendência que satanás tenta impor. Hoje, por exemplo, nos EUA, e já fazem alguns anos, há uma forte tendência a outra vez crer em DEUS, e voltaram a ler a Bíblia. Muitos estão dispostos a aceitar a versão bíblica sobre qual é a nossa situação, em lugar da versão científica. E tal fenômeno se espalha pelo mundo. Não acontece por acaso, é a ação do Espírito Santo, já sendo derramado em maior intensidade, e sua intensidade aumentará enquanto nos aproximamos do fim. Quem sabe se a guerra contra o Iraque não se torne no futuro próximo numa forma de abertura para que nas nações muçulmanas, muito fechadas ao cristianismo, ali seja rapidamente pregada volta de JESUS. Foi isso, de certa forma semelhante, que ocorreu com a ruína da URSS, de um momento para outro. DEUS vê oportunidades onde o homem só vê problemas. Isso não quer dizer que essa guerra assim se justifique, mas que, por linhas tortas DEUS pode escrever corretamente.

           Portanto, se há tempo de arrepender-se, de pregar o arrependimento, esse tempo é hoje, e a cada dia que passa, maior será a necessidade desse enfoque. Muitos sentem necessidade de arrependimento, e quanto mais se intensificam os sinais do fim, maior será a possibilidade de arrependimento dessas pessoas. Veja que o texto bíblico de II Pedro cap 3, verso 9, é um texto que descreve os nossos dias. E ele coloca o arrependimento como um fato importante nesses dias. Vai haver um grande movimento de arrependimento nesses dias, melhor, já se iniciou. Que não durmam os ceifeiros.

 

 

  1. “Ser perdoado”

 

“Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios. Pois Eu não vim chamar justos, mas pecadores [ao arrependimento]’” (Mar. 9:13, NVI).

 

           Há três tipos de justos, e três tipos de pecadores. Esta é uma classificação para efeitos didáticos, e pode haver outras. Há os justos que nunca pecaram, e estes não estão conosco, habitam lares em planetas de sistemas estelares onde há a perfeição. Naturalmente, não foi estes que JESUS veio chamar. Há também os justos que uma vez foram pecadores, mas que se arrependeram, e foram perdoados. Estes JESUS não chama mais, eles já fazem parte do rebanho. Há ainda aqueles que pensam ser justos, que assim se vêem. Esses, a princípio JESUS estaria chamando, mas eles não o ouvem, são surdos, e não vêem, pois também são cegos. Eles estão cheios de justiça própria. Geralmente estão na igreja, pertencem nominalmente ao rebanho, mas não tem humildade. Portanto, a estes, a rigor, o chamado de JESUS é como não estar chamando, pois eles não admitem a necessidade d’Ele os chamar.

           Pecadores, há também três tipos, aqueles que sabem que são pecadores, mas não querem mudar, aqueles que estão alienados de sua situação e aqueles que estão perplexos com a sua situação. As duas últimas categorias podem ser salvas. Os que sabem de sua situação, estes conhecem a verdade, sabem que estão pecando, mas preferem continuar com alguns privilégios temporais a mudar de vida. Eles não querem arrepender-se.

Os perplexos, estes estão assim porque a sua consciência os acusa, e tal se passa porque foram de alguma forma tocados pelo chamado de JESUS. O arrependimento não é algo instantâneo, leva algum tempo. Há para o arrependimento um intenso procedimento de ensino e aprendizagem, até que o pecador saiba qual a sua real situação e qual o caminho a seguir. Então sim, ele toma uma decisão inteligente, a de não querer mais continuar em pecado. Isso é o arrependimento.

           O pecador alienado, esse não soube ainda sobre a sua condição. Pode estar assim por outros motivos, talvez porque ouviu mas rejeitou. Não se classifica como um justo, mas nada quer saber a respeito da salvação. Ele não sabe o que faz. Se for bem informado, com o poder do Espírito Santo, pode mudar de opinião.

           Pois bem, JESUS veio chamar os pecadores ao arrependimento, todos eles. Ele veio para morrer por eles. Ele quer que os pecadores se arrependam para que os possa perdoar. Sem arrependimento não pode haver perdão.

           Falemos algo sobre o arrependimento. Uma explicação didática sobre arrependimento, de onde vem e como ocorre, temos numa passagem de EGW. “O primeiro passo rumo da salvação é corresponder à atração do amor de Cristo. Deus envia aos homens mensagem após mensagem, instando com eles para que se arrependam, a fim de que os possa perdoar, escrevendo "perdão" junto de seus nomes. Não haverá arrependimento? Ficarão sem ser atendidos os Seus apelos? Deverão ser passadas por alto as Suas propostas de misericórdia, inteiramente rejeitado o Seu amor? Oh! neste caso o homem se excluirá do meio pelo qual pode ele alcançar a vida eterna, pois Deus só perdoa ao penitente! Pela manifestação do Seu amor, pela súplica de Seu Espírito, Ele convida o homem ao arrependimento; pois o arrependimento é dom de Deus, e aquele a quem Ele perdoa, primeiro faz penitente” (Mensagens Escolhidas, vol 1, 323 e 324).

           “Muitos se acham confundidos quanto ao que constitui os primeiros passos na obra da salvação. O arrependimento é considerado uma obra que o pecador deve realizar por si mesmo, a fim de poder chegar a Cristo. Pensam que o pecador deve por si mesmo conseguir a habilitação para obter a bênção da graça de Deus. Mas, conquanto seja verdade que o arrependimento deve preceder o perdão, pois é unicamente o coração quebrantado e contrito que é aceitável a Deus, o pecador não pode produzir em si o arrependimento, ou preparar-se para ir a Cristo. A menos que o pecador se arrependa, não pode ele ser perdoado; mas a questão que deve ser resolvida é quanto a ser o arrependimento obra do pecador ou dom de Cristo. Tem o pecador de esperar até que esteja tomado de remorsos pelo seu pecado, antes de poder dirigir-se a Cristo? O primeiro passo em direção de Cristo é dado graças à atração do Espírito de Deus; ao atender o homem a esse atrair, vai ter com Cristo a fim de que se arrependa” (Mensagens Escolhidas, vol 1, 390).

           Há, aqui, as seguintes etapas para a salvação, da qual o arrependimento faz parte. O pecador ouve e entende as mensagens enviadas por DEUS, ele compreende a sua situação, e descobre seus pecados. Sentindo forte atração por CRISTO, não quer mais continuar como vivia antes. Está disposto a mudar completamente, fica triste com seu passado. Isso é o arrependimento. Perceba que esse arrependimento não é exatamente uma iniciativa do pecador, mas de DEUS, e a sua manifestação no pecador também não vem dele, mas vem de DEUS. No entanto, o pecador precisa querer, precisa ter vontade, essa parte pertence ao ser humano. Ou seja, ele deve abrir a porta de seu coração, ou fecha-la, essa decisão pertence ao ser humano. Abrindo o seu coração, então, uma vez arrependido, pode ser perdoado, e torna-se justo, nada mais deve, pertence ao rol dos salvos. Se houver arrependimento de outros pecados após seu primeiro arrependimento, então ele será como como Davi: continuará salvo. Mas, se após o primeiro arrependimento, no futuro para algum novo pecado ele não se arrepender, cairá novamente na condição de pecador. Uma vez salvo, precisa continuar na vida não pecando mais, o que é impossível enquanto não formos transformados, pois nossa natureza do mal continua. Com o arrependimento, é evidente, inicia-se uma caminhada de santificação, mas esse processo só termina quando JESUS retornar. Como todos os que se arrependeram irão pecar ainda, embora muito menos, e cada vez menos, desses novos pecados devem arrepender-se, para assim, continuar justos e salvos.

           Mas pode-se admitir um processo de santificação paralelo a necessidade de novos pecados e arrependimentos? Aqui está algo muito bonito sobre como DEUS opera. Ele, respeitando nossa liberdade, aproveita as novas quedas em pecado para que, ocorrendo, com essas experiências nos ensinar a vencer. Assim, adquirimos experiência, não em pecar, mas em sair do pecado, e desenvolvemos uma antipatia pelo pecado. Passando o tempo, pecamos cada vez menos, e sentiremos cada vez maior aversão ao pecado. Isso é visível na vida de muitos. Essa é uma operação do poder de DEUS diante da qual satanás fica perplexo vendo as mudanças que ocorrem nos pecadores.

           Uma citação nos esclarece a respeito do processo de santificação. Esse processo é, na verdade, uma luta, onde o ser humano se empenha junto com o poder de DEUS, contra a sua própria natureza de pecador. E os resultados são algo que impressiona tanto a satanás como aos seres celestes. “O Senhor JESUS está provando os corações humanos, por meio da concessão de Sua misericórdia e graça abundantes. Está efetuando transformações tão admiráveis que Satanás, com toda a sua vanglória de triunfo, com toda a sua confederação para o mal, reunida contra Deus e contra as leis de Seu governo, fica a olhá-las como a uma fortaleza, inexpugnável aos seus sofismas e enganos. São para ele um mistério incompreensível. Os anjos de Deus, serafins e querubins, potestades encarregadas de cooperar com as forças humanas, vêem, com admiração e alegria, que homens decaídos, que eram filhos da ira, estejam por meio do ensino de Cristo formando caráter segundo a semelhança divina, para serem filhos e filhas de Deus, e desempenharem um papel importante nas ocupações e prazeres do Céu” (Vida e Ensinos, 209, grifo acrescentado).

           A partir da atração a JESUS, do sentimento da necessidade de mudança radical, do arrependimento; com o perdão, inicia-se uma nova vida, com maravilhosas transformações que se tornam em vitória após vitória. Trata-se de uma escalada de ascensão para, dia-a-dia tornar-se numa pessoa mais semelhante a JESUS. A sucessão de vitórias emprestará à vida um prazer que só podem sentir aqueles que o experimentam. O prazer máximo sentirão quando, num relance, o Criador os transformar por completo. A santificação, que se segue após o arrependimento e perdão, é algo tão bom que por si já recompensa a mudança de vida. E depois receber a vida eterna com felicidade plena, isso é para nós, atualmente, algo simplesmente indescritível, que não podemos imaginar. Faz parte do que está previsto em I Cor. 2:9.

 

 

  1. A bondade de DEUS

 

“Ou será que você despreza as riquezas da Sua bondade, tolerância e paciência, não reconhecendo que a bondade de DEUS o leva ao arrependimento?” (Rom. 2:4, NVI).

É uma situação difícil para DEUS como Pai. A dificuldade a que nos referimos não está no campo da possibilidade, pois não há o que seja para DEUS impossível, nem mesmo difícil. Nos referimos ao amor de DEUS. Ele, que nos trouxe à existência para nos amar, agora, por causa do pecado, está privado de um pleno relacionamento com seus filhos.

Como você julgaria DEUS em sua plena santidade tolerando o pecador e seus pecados diante de DEUS? Como você aceitaria DEUS convivendo, sem se importar, com o pecado? Qual seria a Sua imagem, o seu conceito ao Ele fazer isso? Seria isso aceitável pelos seres que se mantivessem puros e totalmente obedientes a Ele? E a santidade de DEUS, permaneceria sem mancha? Não seria Ele acusável de conivência? “Diga-me com quem andas, e dir-te-ei quem és.” DEUS sendo puro, não pode tolerar o pecado diante de Si. A Sua infinita santidade não pode deixar que o pecado se manifeste perto d’Ele.

O contrário também é verdadeiro. Como poderíamos imaginar um pecador diante de um DEUS santo? Como se sentiria um pecador nessa situação? Certamente não haveria sentimento de vergonha suficiente para ele suportar. A santidade de DEUS seria um contrário tão intenso que o pecador desaparecia, fulminado em forma de algum tipo de energia, o máximo que poderia restar dele.

A pureza do amor de DEUS é algo impressionante. Apesar de estar num extremo contrário ao do pecado, assim como estão em extremos opostos a vida e a morte, DEUS, bondoso como é, já há seis mil anos está empenhado com a salvação de seres humanos. Na realidade todo o governo celeste está atarefado com esse imenso projeto, que envolve um gigantesco número de seres humanos.

Como bem ilustra a lição sob esse título, tudo pode ser perdoado (menos o que o pecador rejeita ser perdoado). Na realidade, tudo já foi perdoado, isso aconteceu na cruz. O que falta para que pessoas sejam salvas é aceitar a oferta de perdão. As palavras “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” foram endereçadas àqueles que estavam matando JESUS. Portanto, elas incluem a nós todos. Qualquer ser humano que tenha cometido algum pecado contribuiu para o sofrimento e morte de JESUS. E naqueles momentos JESUS nos estava perdoando a todos.

O que você acha sobre rejeitar tão grande oferta de perdão? Como DEUS Se sente diante da rejeição ao perdão?

Felizmente Ele Se sente feliz quando um pecador se arrepende, e há comemoração no Céu. Ele, infinitamente bondoso, só desiste de procurar o pecador para a reconciliação quando não há mais esperança, ou seja, quando ele rejeitou o amor de DEUS a ponto de se tornar totalmente incapaz de desejar o perdão. Essa é uma das razões porque a história do pecado já dura seis mil anos.

 

 

  1. “Tristeza segundo DEUS”

 

“Agora, Porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como DEUS desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo DEUS não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz a morte” (II Cor. 7:9 e 10, NVI).

A comunidade dos coríntios, que Paulo havia fundado num trabalho evangelístico, havia-se distanciado dos princípios da verdade, introduzindo práticas mundanas na comunidade, e outros problemas de relacionamento entre os irmãos. Paulo os repreendeu. Eles se entristeceram e mudaram de atitude. Então Paulo escreveu-lhes outra vez, feliz pelos resultados da carta anterior. A tristeza produzida pela repreensão fora o que ele chamou tristeza segundo DEUS, que leva ao arrependimento.

Há dois tipos de tristeza: a que leva ao arrependimento e a que leva à morte. A tristeza que leva ao arrependimento é a segundo DEUS. Ela ocorre da seguinte forma: a pessoa se flagra que é pecadora, em razão das instruções de alguma forma enviadas por DEUS. Ela percebe que seu proceder prejudica a ela e a outros, e ofende a DEUS. Percebe que assim vai perder a vida eterna, e vai influenciar outros para o caminho da morte. Percebe ainda que assim a sua vida será infeliz, e de certa forma inútil, e que ela é responsável pelos seus atos. Aí que vem a tristeza.

Essa é uma tristeza produzida por sentimentos de repúdio do que ela tem sido, de seu proceder repreensível. É uma tristeza produzida em razão da ação vinda da parte de DEUS, que o ser humano percebeu e resolveu atender. A pessoa sente uma dor psicológica profunda, e quer de fato mudar de vida, quer ser ajudada para essa mudança. As suas emoções são abaladas por causa do caminho que vinha seguindo, e fica alterada por isso. A pessoa quer uma nova vida, quer mudar tudo, quer ser ajudada nessa mudança, quer obedecer ao amor e seus requisitos. Então pode haver o perdão, com ele a pessoa se torna justa, e apta para receber, na segunda vinda, a vida eterna.

Já a tristeza segundo o mundo é bem diferente. Pode-se também chamar remorso. Decorre por perda havida pelo mau procedimento. Gera revolta, raiva, vontade de revidar ou de vingar-se, se for o caso. Quer infringir algo semelhante ao que aconteceu a ela em outra pessoa. Quer de alguma forma repor a perda, ou se fosse possível, voltar no tempo, mas não quer reformar a sua vida. Às vezes tenta tirar de outro o que perdeu, se for posse material. Leva a sentir dor devido a conseqüências de maus atos. Um exemplo foi aquela menina que com o seu namorado e o irmão dele, matou seus dois pais. Ela estava profundamente triste. Segundo uma autoridade entrevistada, a tristeza dela decorria não por ter matado seus pais. Estava triste porque foi presa, porque perdeu a liberdade e as riquezas com que sonhava. Não era tristeza em decorrência de seu procedimento, que levaria a desejar mudança de vida. Essa tristeza leva à morte, passando antes por terrível sofrimento.

           CRISTO veio para atrair as pessoas à vida, tira-las do pecado e dessa vida no pecado. Vendo o contraste entre o modo de viver segundo CRISTO, as pessoas deveriam sentir vergonha do que elas são, e isso produziria tristeza nelas, a ponto de desejarem mudança de vida.

 

 

  1. O que o arrependimento não faz

 

O arrependimento, em si, é insuficiente para salvar a vida de um ser humano, necessita do perdão; também é incapaz de libertar das conseqüências do pecado. O arrependimento também carece do ser humano afastar-se do pecado, não ficar repetindo o pecado como se fosse algo inocente. O arrependimento, ainda, como é um dom de DEUS, precisa ser aceito, para que ele seja eficaz em seu objetivo, que é uma rejeição da pessoa ao pecado.

No aspecto que se refere que o arrependimento não repõe as conseqüências do pecado, há algo interessante para se aprender. Aquele arrependimento que não vem de DEUS, e que é para a morte, ele causa tristeza justamente dos efeitos do pecado, mas não do pecado em si. Pois muitos desses efeitos nem o arrependimento, nem o perdão, resolvem. Por exemplo, se fulano matou alguém, e depois se arrependeu, aquela pessoa com isso não ressuscita. Há, por outro lado, conseqüências do pecado que o arrependimento e o perdão resolvem, como a infelicidade no lar por causa de desentendimentos. Não conserta o passado, mas muda a vida conjugal do presente para o futuro. Veja que interessante, o arrependimento de DEUS causa tristeza daquilo que vai provocar mudança imediata, que é a prática do pecado. Já a tristeza conforme o mundo, ao contrário, não provoca tristeza no que deve ser mudado logo.

Portanto, o arrependimento inicia um processo de mudança na raiz do pecado na pessoa, ou seja, em seu caráter. É onde estão escritos os princípios pelos quais a pessoa age que o Espírito Santo vai atuar. Ele vai, pelo ensino e pela experiência, trocar os valores de satanás pelos eternos princípios da Lei de DEUS, os Dez Mandamentos. Quanto mais firme se tornar essa troca, menos vontade a pessoa terá em recair nos seus velhos pecados, nem terá desejo de se aventurar em novos pecados. A força concedida ao arrependido lhe dará condições de obedecer livremente a Lei de DEUS. Assim, o que o arrependimento faz, é iniciar uma mudança nos princípios mentais pelos quais a pessoa dirige a sua vida.

 

 

  1. Conclusão e aplicação

 

É importante determo-nos um pouco sobre a aceitação do perdão. Pode acontecer, e é freqüente, a pessoa já ter sido perdoada, mas ela ainda não aceitou o perdão, ou não creu nele. Depois de ter-se arrependido e de ter sido perdoada, ainda continua a torturar-se, a sofrer, e sendo que nada está pesando contra essa pessoa. Ela já não deve mais nada, mas ainda se sente como devedora, já está livre da morte eterna, mas ainda tem medo da morte, já se reconciliou com a outra pessoa, mas ainda lhe parece estar de mal com ela, e assim vai.

O que é isso? Como explicar? Não é difícil. Todo pecado cometido contra qualquer pessoa também se comete contra DEUS. Todos os pecados ofendem a DEUS, mas nem todos os pecados ofendem algum ser humano, há aqueles que são diretamente e somente a DEUS. Todos os pecados necessitam de ao menos dois perdões, mas geralmente são três. Todo pecado sempre necessita do perdão de DEUS e do perdão da própria pessoa, e se o pecado atingiu outra(s) pessoa(s), esta(s) também deve(m) perdoar. Complicado não é?

Ocorre o seguinte, para que o pecador se veja totalmente livre do pecado, deve estar reconciliado com DEUS, com seu(s) próximo(s) e consigo mesmo, esta última é a paz interior, a consciência limpa. Funciona assim: supondo que você foi ríspido com seu cônjuge, precisa reconciliar-se com ele(a) pedindo perdão, e pedir perdão a DEUS, a ainda, perdoar-se a si mesmo, convencendo-se de que agora tudo foi resolvido, e então, nunca mais tocar nesse assunto, ao menos não de modo que traga algum mal estar.

No entanto, se você cometeu algum pecado secreto, e que nenhuma pessoa soube, esse assunto deve resolver somente com DEUS. Deve, após o arrependimento, confessar a DEUS, apesar d’Ele já saber, então será imediatamente perdoado. Após isso, deve perdoar-se a si mesmo, convencendo-se de que está tudo em ordem, que o sangue de JESUS já limpou a sua mancha suja que havia. No livro do Céu, ao lado de seu nome, já não consta nada contra você. Então que em sua consciência também nada conste. O sangue de JESUS que serviu para, pela intercessão de JESUS, DEUS apagar seus pecados, também tem o poder de apagar da sua consciência o senso de culpa, que já não faz mais sentido.

Assim, uma vez arrependido, tendo confessado diante de DEUS, e se for o caso, diante da(s) pessoa(s) ofendidas, tendo DEUS lhe perdoado, e esse perdão é garantido, e tendo as pessoa lhe perdoado, sinta-se perdoado, livre da culpa, e leve uma vida na condição de reconciliado com DEUS.

Observa-se que DEUS sempre perdoa, mas os seres humanos nem sempre. Caso lhe ocorra de algum ser humano não lhe perdoar, aí já não é mais problema seu. Trate essa pessoa como sua melhor amiga mesmo assim, pois devemos amar até mesmo os inimigos. E se ela nunca lhe perdoar, ore por ela, mas não se sinta culpado por causa disso. Deve orar por ela porque é ela que não vai ser perdoada por DEUS sempre que necessitar, mesmo que as pessoas a perdoem. Somos perdoados por DEUS se perdoamos aos que nos ofendem, mas se não perdoarmos, DEUS também não nos perdoará. Diz a oração do Senhor, perdoa-nos as nossas ofensas assim como perdoamos aos que nos ofenderam.

A melhor estratégia nesses assuntos de perdão e de perdoar é a de Mateus 5:23 e 24. Ao trazer a sua oferta perante o altar, e no caminho lembrar que alguém tem algo contra você, volte, e vai primeiro reconciliar-te com essa pessoa. Então sim, pode, feliz fazer a tua oferta (oferta mesmo, ou fazer um sermão, ou cantar um hino, ou ter qualquer outra participação). Esse é o princípio, buscar reconciliação tomando a iniciativa, não importa se você é que ofendeu ou se foi a parte ofendida. Nesse princípio está a sabedoria superior de governo celeste: aconteceu com você, não especule quem tem razão ou que é o culpado, tome a iniciativa, e vá buscar a reconciliação. O mais importante é que haja, de alguma forma, a reconciliação, e que vivam em paz. Isso é bonito, não acha?

Sugerimos, mais uma vez, o simples mas eficaz ‘culto do perdão’, que já é prática em nossa casa. Todas as noites, antes de dormir, colocamos em prática o verso que ensina assim: “irai-vos, mas não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira”. Ao nos recolhermos para o sono da noite, nos reunimos em família, e cada um confessa o que fez de mal ao(s) outro(s), e pede perdão, perguntando se há mais algo a perdoar. A seguir, damos-nos as mãos, e todos oramos, um por vez. Então vamos dormir, e nos sentimos bem. Em razão desse procedimento, às vezes se passam semanas, até meses sem que ocorra alguma ofensa em nossa família. Quando ocorre alguma ofensa, é quase desprezível. Porém, antes dessa prática de nos perdoar todos os dias, as coisas eram bem diferentes, isto é, as vezes muito tensas...

Os recursos divinos não são perfeitos? Experimente em sua família, e viva bem melhor, muito mais feliz, sem brigas nem desentendimentos. A prática de arrepender-se, de confessar e de pedir perdão faz verdadeiros milagres, porque são dons de DEUS. É muito gostoso viver em paz uns com os outros, a vida vale a pena, e deseja-se estende-la por toda a eternidade. Façam isso, e ensinem a outros algo tão simples, mas eficaz. Vai sentir-se ainda mais feliz por poder ajudar outros com um recurso que não custa nada, mas que pode mudar tudo o que de ruim existia para algo bom.

 

 

 

escrito entre: 20/03/2003 a 24/03/2003

revisado em 31/03/2003