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Estudo nº 2 – O perdão na Bíblia hebraica

Semana de 5 a12 de abril

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

 

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

O perdão na Bíblia hebraica

 

           Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

           “E, passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor DEUS, compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração!” (Êxodo 34:6 e 7).

 

  1. Introdução

 

           O ser humano tem visão sobre todas as coisas conforme o que introduziu ou o que foi introduzido em sua mente. Em todos os casos, trata-se de uma confusão generalizada de informações contraditórias; de verdades comprovadas, de verdades distorcidas ao longo do tempo; de mentiras que se consolidaram como verdades; de crendices da tradição pagã que se incorporaram ao cristianismo; de teorias falsas, superadas ou as vigentes ainda por superar por outras teorias; ou de coisas que ouviu dizer; até coisas que ele mesmo inventou e nas quais acredita, etc., etc., etc. Muito dessa confusão recebe títulos pomposos, o que lhe confere uma impressão de verdade absoluta. Com base nessa confusão de informações na mente, as pessoas às vezes decidem ler, com seus respectivos preconceitos, a palavra de DEUS. Cuidado, não pensemos tanto nos outros. A descrição acima foi feita com base na mente de quem está escrevendo, “eu mesmo”. De alguma forma, todos nós nos enquadramos nessa situação, mas por certo, em maior ou menor intensidade.

           Se lermos a Palavra de DEUS com esse cabedal de contrariedades, certamente essa leitura aumentará a confusão já estabelecida, e cada vez estaremos menos aptos a compreender DEUS. A confusão mental dos pais, grande parte passa para os filhos por transmissão. Os preconceitos da mesma forma. Esses, por sua vez, adquirem outras mentiras e contrariedades ao longo de suas vidas. Com o avançar das gerações, a raça humana estará preparada para aceitar com facilidade a mentira e a falsidade, e a desconfiar da simples verdade bíblica. A grande maioria das pessoas, principalmente algumas bem tituladas e que se orgulham de suas conquistas acadêmicas nas ciências que não são ciência, são, na realidade, nas palavras de JESUS, cegas, porque o que vêem, não é o que pensam estar vendo. Elas vêem uma realidade aparente, completamente distorcida, mas a têm como verídica, e se baseiam nisso para suas decisões e para dar rumo a suas vidas.

           As pessoas em situação como acima, ao lerem a Bíblia, principalmente o Antigo Testamento, se não o fizerem com a instrução contínua do Espírito Santo, extrairão dessa leitura o contrário que na verdade ali se apresenta. Entenderão que DEUS é um tirano, um fraco, porque se arrepende e muda de idéia; que comete muitos erros, e depois volta atrás. Na realidade elas não vêem a DEUS nessa leitura, elas vêem o que a sua mente quer ver, e se tornarão preconceituosas com relação ao que poderia ajudar a elas mesmas. Elas verão não outra coisa senão um protótipo de satanás, mas não Quem é ali descrito.

           Precisamos estudar bem a lição dessa semana, tanto para nós mesmos desmistificarmos alguns entendimentos distorcidos no Antigo Testamento, quanto também para ajudarmos a outros saírem desse atoleiro de interpretações fora de foco.

 

 

  1. O DEUS perdoador

 

“Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniqüidade e não destrói; antes, muitas vezes desvia Sua ira e não dá largas a toda a Sua indignação” (Sal. 78:38).

 

           Por incrível que pareça aos preconceituosos, tanto o Antigo como o Novo Testamento estão cheios do perdão de DEUS. Vemos no Antigo Testamento DEUS indo atrás de Seu povo, para os reencaminhar ao amor d’Ele. Quando não queriam nada com DEUS, Ele Se obrigava a permitir que entrassem em dificuldades para tornarem a sentir a necessidade do DEUS verdadeiro. Então se formava nova oportunidade para a unidade entre o povo com seu DEUS. Quanto ao perdão de DEUS para o povo, essa sempre foi a parte mais fácil. O Antigo Testamento, na verdade é a história de Um DEUS que jamais abandonou o Seu povo, mas que repetidamente foi por ele abandonado. São séculos de tentativas por parte de DEUS, sempre respeitando a liberdade decisória do povo.

           Finalmente, o Antigo Testamento desembocou na primeira vinda de JESUS, aquele que foi o DEUS que tanto lutou naqueles séculos anteriores para conquistar Seu povo para o Seu amor. Ele mesmo, veio na plenitude dos tempos, ou seja, quando se finalizavam os 490 anos dados ao povo judeu para que se definissem a quem queriam seguir: ao Criador ou a um deus falso. Ele que havia lutado do Céu, veio em pessoa, em forma de ser humano, para pessoalmente, entre o Seu povo, tentar persuadi-los para o caminho do amor.

           Mas que história triste. Essa luta de DEUS, desde que Adão e Eva pecaram, sempre resultou em algumas vitórias, mas somente atendia uma minoria, um remanescente. Na arca só entraram oito pessoas. Mas, ao menos alguns atendiam. No caso dos espias, de todo o povo, somente Caleb e Josué estavam dispostos a seguir em frente ao lado de DEUS. Muitos são os exemplos do contínuo estado de rebelião do povo de DEUS. Sempre foram poucos aqueles que atendiam ao chamado do amor, para o perdão e reconciliação. Mas não vemos em tempo algum a desistência de DEUS. Foram quatro mil anos de persistência por parte de DEUS, até que Ele mesmo se tornou como um de nós, para nos conquistar de volta a Ele. E quase ao final do tempo de 490 anos dados ao povo judeu para que decidisse tornar-se em definitivo o povo de DEUS, o próprio DEUS se tornou homem, e quando faltavam apenas três anos e meio para findar esse tempo, Ele se ofereceu para morrer por aquele povo, e pelo mundo todo. Ele fez, em meio aquele povo a maior demonstração de amor de que se tem notícia na história do Universo. Ao lado das palavras, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, palavras que se originaram do fundo do coração transbordante de amor, estão também as circunstâncias. Não foi com a morte de JESUS, provocada pelo povo que Ele mesmo formou, que se expirou o tempo a eles dado. Não foi com essa morte, que é algo terrível, que perderam a oportunidade de serem povo de DEUS. Foi com a morte de um servo irmão deles, Estevão, três anos e meio depois da morte de JESUS, que esse tempo terminou. O amor de JESUS por eles era tão grande que não Se importou ser morto por eles mesmos, e ainda lhes concedeu mais três anos e meio, até Estevão, para que ainda pudessem retornar a Ele, e assim estaria tudo resolvido e perdoado. Você ainda acredita que o DEUS do Antigo Testamento é o que muitos dizem d’Ele, visto com os olhos do preconceito?

 

 

  1. Lavar, purificar, perdoar

 

Qual o significado de perdão no antigo testamento? Requer DEUS que as pessoas sofram para obter o perdão? Age Ele com dureza para conceder o perdão?

O Antigo Testamento está cheio de esforços para conceder perdão ao ser humano. Aquilo que parece ser tão bom para a raça humana, isso é o que O Senhor JESUS fez por Adão e Eva naquele mesmo dia, Ele os vestiu com peles de cordeiro, para que não aparecesse a vergonha de sua nudez, uma das primeiras conseqüências do pecado. Ele cobriu um dos efeitos ruins do pecado. Se DEUS fosse o que muitos pensam d’Ele ao lerem de forma apresada o Antigo Testamento, então Ele deveria ter sido bem intolerante com o casal. Mas não foi. Ele tomou todas as providências para que eles tivessem orientação sobre como enfrentar a nova situação. Vejamos:

ð                     O Senhor pronunciou severa e humilhante condição para as serpentes, animais dos quais um foi utilizado por satanás para derrubar o casal. As serpentes dessa forma não mais poderiam ser utilizadas para enganos, e seriam assim um símbolo da humilhação por causa do pecado (Gen. 3:14).

ð                      Ele declarou guerra contra satanás (Gen. 3:15).

ð                      Antecipou que agora a mulher teria filhos com dor e com sofrimento, e que ela necessitaria de proteção especial daquele dia em diante, pois agora a força bruta seria importante para a defesa contra as ameaças que surgiriam, como animais ferozes, guerras, etc. (Gen. 3:16).

ð                     Alertou que a terra se envelheceria, e que daria o seu fruto com maior dificuldade, e que o ser humano teria que trabalhar para obter o seu sustento, até que viesse a morrer (Gen. 3:17 e 19).

ð                      A terra produziria plantas nocivas, que estariam provocando problemas nas lavouras (Gen. 3:18).

ð                      Então o Senhor tomou uma providência muito importante, ele retirou Adão e Eva do acesso à árvore da vida, para que por ventura viessem a comer dela e se tornassem sofredores por toda eternidade. O Senhor, que é JESUS, com grande pesar os proibiu de entrarem onde era o seu lar, o jardim especial, chamado Éden. O resto do planeta era deles, mas o jardim, em cujo centro estava a árvore da vida, ali não poderiam mais ir.

Essas foram providências pelo bem deles. Eles não foram enganados por DEUS, nem castigados. Eles receberam as justas conseqüências do que fizeram, e nada mais. Mas, ao lado disso, receberam também a promessa da luta do próprio Senhor pela vida deles, O Senhor viria, dentro de algum tempo, para morrer por eles. Ora, nesses episódios, nesses passos acima, o que vemos são as providências para se viabilizar o perdão. Na realidade, as primeiras providências do Senhor foi o necessário para que, tanto eles pudessem obter o perdão, quanto, para que Ele mesmo, O Senhor, viesse no futuro morrer por eles, assim alcançando-lhes o perdão.

Assim, pelos textos examinados, baseados no início da guerra lá naquele dia fatídico do Éden, perdão, tanto no Antigo como no Novo testamento, envolve dois momentos. No primeiro momento, a declaração de pureza, o ato de perdão, pelo qual o ser humano, embora continue ainda pecador, ficou livre dos pecados até então cometidos, dos quais ele se arrependeu. No segundo momento, significa a transformação, ou seja, o retorno à condição de santidade como foi na criação, sem mais nenhuma tendência para pecar. Isso vai ocorrer quando JESUS retornar, quando Ele nos transformar para sempre.

Portanto, o perdão nos limpa (purifica) do mal que fizemos, mas no momento ainda não nos retira da condição de pecadores, por isso temos que continuar lutando contra a tentação de pecar. Mas, quando JESUS voltar, quem estiver perdoado, esse será transformado totalmente, tornar-se-á perfeito outra vez. É isso que todos os estudiosos da Bíblia desejam. Enquanto essa transformação não acontece, tem lugar a santificação, que é a luta, com o poder do Espírito Santo, para cada dia ser mais semelhante a JESUS, menos debilitado pelo pecado, menos inclinado a pecar.

 

 

  1. O Senhor Se arrepende

 

DEUS não Se arrepende como o ser humano. O ser humano se arrepende de erros cometidos, isso não acontece com DEUS. Ele jamais erra, nem pode errar. DEUS quando a Bíblia se refere como tendo-Se arrependido, indica que Ele vai mudar o Seu modo de tratar com o homem, e que está com sentimentos de pesar, de tristeza pelo que o homem fez. Envolve uma espécie de pesar que na verdade o homem deveria sentir. DEUS, como Pai, coloca-Se em lugar do homem endurecido pelo pecado, e sente-se em lugar dele. Então, DEUS, na intenção ainda de salvar o homem que vai se afastando, muda de estratégia, parte para uma maneira de relacionamento com o homem que o leve a ver sua situação, e o faça entender sua condição. Pode ser que assim o homem retorne para o abrigo de DEUS. Se com essa estratégia o homem não retorna, DEUS vai mudando de estratégia até que, ou o homem retorna de uma vez, ou se afasta de tal maneira que não é mais possível o retorno, e esse é o pecado contra o Espírito Santo. Perceba que DEUS jamais age contra a liberdade de consciência do ser humano. Por isso não é fácil para Ele agir conosco.

Diz Ellem G. White: “O arrependimento de Deus não é como o do homem. "Aquele que é a Força de Israel não mente nem Se arrepende; porquanto não é um homem para que Se arrependa." I Sam. 15:29. O arrependimento do homem implica uma mudança de intuitos. O arrependimento de Deus implica uma mudança de circunstâncias e relações. O homem pode mudar sua relação para com Deus, conformando-se com as condições sob as quais pode ser levado ao favor divino; ou pode, de moto próprio, colocar-se fora da condição favorável; mas o Senhor é o mesmo "ontem, e hoje e eternamente". Heb. 13:8. A desobediência de Saul mudou sua relação para com Deus; mas as condições de aceitação por parte de Deus ficaram inalteradas - as reivindicações de Deus eram ainda as mesmas; pois nEle "não há mudança nem sombra de variação". Tia. 1:17” (Patriarcas e Profetas, 630).

Assim, quando DEUS Se arrepende, não é porque teria errado, mas porque o homem não quer mais atender a Ele em certas condições que são muito boas. Então DEUS muda para um novo relacionamento com o homem, sob condições um tanto desfavoráveis para o homem. Nelas ele sentirá restrições, e vai sofrer, e acontece com freqüência que alguns dos homens assim retornam para DEUS.

 

 

  1. Amando os desagradáveis - I

 

“Quando o Senhor começou a falar por meio de Oséias, disse-lhe: ‘Vá, tome uma mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada do mais vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor’” (Oséias 1:2).

           O amor é um só. O amor que une as pessoas entre si, o que une um casal para sempre até que a morte os separe, o que une as criaturas ao Criador, o que une O Criador às criaturas, é sempre o mesmo. Ele, no entanto, se expressa de modos diferentes, pelo que, para distinções desses modos de expressão, lhe dão nomes diferentes. No entanto, amor é amor, e DEUS é amor, e DEUS é um só, o amor também é um só.

           Assim, quando um casal se une, une-se pela beleza do amor que DEUS neles colocou, e que eles escolheram como modo de vida. Eles, assim, seguem o principal princípio do governo celeste, do Universo. Por outro lado, quando uma pessoa se une à igreja que segue a Bíblia, e unicamente a Bíblia, abraça o amor de DEUS. Na Bíblia, em essência nos Dez Mandamentos, está expresso o amor de DEUS, manifesto plenamente por JESUS ao viver entre os homens, e mais intensamente, ao ser depositado por nós na cruz. Unir-se em amor ao Criador é adora-Lo, porque Ele é O Criador, e porque nós existimos a partir d’Ele. Adorar a DEUS é sinônimo de amar a DEUS. Adoração é a expressão máxima do amor da parte da criatura, que só é possível deferir Ao Criador, e do modo como Ele determinou. A maneira como adoramos o criador está nos primeiros quatro mandamentos da santa Lei de DEUS, e em essência, no quarto mandamento. Ali está escrito como se ama a DEUS, ou seja, deve-se nesse dia abandonar toda atividade servil, e dedicar-se com exclusividade ao Criador.

           Por outro lado, quando um adorador, que já havia decidido pertencer ao Criador, volta-se para dar seu amor a algo que passa a entender ser deus, então, assim como é prostituição um homem ou uma mulher ir após outra pessoa para fantasias sexuais, assim é prostituição a mistura de adoração. Em ambos os casos, o amor está sendo traído, e a sua pureza sendo manchada. A felicidade está sendo destruída, e a morte está sendo eleita como conseqüência.

           Há três condições espirituais possíveis ao adorador.

1.           Adorador puro, aquele que ama exclusivamente ao DEUS Criador, e com Ele se relaciona exclusivamente para questões de vida e de felicidade, tais como, perdão dos pecados, obediência e princípios de vida.

2.           Adorador prostituído, é aquele que, tendo uma vez pertencido a DEUS, também oferece o seu amor em forma de adoração a um ídolo, quer seja ele uma estátua qualquer, quer seja algo simbólico, como prestígio, poder, ou também de valor, como dinheiro, bens, etc.

3.           Escravo de satanás, é aquele que não tem mais nenhum vínculo com DEUS, para o qual já não existem mais possibilidades de retorno. Ele conscientemente rejeitou a DEUS e está trabalhando para que outros também caiam nessa condição. Essa é uma versão de pecado contra o Espírito Santo.

A ordem de DEUS a Oséias, para que esse profeta buscasse uma mulher prostituta, e se casasse com ela, e tivesse filhos, é algo bem estranho. Por certo o povo viu a atitude de Oséias, e por ser ele um profeta santo de DEUS, chamou muita atenção. O que ele está fazendo? Por que faz isso?

A ordem tinha por objetivo chamar atenção mesmo. O povo recriminou a Oséias: ora, um profeta de DEUS não deveria agir assim. Isso está errado. O fato gerou polêmica, protestos, críticas, e as pessoas se envolveram em comentários. Logo Oséias fazer uma coisa dessas! E ele, por certo, da parte de muitos, passou a ser mal visto. Oséias havia estabelecido relações com uma mulher prostituta, e tivera filhos com ela, algo bem flagrante, consumado. Esse relacionamento designado por DEUS estava representando, em sua dramaticidade, o que o próprio povo condenava, mas estava praticando. Os acusadores, mais uma vez estavam se acusando a si mesmos, e Oséias estava representando no amor humano o que a nação fazia no amor espiritual: prostituição.

 

 

  1. Amando os desagradáveis – II

 

“O Senhor me disse: ‘Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada por outro homem e se adúltera. Ame-a como o Senhor ama os israelitas, apesar de eles se voltarem para outros deuses e de amarem bolos sagrados de uvas passas’” (Oséias. 3:1).

O que DEUS está propondo aqui não é nada demais, nem está errado. Era para Oséias amar a sua esposa, apesar dela ter estado com outro homem ou homens, e não ama-lo de verdade. Ele deveria tratar dela de tal maneira que seu coração possivelmente retornasse a ele. Deveria falar ao coração dela, atraí-la de volta a si. “Em linguagem simbólica Oséias põe perante as dez tribos o plano de Deus de restauração em favor de toda a alma penitente que se unisse com Sua igreja na Terra, as bênçãos asseguradas a Israel nos dias de sua lealdade a Ele na terra prometida. Referindo-se a Israel como aquele a quem Ele ansiava por mostrar misericórdia, o Senhor declarou: "Eis que Eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito. E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que Me chamarás: Meu marido; e não Me chamarás mais: Meu Baal meu senhor. E da sua boca tirarei os nomes de Baalim, e os seus nomes não virão mais em memória." Osé. 2:14-17” (Profetas e Reis, 299).

É fácil fazer isso, atrair quem ama outro de volta? Não, principalmente quando já se ligou ao outro, e gosta dele. Fica bem difícil reatar as antigas relações. Chamou atenção agora a fidelidade do profeta. Contrastou a sua fidelidade a sua esposa adúltera com a infidelidade dela. Aqui os atos de Oséias estavam se tornando claros: ele estava representando o Senhor, que amava Israel, e Israel era como a esposa, que se havia afastado do Senhor. DEUS estava tentando buscar de volta a seu povo. “Com as mais severas reprovações, Deus buscou despertar a nação impenitente para a realidade do iminente perigo de sua completa destruição. Por intermédio de Oséias e Amós Ele enviou às dez tribos mensagem após mensagem, exigindo amplo e completo arrependimento, e ameaçando-os com calamidades como resultado da contínua transgressão” (Profetas e Reis, 279 e 280). Mas, como povo, eles estavam determinados a seguirem, prostituídos, a outros deuses. “Tivesse Israel aceito as mensagens dos profetas e teriam sido poupados à humilhação que se seguiu. Foi em virtude de haverem persistido no abandono de Sua lei, que Deus foi compelido a deixá-los ir em cativeiro. "O Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento", foi a mensagem enviada a eles por meio de Oséias. "Porque tu rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei... visto que te esqueceste da lei do teu Deus." Osé. 4:6.” (Profetas e Reis, 279).

Aqui está o amor de DEUS, também no Antigo Testamento. Mesmo que a única comparação possível para o povo de DEUS fosse com a prostituição, Ele estava disposto a ir atrás desse povo, busca-lo de volta, falar-lhe de amor, restabelecer-lhe as condições de fidelidade e os perdoar para sempre. O DEUS eterno sempre foi do perdão, e a Ele sempre podemos nos volver, Ele sempre nos receberá de volta. A única situação pela qual poderemos nos perder, não receber o Seu perdão, é se não o quisermos. Muitos se perderão dessa forma.

 

  1. Aplicação do estudo

 

“Por meio de Cristo provê-se ao homem tanto a restauração como a reconciliação. O abismo produzido pelo pecado foi transposto pela cruz do Calvário. Foi pago por Jesus um resgate pleno e completo, em virtude do qual o pecador é perdoado e mantida a justiça da lei. Todos os que crêem que Cristo é o sacrifício expiador podem chegar a Ele e receber o perdão dos pecados; pois pelos méritos de Cristo, franqueou-se a comunicação entre Deus e o homem. Deus pode aceitar-me como filho Seu, e eu posso invocá-Lo como meu Pai amoroso e nEle me regozijar.” (Fé e Obras, 93).

O perdão no Antigo e no Novo Testamento tem conotação diferente: lá ele estava sendo anunciado, aqui ele se tornou realidade. É a conotação peculiar do tempo antes, e do tempo após a cruz. No entanto, assim como aqueles que viveram ou que vivem nos tempos após a cruz, os de antes também puderam ter o mesmo acesso ao perdão. A cruz abrangeu tanto a história passada como a futura.

O relacionamento entre DEUS e Suas criaturas, antes da cruz, foi de certa forma diferente do relacionamento após a cruz. A diferença dá-se pelo fato de JESUS ter passado, pessoalmente, entre os homens. Foi quando Ele revelou como é DEUS, e então, os seres humanos puderam ter melhor compreensão do quão grande é o amor de DEUS. Isso mudou o relacionamento, pelo fato de nós, seres humanos, pelo exemplo da vida de JESUS, termos melhor conhecimento de DEUS, não porque Ele tenha mudado alguma coisa. Foi na vida e no sacrifício de JESUS que ocorreu a mudança, em nós. “Neste quadro da páscoa judaica; Jesus expõe a entrega de Seu corpo e Seu sangue como o sacrifício expiatório por excelência como a substituição do sacrifício pascoal do antigo concerto e os meios de salvação de novo concerto para muitos. Ele colocou Sua vida em lugar da de Seus discípulos como um sacrifício expiatório para perdão dos pecados deles.” (Doutrina e Salvação p. 4). Esse sacrifício demonstrou ser DEUS sempre o mesmo, e que Ele procurou por Seu povo ao longo desse tempo até que, na época certa, que conhecemos por plenitude do tempo, Ele mesmo veio, em pessoa, entregar-se por Seu povo. Seu povo são todos aqueles que n’Ele crêem e confiam. A cruz mostra que DEUS sempre foi amor, que Ele sempre foi perdoador, que Ele sempre esteve ligado a nós, e interessado pela nossa situação. Os nossos pecados levaram DEUS a sofrer, e a fazer tudo o que estivesse ao Seu alcance, nos limites da Lei, para que nós pudéssemos ser salvos. Isso não quer dizer que DEUS tenha limites, mas sim, que havia uma Lei. Quer dizer que DEUS, ao mesmo tempo em que propiciava o perdão dos pecados de quem desejasse, não desobedecia a Lei, e isso define limites até mesmo para DEUS. Ele pode tudo, mas nem tudo Ele faz. JESUS mesmo disse que veio para cumprir a Lei, não para anular a Lei. Nessas restrições, pudemos perceber, maravilhados, que não houveram limites para o tamanho do amor de DEUS, nem para a Sua misericórdia, e que não existem limites nem barreiras para que o perdão seja concedido, exceto se a pessoa não quer. O sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, com a cruz, tornou-se um marco de prova do imenso amor de DEUS tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Eis que Ele anunciava o sacrifício de JESUS, por isso, comprova que desde há muito, por esse amor, viria o próprio Senhor sacrificar-se por nós. O amor tanto anunciado cumpriu sua promessa, assim como está para cumprir a promessa da segunda vinda. Ora, vem logo Senhor JESUS!

 

 

 

 

escrito entre: 16/03/2003 a 20/03/2003

revisado em 30/03/2003