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Estudo nº 11 – A partir do coração

Semana de  07 a 14 de junho

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

 

 

 

A partir do coração

 

            Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

1.     1.       Introdução – sábado à tarde

 

“Pois por suas palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados” (Mateus 12:37 – NVI)

As palavras são o nosso segundo produto mais fácil de produzir. O primeiro são os pensamentos. É muitíssimo fácil pensar, e é bem fácil falar. Portanto, nos é recomendável cuidarmos dos nossos pensamentos e palavras. É a partir dos pensamentos que vêm as palavras, e estas determinam o relacionamento com nosso próximo. Os pensamentos são poderosos para determinar nosso relacionamento com DEUS, já que com Ele não falamos face a face como com as pessoas. Os pensamentos e as palavras tem conseqüências importantes em nossa vida e na de nossos semelhantes. Elas são o princípio do relacionamento.

Para que possamos pensar e falar corretamente, precisamos dominar os princípios que orientam o pensamento. Esses princípios formam o caráter, a nossa inteligência espiritual. O caráter das pessoas pode ter duas orientações, a da sabedoria ou a da astúcia. Aqueles que são sábios tem seu caráter formado pelos princípios bíblicos, mas os astutos o tem pelos valores mundanos degenerados. Os pensamentos são selecionados e aprovados pela nossa mente racional, conforme o que cultivamos em nosso caráter, e dos pensamentos se originam as palavras. Portanto, pelas palavras de uma pessoa pode-se conhecer com certa facilidade o que contém seu caráter, e se ela está sendo transformada ou não pelo poder de DEUS. Se o modo de uma pessoa falar sempre é o mesmo, vingativo por exemplo, o seu caráter não está sendo educado por DEUS, e ela está perdendo a batalha pela vida eterna. Portanto, esta, por suas palavras certamente será condenada. Mas, por outro lado, se uma pessoa que uma vez foi rude, com o tempo muda o seu modo de falar, isto é, o modo como se relaciona com as pessoas, isto é sinal que ela está permitindo a ação do Espírito Santo. As palavras dela declaram isto, e ela está no caminho da vida eterna. Esse é nosso assunto dessa semana. Um belo e importante assunto!

 

 

2.              O poder das palavras – domingo

 

A língua é fogo; é mundo de iniqüidade. ... Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens. ... De uma só boca procede bênção e maldição” (Tiago 3:6 e 10).

         A palavra tem poder impressionante. A palavra escrita possui muito poder, mas a palavra falada muito mais. Pelo falar podemos criar ênfases, modular tons, e construir poderoso conjunto de pronunciamentos que persuadem as pessoas. Pelo falar podemos convencer uma nação à guerra, um povo ao sacrifício, muitas pessoas ao suicídio, uma multidão à anarquia, etc. mas também podemos levar multidões ao Céu. Pelo falar pode-se gerar impressionante poder. As palavras pode colocar em ação milhares, e milhões de pessoas. Quem sabe manejar a palavra possui poder quase sem limites. Todos os grandes acontecimentos envolvendo multidões foram dirigidos por palavras de pessoas hábeis na arte da comunicação. Palavras podem colocar em ação um país, e até mesmo o mundo inteiro, em todos os lugares. Poderosos discursos podem mudar a história.

         Se as palavras podem ser utilizadas com eficácia para o mal, da mesma forma servem para o bem. Palavras oriundas de corações (caráteres) sábios, podem evitar tragédias, consolar corações, unir os separados, criar felicidade, salvar pessoas para a eternidade, solucionar problemas críticos. Palavras boas ditas no tom certo podem trazer grande alívio aos que sofrem. Palavras meigas, bem escolhidas, ditas com amor, podem até salvar a vida de quem está a morrer. Na história da medicina há registros de pessoas que, embora sem esperança de vida, viram-se curadas porque alguém pronunciou as palavras certas. Daniel Golleman, em seu livro Inteligência Emocional cita o caso de uma pessoa que estava para morrer. Ela ouviu o médico falar dos efeitos poderosos de um tratamento, enquanto falava aos estudantes. Não se referia àquele doente. Mas ele pensou que era com ele, e criou ânimo, e em alguns dias estava curado. O mesmo livro cita o caso de uma mulher, que ouvindo um médico falar sobre outro doente em caso terminal, sem esperança, pensou ser com ela, e mais tarde morreu. A mulher estava no corredor e naquele momento não se achava doente... Palavras tem muito mais poder do que imaginamos.

         O texto relacionado ao verso acima é um alerta profundo. Diz que tropeçamos demais no falar. Às vezes apenas um tom áspero exerce um poder imenso sobre outra pessoa. É preciso colocar freio na língua. Como se pode fazer isso? Cultivando bons princípios de caráter. De nada serve fazer propósitos de cuidar bem do que vai falar. Isso ajuda, mas pouco, quase nada, e dura tempo limitado. O que coloca freios na língua é a mudança do coração, de onde procedem as saídas da alma, isto é o caráter. É ali que devemos cultivar o amor, então as palavras corresponderão ao que ali é apreciado.

         O texto compara a língua ao leme de uma navio. Este é guiado pelo leme, onde o leme o determinar. Mas, o leme obedece o que o capitão mandar. E o capitão é um ser inteligente, a língua não, nem o leme. O capitão aqui é comparável ao nosso caráter. Não devemos ser dominados pela língua, isto significa um proceder precipitado, não racional. Devemos ser dirigidos pelos princípios eternos de nosso DEUS, assim como o capitão decide por onde deve passar o grande navio. Por detrás da língua, e de todo nosso ser, precisa estar apostos um inteligente capitão.

         O texto ainda diz que a língua é como fogo. Pode incendiar um braseiro. Uma grande verdade. Como dissemos acima, com a língua podemos desencadear uma grande polêmica, uma grande guerra, ou uma grande destruição. A língua indomável pelo ser humano deve ser posta a disposição do poder de DEUS, o único capaz de mudar o seu procedimento. Ele deve ser o capitão formador de nosso caráter, para que os nossos atos sejam orientados pelos princípios do governo celeste.

         A língua não pode ser utilizada para contradições. De uma só fonte não devem proceder o bem e o mal, o doce e o amargo. Quando isso acontece, na realidade é o bem cooperando com o mal, ou seja, o que é bom estará sendo utilizado para finalidades maldosas. Nisso somos todos, pecadores, especialistas. Somos facilmente capazes de falar bem de uma pessoa diante dela, e pouco depois, na sua ausência, despejar todo lixo que dela pensamos.

 

 

3.              Mexeriqueiro – segunda

 

         Não espalhem calúnias entre o seu povo” (Lev. 19:16, NVI).

         Todas as coisas foram criadas pela palavra. O amor concede poder às palavras, infinito poder. O ódio também, mas poder limitado. O amor pode tudo por intermédio das palavras, e como é amor, não necessita da força para realizar o que deseja. Mas o ódio, por sua natureza, pode pouco diante do amor, e para realizar o que deseja, precisa recorrer a métodos que envolvem a força. É que o amor reside em DEUS, ilimitado em capacidade e em todos os seus atributos, mas o ódio reside num ser limitado no que pode fazer, felizmente.

         Embora seja assim, satanás, contra nós, que somos, sem DEUS, bem menores que ele, pode muito. Se, no entanto, estivermos com DEUS, o que satanás pode contra nós não é mais quanto pode contra DEUS.

         O tema de hoje é estrategicamente importante, ou seja, tem a ver com métodos de comunicação. Há maneiras de conseguirmos as coisas que desejamos, e essas maneiras são estratégias. Uma estratégia diz respeito ao procedimento de informação que utilizamos com os outros seres: ou é verdadeiro, ou é falso. Ou seja, ou a comunicação está ligada ao que corresponde com a realidade e é conduzida com ética e com objetivos nobres, ou é conduzida com interesses obscuros, visando denegrir o outro e obter vantagem com isso.

         Os objetivos das pessoas com uma comunicação orientada pela ética cristã bíblica sempre serão construtivos, segundo os princípios dos dois grandes mandamentos. Mas os objetivos daqueles que falam coisas negativas, falsas ou verdadeiras, tem outro fundamento, que pode ser de duas espécies: ou quer levar nítida vantagem, ou apenas quer alimentar o seu prazer sádico de falar mal dos outros. Não se pode dizer qual dos dois é pior, mas ambos usam da estratégia do mexerico para essas finalidades. A diferença entre esses dois é que um deles age em profundidade e o outro na superficialidade, mas os dois criam problemas e geram conseqüências negativas.

         Aquele que calunia para levar vantagem é o típico negociante moderno, astuto, escondendo parte das informações, enfatizando só no lado bom, sempre buscando vantagem. É a típica situação de enganando e sendo enganados, e indo de mal a pior. É assim que funciona a sociedade de hoje. Pois isso está no tema do estudo de hoje.

         Daremos um exemplo real. Há alguns meses atrás estávamos, minha esposa e eu, querendo adquirir um carro usado. Como é necessário ter cuidado nessa situação! Um bom amigo meu, colega de diretoria, já nos vendeu um caro que por fora estava aparentemente muito bom, mas a mecânica, um horror. Por ser amigo e colega, a confiança falou mais alto que a desconfiança, e o prejuízo também. (Como será bom na Nova Terra, onde não teremos que desconfiar de ninguém!) Mas, nesse novo caso, nos apareceu um senhor ‘muito honesto’segundo as suas próprias palavras. Ele dizia que queria manter a clientela sendo honesto. Trouxe-nos um automóvel muito bonito, por fora. Agora desconfiados ao máximo, pedimos para levar a um mecânico e a um chapeador, onde descobrimos que o carro foi fortemente batido, isso foi recente, e foi arrumado apenas para vender logo, ou seja, empurrar adiante, e a um bom preço. A mecânica também requeria despesas, e não poucas. Voltamos e dissemos isso ao honesto vendedor. Ele se fez de surpreso, e com toda a sua ‘perícia’ nem havia notado esses detalhes.

         Mas o que tem isso a ver com nossa lição de hoje? Muito, muito mesmo. Esse é o caso do negociante, que enriquece usando palavras falsas, como é a maioria hoje. As pessoas usam a religião para aparentar honestidade, usam a origem da nacionalidade de seus pais, usa a raça, usam o currículo, usam o seu sobre-nome, usam o cargo, inclusive muitos ministros, de todas as igrejas, usam o seu estatus para enganar. Sempre fazem de conta que não sabiam, surpreendendo-se intensamente se o enganado reclamar, e dão de ombros. Como será bom livrarmo-nos destes no reino para aonde vamos! Esse é o tipo de mexerico mais ‘profissionalizado’, aquele que usa as palavras desonestas para levar vantagem, geralmente de natureza econômica.

         Há também o mexerico para aqueles que não são tão hábeis em levar vantagem. Esses são os fofoqueiros, que falam mal por falar, apenas pelo prazer de denegrir a imagem dos outros. Isso é muito fácil de fazer. Falar a verdade é difícil pois é necessário conhecer a verdade, mas para fazer fofocas, basta inventar algo no momento, ou repassar algo que ouviu, sem necessariamente conferir a veracidade ou não dos fatos. Aliás, até mesmo a verdade se presta para esse fim, quando ela é negativa, e se for espalhada por aí, e em nada ajudando a pessoa a sair de sua situação moralmente deficitária.

         Agora vem a notícia ruim. Todos esses são escravos de satanás. Eles usam dos métodos de satanás, e a calúnia talvez seja um dos mais poderosos e também piores métodos, pelas conseqüências que pode produzir. Ela é capaz de arruinar a vida secular das pessoas e ainda impedir a entrada de pessoas para a vida eterna. Ela é capaz de produzir uma terrível tragédia para muitos, e de fato, já produziu e vai produzir isso na maioria das pessoas desse mundo. Portanto, a calúnia tem imenso poder para o mal.

         Mas vamos concluir as reflexões desse dia com algo positivo. Apesar de ser impossível pela nossa capacidade nos livrarmos desse mau hábito, pelo poder de DEUS podemos obter a independência dele. Para tanto, o método é a entrega a JESUS, e todos os dias estudar a Bíblia e a lição da Escola Sabatina, colocando imediatamente em prática o que aprendeu. Para isso, todos os dias deve orar pedindo poder do Espírito Santo, para não ficar tentando por si só obter a vitória. O segredinho é aprender e logo colocar em prática, para não criar outro hábito ruim: o de saber o certo mas despreza-lo.

 

 

  1. História de mentiras, palavras de verdade – terça

 

A história do pecado identifica-se com a mentira. Ela originou o pecado, ao menos o tornou realidade. Quando o primeiro casal pecou, dizemos, assumiu uma natureza de pecador. Como ocorreu isso? Eles não ficaram maus por causa desse primeiro pecado, eles apenas se tornaram mortais e suscetíveis a serem maus, e sua mente procurou racionalizar o que ocorreu. Eles assumiram uma nova natureza, eles agora conheciam, se bem que pouco, do que é a vida em pecado. Eles estavam sentindo a primeira sensação desagradável da separação de DEUS, O Criador. E nessa situação, procuravam ardentemente uma explicação. Eles precisavam de um culpado. Adão achou fácil, sua mulher, e ela foi acusada. Aí se iniciou o primeiro desentendimento entre o casal, e começaram a ter a primeira experiência de desacordo entre eles. Não sabemos se Eva respondeu quando esse assunto foi tratado apenas entre os dois, mas deve ter-se sentido muito mal em ser acusada pelo seu próprio marido. Ela nunca havia passado por isso. E se hoje as mulheres, após seis mil anos de degeneração, assim como os homens, ainda são muito sensíveis, imagine-se então Eva recém saídas da forma da perfeição. Quanto essa amável criatura deve ter sofrido com o que Adão disse dela perante DEUS. Foi pelas palavras que o primeiro casal começou a desenvolver uma experiência para mentir, uma experiência para o mal. Eles agora estavam aprendendo a serem mentirosos. Foi satanás que lhes mostrou o caminho, mentindo para eles, e também mostrou como são terríveis as conseqüências de uma mentira.

Então chega a vez de Eva aprender a acusar. A acusação é parente da mentira. Ela disse que foi a serpente que a enganou. Ela, como Adão, se ainda fossem totalmente puros, teriam assumido cada um a sua parcela de responsabilidade, e não teriam dito mais nada. Mas, eis que pelas palavras procuraram uma forma de escusa, e pelas palavras eles foram aprendendo a serem maus. O que nós dizemos de mau afeta com maldade aos outros e afeta a nós mesmos, reforçando em nós essa tal maldade.

Sinceramente, não podemos saber o que Eva teria dito se ela fosse a primeira a ser indagada por DEUS. Talvez não acusasse o seu marido, talvez sim. Talvez ela dissesse que caiu, e se sentisse a única culpada. Talvez acusasse a serpente, ou talvez dissesse que o marido deveria estar mais perto dela. Não sabemos, mas um dia quero falar sobre esse assunto com ela. Depois que tudo tiver passado. (Antes quero crescer um pouco, porque aquela mulher é enorme.) Ao que parece, ela aprendeu do marido jogar a culpa adiante. Ele jogou a culpa sobre ela, e até mesmo sobre DEUS – foi a mulher que Tu me deste... Ela, por extensão disse: foi a serpente que me enganou.

Ora, analisemos esses fatos. Esse jogo de palavras foi um ensaio para serem mentirosos. Há aqui um fato curioso, poucos percebem. É a característica da primeira mentira. Da primeira vez em que mentimos, ela não nos parece uma mentira, mas mais parece uma explicação. É que só nos damos conta de ser uma mentira quando alguém outro desmascara tudo. Aí é que vem a vergonha, mas então a mentira já saiu, e a experiência em mentir já foi iniciada. Uma vez ocorrendo um precedente, a segunda mentira já fica mais difícil ser evitada. E quanto mais se mente, mais fácil para mentir, e mente se habitua, e a mentira torna-se inevitável. Adão e Eva apenas estavam querendo dar uma explicação a DEUS do que aconteceu. Uma explicação falsa, uma mentira. Aí eles se introduziram na prática da mentira, aprendida de satanás.

A longo da história da humanidade a mentira tornou-se uma prática comum. Ela tornou-se um recurso para obter-se de tudo, muitas vezes utilizada por alguns até para salvar almas mais facilmente. Hoje é uma prática muitíssimo comum. Ligue a televisão e analise, à luz da Bíblia o que ali é dito nos programas religiosos. Veja se combina com o que a Bíblia, que é a verdade, diz. É sabido que quanto mais para o fim, maio o uso da mentira, par todas as finalidades.

Os verdadeiros cristãos, no entanto, pelo contrário, devem ser partidários da verdade. Como diz em Ef. 4:15, 25 e 29, seguir a verdade em amor, isto é, sempre falar a verdade amando a todos. Essas duas coisas são inseparáveis, não há como mentir e amar as pessoas, ao mesmo tempo. Precisa o ser humano deixar a mentira, e falar somente o que edifica, ou seja, pronunciar a verdade de modo que ela realmente pareça verdade. Para isso, nosso testemunho deve confirmar que, sendo verdadeiros, sempre falamos a verdade.

 

 

  1. Crime e pensamento – quarta

 

O homem bom tira do bom tesouro coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro coisas más” (Mat. 12:35).

 

         O verso refere-se a um tesouro. Precisamos conhecer melhor o que é esse tesouro. Ele se encontra na mente, pois é de lá que vem as coisas boa e más, segundo o verso. Esse tesouro é o caráter.

         A mente humana foi criada por DEUS para desenvolver três tipos de inteligência. Isso podemos aprender da ciência moderna e, principalmente dos livros do Espírito de Profecia, em especial, “Mente, caráter e personalidade”, de E. G. Whitte, mais acentuadamente o volume um. Há a “inteligência racional”, ela desenvolve-se no nosso cérebro formando uma mente racional. Nela armazenamos o conhecimento científico e cultural, necessário para nossas atividades profissionais. Até há pouco tempo, pensava-se ser esta a inteligência principal do ser humano, pois com ela produzimos todas as coisas. Veja bem, toda a inteligência está associada a um conhecimento, pois inteligência é a capacidade de lidar com algum conhecimento. Nós somos inteligentes naquilo que conhecemos e que sabemos utilizar para os devidos fins.

         Recentemente a ciência compreendeu que não é só essa a inteligência que existe. Há uma outra inteligência, a emocional, mais importante que a racional. Essa inteligência é o desenvolvimento da capacidade de utilizarmos emoções de modo nobre e construtivo. A habilidade em fazer isso resulta em indivíduos emocionalmente equilibrados, capazes de conduzir suas emoções sob controle, para ações construtivas, não destrutivas. A inteligência emocional, portanto, está associada ao conhecimento das emoções, que dão cor e sabor à vida. Pela administração das emoções podemos tornar a vida agradável e muito produtiva, podemos obter qualidade de vida.

         Mas, estudando a Bíblia e os escritos de EGW, compreendemos que há mais um nível de inteligência. Parecem ser três os níveis da inteligência humana. O terceiro nível, superior aos anteriores, é a sabedoria, ou inteligência espiritual. Ela envolve-se com o conhecimento dos princípios. Essa inteligência associada-se a bons princípios, orienta as anteriores e seus respectivos conhecimentos, para ações pela vida, pela felicidade, pelo respeito entre os seres humanos, pela capacidade de construir, não de destruir. É essa inteligência que orienta a inteligência emocional a valer-se corretamente das emoções adequadas nos momentos críticos, de crise. É ela também que orienta a inteligência racional a construir pelo bem de todos. A antítese dessa inteligência é a astúcia, que não age pelo princípio elementar do amor, mas do ódio, sempre procurando orientar seu dono para o “eu”.

         Então, tudo no ser humano, em termos de pensamento, origina-se sob a supervisão de seu caráter. E o caráter é aquele tesouro de que trata o verso de Mat. 12:35. Os pensamentos são formados na mente com todo o tipo de informação que nela foi depositada, principalmente aquela que vem mais carregada por emoções, quer boas, quer más. Dependendo de como está constituído o caráter, os pensamentos evoluirão de modo diferente, com sabedoria ou com astúcia, ou seja, essa pessoa tirará de seu tesouro coisas boas ou coisas más. Serão coisas que ajudam o próximo ou que o prejudicam. Por isso é no caráter que DEUS que ensinar as Suas Leis, e é lá o seu devido lugar no ser humano. Então será pelo caráter que o ser humano estará ligado com DEUS, e por ele que DEUS dirigirá a vida da pessoa. Veja bem, DEUS não nos conduz como seres não racionais, mas como seres livres. Ele nos ensina os bons princípios, que se depositam na mente do caráter, ali formando sabedoria. E por essa sabedoria nós tomaremos nossas decisões, não DEUS. Porém, essas decisões estarão em perfeita coerência com a vontade de DEUS. É assim que Ele forma a Sua vontade e o seu querer em nós. Assim seremos livres, mas não rebeldes.

         Agora vêm um ponto crucial. Se o caráter é o instrumento mental pelo qual DEUS expressa a Sua vontade em seus filhos, Ele, evidentemente, precisa conhecer o que se passa nesse caráter, e precisa conhecer qual a repercussão que esse caráter produz no campo da inteligência emocional e da racional. Ou seja, DEUS precisa, e deve ter o direito de conhecer o que se passa em nossos pensamentos, pois é nesse âmbito que se realizam os atos de seu governo pelo Universo afora. Dizendo melhor, o governo de DEUS ocorre através dos seres inteligentes livres que colocam em prática, em coerência com a vontade de DEUS, os Seus planos estratégicos para os diversos lugares do Universo. Por exemplo, aqui na Terra, o plano estratégico de DEUS é salvar homens e mulheres para a vida eterna. E nós somos livres para colaborar nisso ou não, e se o quisermos fazer, deveremos conhecer os princípios divinos para contribuirmos com nossas ações, não para estorvar.

         Nesse sentido, o governo de DEUS se procede pelas mentes e pensamentos de todas as pessoas, seres racionais, que DEUS criou, e que estejam em conformidade com a Lei pela qual este governo funciona. É a vontade d’Ele se formando em nossas mentes, pela qual agiremos em íntima comunhão de pensamento e vontade como se fosse Ele a agir. Isso é maravilhoso. Portanto, veja bem que coisa impressionante, neste governo não existe nenhuma burocracia, ele é extremamente simples e funcional. Ele limita-se ao pensamento das pessoas, e por ser assim tão simples, pode tornar-se um gigantesco sistema de dimensões infinitas. Se o Universo não tiver limites de tamanho, isso não é dificuldade para que um sistema assim funcione, pois depende apenas das aplicação correta de um único princípio, o amor, e dois artigos legais, que são: amar a DEUS e amar o próximo como a si mesmo. Por esse único princípio as mentes dos seres inteligentes estarão perfeitamente ligadas à mente do Criador e Rei do Universo, e a harmonia estará garantida, embora sejam todos absolutamente livres, e a paz e a justiça também estarão garantidos. É hoje, para nós impossível imaginar como deve ser bom um sistema assim (ver Luc. 2:9).

         Mas, dizíamos, essa questão é delicada, ao menos parece ser. Pode-se admitir o Rei do Universo conhecer o que se passa nos pensamentos de todos os seres a Ele sujeitos? É fato que os governos da Terra não podem intrometer-se na intimidade de seus cidadãos. Hoje mesmo países aplicam sofisticada tecnologia para descobrir o que fazem seus cidadãos, para ver se estão se comportando bem ou não, e caçar terroristas, ou outros elementos inconvenientes. Essa invasão na vida particular das pessoas, praticada pelos governos, é altamente condenável, pois é perigosa. Esse governos podem assim perseguir, encarcerar e até eliminar pessoas por motivos diversos.

         E porque DEUS pode conhecer até nossos pensamentos? Esse ponto é preciso entender bem. O governo de DEUS é o governo do amor. Quando existe amor, não existem segredos. Quando duas pessoas se amam intensamente, um não esconde nada ao outro. E mais, quando as pessoas que se amam são corretas em seus pensamentos e atos, nada tem a esconder. Não há o que descobrir, pois tudo será revelado por amor.

         Esse é o contexto do Céu, no governo de DEUS. Nesse governo nós teremos prazer em saber que DEUS conhece todos os nossos pensamentos. Isso porque Ele é totalmente confiável – Ele é amor – e não tomará nenhuma medida prejudicial a nós em razão de nossos pensamentos. Se Ele fez o que fez na cruz, por nós, quanto a mim, jamais terei alguma restrição a que Ele conheça tudo o que se passa em meu íntimo. Mas não quero que satanás saiba o que penso, esse não.

         E ainda tem mais. Essa é uma das estratégias do governo de DEUS, pela qual esse governo se torna simples e funcional. Veja que bastam três seres para governar um Universo imenso, talvez infinito. Veja também que as leis nesse governo não precisam ser a todo tempo atualizadas. E o mais importante é que o bom DEUS, com Sua infinita capacidade, tem controle total de Seu governo. Por Ele ser amor, e ter essa capacidade, isso nos dá absoluta garantia de que esse é um sistema de governo estável, estruturado para durar eternamente.

         Tudo isso que foi acima escrito foi necessário para explicar a lógica da lição. E em um pequeno parágrafo ela se torna obvia. Se os pensamentos são assim tão importantes no governo de DEUS, podemos releva-los hoje, agora, a um segundo plano? Será que não é hora de, junto com nosso Criador, lutar para que eles sejam bem conduzidos? Será que não é urgente buscarmos sabedoria do alto para formarmos um bom tesouro de caráter? Ao menos essa providência é absolutamente necessária para sermos cidadãos desse reino. É o caráter a única bagagem que levaremos para a eternidade. O caráter bem desenvolvido pelo princípio do amor é necessário para sermos dia-a-dia transformados, e para sermos cidadãos do Rei do Universo.

         Você gostou de estudar o pensamento sob essa perspectiva? Importante, não acha? Que tal estudarmos esse assunto durante a eternidade? Se fosse só isso, já seria ótimo, excelente, mas tem muito mais lá, coisas boas das quais não fazemos idéia.

 

 

6.              Pesem nessas coisas” – quinta 

 

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama; se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filip. 4:8, NVI).

O pensamento e as palavras são ao mesmo tempo, as saídas e entradas da alma. O que pensamos de alguma forma, mais cedo ou mais tarde se traduz em palavras, e estas influenciam nossos semelhantes e a nós mesmos. Geralmente muito mais a nos mesmos que aos outros. Portanto, DEUS pode dizer assim: ‘diga-me o que você pensa, e dir-te-ei quem você é’. Nosso caráter é moldado ou formado, pelo que lemos, ouvimos, nos envolvemos, participamos ou praticamos, e em especial, pelos pensamentos que mais acariciamos. Aqueles pensamentos que acariciamos, que repetimos na mente, esses definem quais serão os princípios que terão valor em nosso caráter. Por sua vez, esses princípios determinarão novos pensamentos, e servirão para alimentar ainda mais aqueles que ajudaram a formá-los (os princípios). Com o tempo, o caráter se define e se reforça pelos pensamentos, formando na pessoa uma identidade. A pessoa é aquilo que pensa, pois esse é o meio mais poderoso para formar o caráter. Por exemplo, quanto mais uma pessoa pensa em vingar-se de outra, mais vai se fortalecendo o princípio da justiça pelas próprias mãos. Com o tempo, esse princípio domina a pessoa, e, se ocorrer de num momento de desentendimento com outro, o tal princípio dominará sua inteligência emocional, ela perderá o controle sobre seus pensamentos e atos, e vai praticar um ato de maldade.

O verso de hoje nos orienta a pensarmos no que é de natureza pura e elevada, construtiva, e que resulta em bem para todos. Esse é o segredo, pensar corretamente. E satanás sabe bem disso. Ele minou a televisão, as revistas, etc, com assuntos que levam as pessoas a pensamentos imundos, de vingança, de desrespeito para os bons princípios, de deboche, de sensualidade, de ódio... e assim ele domina a sociedade toda. Não é por ser membro de uma boa igreja que a pessoa está livre dos maus pensamentos. E é estratégia bem clara de satanás dominar os pensamentos de todos. Ele age principalmente no campo da sensualidade, da cobiça e da mentira, mas também em muitos outros campos, em tudo o que pode degenerar um modo de pensar.

Mas como proceder para cultivar bons pensamentos, se o ambiente em que vivemos nos sugere o tempo todo o contrário? A primeira providência óbvia é afastar-se do mal, ou seja, desligar a TV em todos os momentos perigosos. Em nossa casa ela só é ligada nos noticiários, e ainda ali, surgem comerciais etc. inconvenientes para quem deseja cultivar somente bons pensamentos. Ficam todos desafiados a assistir um programa pervertido sem terem maus pensamentos. Isso é impossível.

Para reforçar o que estamos dizendo, do baixo nível dos programas de TV (outras mídias não são melhores), anexamos um recorte de notícias de jornal.

“Uma lista negra contra a baixaria na TV - Comissão da Câmara vai pedir que programas de baixo nível mudem o conteúdo (...) Os programas de TV de baixo nível e seus patrocinadores receberão um apelo do Conselho de Acompanhamento da Mídia da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para mudar o conteúdo. Se mantiverem a fórmula, serão incluídos numa lista negra na página www.eticanatv.org.br, inaugurada ontem para conscientizar a população a mudar de canal quando as emissoras exibirem programas sensacionalistas com apelo sexual, brigas entre parentes e vizinhos, pegadinhas e exploração da miséria humana.

“O conselho, integrado por representantes da sociedade civil, reuniu-se ontem pela primeira vez para analisar pareceres preliminares sobre cinco programas de TV, apontados como os campeões de baixarias, segundo pesquisa realizada pela campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania. Os programas analisados foram os dos apresentadores Gugu Liberato e Carlos Massa (Ratinho), ambos do SBT; Fausto Silva (TV Globo); Sergio Malandro e João Kleber, da RedeTV.

“Os conselheiros identificaram que o telespectador é bombardeado por conteúdos de apelo à audiência e propagandas de uma série de produtos. Para a conselheira e psicanalista Ana Cristina Olmos-Fernandez, o Domingo Legal passa a mensagem de que "não existe fracasso que não possa ser superado pelo consumo". A conselheira diz que o discurso do apresentador Gugu Liberato às vezes sequer passa a idéia de que está vendendo um produto. Ele leva especialistas ou pessoas famosas que conseguiram "mais coisas na vida graças ao uso do produto".

“A conselheira Sônia Maria Guedes de Medeiros, professora universitária, identificou um grande espaço para merchandising no Programa do Faustão. Mas o apelo sexual e a valorização do corpo no programa do apresentador Fausto Silva são os principais alvos de crítica da conselheira. No concurso das mais belas pernas do verão, por exemplo, a câmera focava demoradamente da cintura aos pés. "Com este foco pela metade, o apelo sexual se exacerba."

“Na busca de audiência, os programas retratam situações e palavras com duplo sentido e exibem cenas constrangedoras que beiram a discriminação, comentaram os conselheiros. Entidades representativas de gays e lésbicas queixam-se do Eu Vi na TV, do apresentador do João Kleber. "Eles alimentam no inconsciente da população que todos os homossexuais são palhaços e estimulam a violência física e verbal contra os gays", diz o conselheiro e jornalista Welton Trindade.

“Pegadinhas - A conselheira e publicitária Rachel Moreno destaca a ridicularização do cidadão nas "pegadinhas" do Programa Sergio Malandro. "A mensagem é: vale tudo por cinco minutos de notoriedade."

“Para o conselheiro e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, o Programa do Ratinho transforma em espetáculo público assuntos privados e estimula a resolução de conflitos pela violência. (Fonte: http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/02/13/ger014.html)

“"Domingo Legal" é campeão de reclamações na Comissão de Direitos Humanos da Câmara (...) A coordenação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara divulgou nesta terça-feira, em Brasília, uma lista dos programas de televisão com o maior número de queixas e denúncias. A relação é encabeçada por "Domingo Legal", apresentado por Augusto Liberato no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). ...a comissão recebeu, entre 12 de fevereiro e 13 de abril, 157 reclamações contra o programa de Liberato. (...) Em segundo lugar, na lista dos piores, vem o apresentador dos programas "Canal Aberto" e "Eu vi na TV", João Kleber, da Rede TV, que havia liderado o primeiro ranking, em fevereiro. O terceiro lugar ficou com o "reality show" Big Brother, da rede Globo, seguido dos programas dos apresentadores Ratinho, Faustão e Sérgio Malandro e de "Hora da verdade", "Zorra Total", "Falando Francamente" e "Cidade Alerta". (fonte: http://cnn.com.br/2003/brasil/04/29/teve/index.html)

Ora, se até pessoas de fora da igreja que segue a Bíblia como única regra de fé, reconhecem o baixaria em que se encontra a TV, e recomenda que não se assista tais programas, quanto mais devem aqueles que desejam ser cidadãos do Reino celeste evitar tal lixo!

Mas evitar não é suficiente. Os milênios de maldade já se incorporaram em nossa natureza, e será necessário um poder superior ao humano, só pode consertar nosso caráter quem o criou. Por isso, muita oração é imprescindível. E a oração não pode ser esquecida justamente nos momentos mais críticos. Por exemplo, quando estamos num restaurante, a ali há apelos publicitários incoerentes com os princípios que devemos desenvolver, esse é momento de orar.

E, a prática de pedir perdão é importante como instrumento didático para abrandar e modificar o mau caráter. Ele propicia choques na mente, e ela se vê impressionada com erros cometidos, e assim muda. Isso sendo feito com o poder de DEUS, ocorre transformação.

A pessoa deve identificar seus pontos fracos. Para isso tem cérebro. Então deve lutar com DEUS para vence-los. É interessante escrever num papel, e batalhar em cima desses problemas de pensamento. Se puder contar com a ajuda solidária de familiares mais íntimos, naquilo que pode revelar, é muito bom.

Uma atmosfera de amor no lar ajuda muito a cultivar bons pensamentos e afastar os maus. Mas, se a TV continuar ligada nos canais errados, desista, porque nada vai mudar. Em primeiro lugar deve retirar da casa as entradas pelas quais satanás exerce o seu poder. Isso se estiver interessado em viver eternamente. Nem deveria orar pedindo favores de DEUS se as novelas e filmes de má influência estiverem presentes. Isso ofende a DEUS, e com razão, e Ele não vai atender o que for solicitado. Ou Ele poderia ser assim tão incoerente e colaborar junto com satanás?...

Para pensar em temas construtivos, é preciso desligar as fontes dos pensamentos destrutivos. Então sim, deve aproveitar os momentos adequados para a meditação. Na hora de adormecer, após acordar, nos momentos em que nada tem a fazer, esses são momentos para somente pensar, isto é, meditar. Nesses momentos, se for difícil, escreva num papel o assunto escolhido para manter sua mente nele ligado. Ai então lute para conseguir não sair dele. Vai acontecer de, quando perceber, já estar pensando noutra coisa. Não faz mal, retorne ao assunto escolhido. Um dos assuntos prediletos meus são as cenas do julgamento e da cruz. Tenho aprendido muito meditando horas neles. E cada vez sente-se mais prazer nesses assuntos. Pode escolher qualquer assunto bíblico. Com o tempo, sua mente terá um vigor e capacidade de dominar os pensamentos que você mesmo se surpreenderá. Na segunda ou terceira vez que praticar esse método já percebe resultados que lhe agradarão. Em alguns meses, verá notória diferença. Seu poder de aprender aumentará, e sua capacidade de perceber detalhes onde ninguém vê nada será uma realidade. Saiba que é DEUS que está ali, com o amigo, nessa luta por bons pensamentos. Um outro bom assunto para meditar é a viagem dos dois discípulos para Emaús, com JESUS. Também as bodas de Cana da Galiléia. Nesse último passei mais de uma semana pensando, como se estivesse ali. Interessante é que, nesses pensamentos, me via entendendo que JESUS devia livrar-nos do jugo romano... Fazia de conta que estava entre eles, como eles viviam e o que sabiam das profecias. Foi difícil imaginar, como sabemos hoje, que Ele veio para salvar a humanidade de satanás, não de César. Meditei isso em capítulos, e cada capítulo terminava onde pegava no sono...

Mais uma coisinha nesse assunto importante, por isso tão longo (perdoem-me). Deve encantar-se por assuntos bons e nobres. Isso está no campo do emocional. Tudo o que envolve emoções, que deixa de ser neutro nesse aspecto, atrai a mente. Isso funciona tanto para o bem quanto para o mal, tanto com emoções construtivas quanto destrutivas, e satanás sabe disso. Portanto, deve buscar associar seus pensamentos a emoções, caso contrário não conseguirá mante-los fixos num só assunto por mais de alguns minutos.

Como se faz isso? É errado tentar pensar num assunto se associar a ele um cenário. Por exemplo, se desejar meditar sobre as cenas da cruz, como antes nos referimos, como faz para que isso seja bem atraente? Há várias formas. Imagine-se sendo um dos discípulos e você, ali, vendo tudo. Torne a cena real para você, participe de seus pensamentos, como se estivesse acontecendo. Ou então, pode imaginar-se diante de um grande público, e fazendo uma apresentação do assunto. Fale com entusiasmo, e sinta a vibração de seu público imaginário. Seus pensamentos fluirão e você se emocionará com o que vai ouvir em seus próprios pensamentos. Pode fazer isso sentado, caminhando, deitado, etc. Mas cuidado, pode entusiasmar-se tanto pelas cenas do imaginário, um imaginário muito bom, que por vezes fará gestos, e expressará formas em seu rosto, ou até soltará algumas palavras. Essa é a fase de êxtase, ou seja, entusiasmo extremo pelo assunto. Você entrou nele, e o está vivendo como se fosse realidade. Isso é muito bom, mas se alguém o estiver observando vai ficar preocupado com isso. (A minha mulher agora já se acostumou com isso, é até engraçado.) Algum terceiro poderá dizer, esse sujeito é completamente maluco, fala sozinho... mas ele não pode perceber a rico cenário que você participa em seus pensamentos, e as fortes emoções que está experimentando. Pois bem, é assim que se pensam assuntos de elevada nobreza. Por ventura, não é exatamente assim que satanás leva as pessoas a pensar, diante da TV? Ele não cria cenas, as que ele quer, para que as pessoas fiquem fascinadas diante da telinha? Ele sabe o que faz!

Ou por outra, não foi da mesma forma que JESUS lançou mão para seus ouvintes. Ele não criava cenários, as parábolas, e assim fazia o povo pensar? E os líderes da época não estavam preocupados porque perdiam a cada dia mais audiência? Experimente isso, vai ser muito divertido, edificante e transformador. Saiba que junto estarão o seu anjo, o Espírito Santo, lhe ajudando nesses pensamentos.

Outras formas, ainda, para pensar são: pensar em conjunto, varias pessoas, numa conversa solta, numa roda de amigos, falando sobre um tema escolhido. Outra forma é escrever, dessa gosto muito. Outra forma para pensar é olhar fotos, pinturas, etc, e pensar a respeito, por algum tempo. O segredo é criar estímulos aos pensamentos que deseja cultivar. O critério para saber quais pensamentos, esse está no verso bíblico de hoje. Invente mais maneiras, torne-se bom nisso, peça ajuda do Criador, ore freqüentemente durante os seus pensamentos, seja criativo, mas liberte-se do lixo de satanás. Para reforçar seus pensamentos, ensine a outros o que sabe. Isso é excelente para aprender mais sobre qualquer tema. Só fazendo isso, vai ver o que é viver, uma vida bem melhor que até então. E, atenção, vai tornar-se muito inteligente, pode crer, isso funciona pela inteligência.

 

 

7.              Aplicação do estudo – sexta

 

Devemos aprender a falar boas palavras, que tornem a vida dos outros, principalmente dos que sofrem, melhor para ser suportada. Isso é servir o próximo, faz parte, é importante. Não existe maneira superior para adquirir ou desenvolver a habilidade de falar coisas positivas para os outros senão falando. Deixando para trás as palavras que degeneram, e falando coisas construtivas. Não é fácil proceder assim, mas pode-se ensaiar sempre que alguém necessite de uma palavra de conforto, de ânimo, de encorajamento, de uma força moral, de um incentivo.

Lembro-me de certa vez, há umas duas décadas, um jovem, intelectualmente não muito promissor, veio e perguntou se ele tinha capacidade para cursar medicina, e ser médico. Fiquei com dó dele, não era um rapaz brilhante, mas esforçado era muito. Custava a perceber as coisas, era um tanto lento. Naqueles tempos não se possuía muito conhecimento sobre como funciona o intelecto. Então, o conselho que dei a ele foi que ele era capaz, que deveria lutar muito para vencer, e venceria, e seria um brilhante profissional. Não sei como me saíram essas palavras, mas depois me doeu a consciência, parecia tê-lo enganado. Achava que deveria aconselhar alguma coisa menos difícil para ele. Hoje estou feliz, ele é um brilhante profissional. Ele se superou, passou a acreditar nele mesmo, lutou bravamente, e é dono de uma impressionante inteligência.

Há um outro caso, um rapaz cuja tese final do curso tive a oportunidade de orientar. Ele era, como é corrente entre os professores, ‘média baixa’, ou seja, pouco esforçado, e bem pouco promissor. Veio para me solicitar como orientador de sua monografia. Busquei formas de dizer não, mas, como de costume, disse sim. Pensei, mais um para curtir um pouco de sofrimento. Então ele decidiu realizar o seu estudo em ‘processos organizacionais’, um assunto bastante difícil, muito trabalhoso. Nesse ponto, fiquei realmente preocupado com ele. O seu perfil nada tinha a ver com algo que exigiria grande esforço. Tentei dissuadi-lo, mas ele estava decidido, e o pior, muito entusiasmado. Senti dó desse rapaz, e olhei-o de alto a baixo, e me senti comovido. Ali estava, na minha presença, alguém que desejava iniciar-se na vida profissional, queria uma oportunidade, mas não se esforçava para vencer. Senti-me impotente diante da situação. Dias depois, ele, mais animado ainda, veio com uma novidade que quase me derrubou, confesso que me senti mal. Disse que tinha ido ao hospital local, no qual sou um dos diretores, e falou ao administrador citando o meu nome, e as portas se abriram para fazer ali sua monografia (o curso de administração na UNIJUÍ exige que as monografias sejam realizadas numa empresa). Pensei, como ficará minha imagem após uma nulidade dessas fazer um estudo científico na instituição que ajudo a dirigir? Mas o entusiasmo dele não parou aí, disse que o administrador mostrara interesse nessa tecnologia, e destacou uma moça para acompanha-lo e aprender tudo o que pudesse. Nesse momento deu-me vontade de pedir carona para outro planeta. Podem imaginar minha situação, em segundos me passou pela mente, alguns meses depois, a vergonha de um fracasso, um aluno que mostrou o quanto o seu mestre era fraco. Me senti realmente muito mal, e o suor tomou conta de meu corpo. Mas fui em frente, e aceitei, pois o entusiasmo dele era acima de qualquer possibilidade de dissuasão. Eu achava que esse moço deveria realizar seu trabalho em alguma micro-empresa, num assunto bem fácil.

Pois, o que aconteceu? A moça que foi designada para aprender os estudos que ele ali faria era bonita, e muito simpática. E o que não faz uma mulher, como elas tem poder! O rapaz, apesar de relapso, era de boa índole, um típico cristão, nem frio nem quente, não fazia mal a ninguém, mas também não contribuía em nada. Diante da situação, ele passou a agir. Na tentativa de dissuadi-lo, recomendei que lesse farta bibliografia, e ele leu tudo. Pediu licença do emprego por alguns meses, e estudou como nunca. Tinha que ensinar bem aquela moça... Em poucos meses terminou seu trabalho, e obteve nota máxima, com louvor. Depois fez algumas palestras sobre o assunto, inclusive num curso de grau superior ao que havia feito. E por seu trabalho o hospital mudou algumas rotinas que se mostraram incorretas. Aprendi uma coisa com esse moço: nunca subestime uma pessoa, ela pode muito mais do que demonstra ser capaz. Nesse caso, devo agradecer a tal moça que ajudou em muito o meu trabalho de orientador. Ela contribuiu com a parte do incentivo, e a mim coube a orientação científica. Foi mais fácil que antes parecia. Esta errado aquele pensamento que diz assim: “De onde menos se espera, daí que não sai nada mesmo”.

Há outras histórias maravilhosas do poder positivo das palavras. Certa vez JESUS disse algo que mudou a vida de uma mulher que aparentemente não tinha mais solução. Era uma prostituta, da qual os ‘bons’ cidadãos se aproveitavam para uma aventura extra. Ela não valia nada mesmo, pensavam, enquanto estivesse a disposição, se aproveitariam dela. E, quem dera, um dia desses, promover um apedrejamento para melhorar a reputação deles entre o povo? Era uma mulher descartável, sua vida não valia nada, nem para ela – assim pensavam - nem para os demais, mas para JESUS valia muito, Ele vê o coração, não apenas o exterior.

Essa era uma mulher que há tempos queria sair da vida em que caíra. Muitas moças caem na prostituição por causa de algum homem mal intencionado que deseja aproveitar-se dela temporariamente, e depois sentir o prazer sádico de ver seu sensível coração sofrer. Quanto mais nos aproximarmos do fim, maior é a satisfação das pessoas em ver outros sofrendo, causa-lhes uma sensação agradável de prazer. A mesma sensação sente satanás quando alguém se dá mal, principalmente quando cai em desgraça.

A moça nunca tivera um incentivo para mudar de vida, pelo contrário, os homens aproveitavam-se dela, e ainda falavam mal. Ela acusada de dia, mas de noite, lá estavam eles, reforçando nela a sua condição de pecadores irremediáveis. Mas como uma pobre criatura nessas condições pode sair do profundo buraco moral em que caiu? E a pobre criatura nem percebe que os que dela se aproveitam não são melhores. Aliás, mais desgraçado moralmente é aquele que faz de conta que é puro e correto, que esconde sua condição da vista dos homens. Há muitos assim, até que pregam muito bem.

Então, no momento do apedrejamento, nos seus últimos minutos de vida, em que nada mais lhe restava fazer senão chorar pela sua desgraça, em que curtia com dor a vida jogada fora, em que o arrependimento embora tão grande, parecia ter vindo tarde demais, pois em poucos minutos sentiria a terrível dor das pesadas pedras. Como seria aquela que lhe acertasse a cabeça, e quebrasse o seu crânio? E ela, coitada, que tantas vezes se apaixonara por algum daqueles homens, mas nada de retribuição, apenas gozo sádico e artificial, como se ela fosse um objeto sem coração, sem emoções nem sentimentos. Ali estavam alguns daqueles homens, agora com pedras a disposição. E ela estava diante do Rei do Universo, disso ela tinha plena consciência, era um homem tão puro que ela não ousava levantar a cabeça e fitar-lhe o rosto. Quanta vergonha pela humilhação que estava passando, justamente nos últimos momentos de sua vida. Esse sim, era um homem de verdade, mas totalmente fora das cogitações de algum favor para ela. Se aqueles outros a condenavam, imagine esse JESUS, moralmente irrepreensível. Que vergonha estar diante de alguém assim.

O que ela poderia fazer? Palavras para esse momento não possuía. Em sua vida, só aprendera e repetira palavras de baixo valor, moralmente maliciosas, que ali, diante do santo homem, jamais ousaria pronunciar. As poucas palavras elegantes que conhecia desapareceram. Só os sentimentos que não lhe fugiam, pois era um ser humano, e o choro lhe era inevitável. Nada mais poderia fazer diante daquele que era nada menos que o seu Criador. Vergonha, dor e pranto, a espera das pedras em seu corpo maltratado. E ela ouvia as acusações daqueles que tinham sido sua esperança.

Mas, aos poucos tudo ficou em silêncio, ela não podia ver, tantas eram as lágrimas, mas cessaram as acusações. Os acusadores também se deram conta que estavam diante de um homem puro, superior a eles, e foram embora. Então, em meio aos prantos incontroláveis, na terrível expectativa da morte, ela houve uma voz meiga e doce, com palavras que jamais imaginara serem dirigidas a ela: “Moça, ninguém te condenou?” Sem levantar os olhos por causa da vergonha, com medo e em prantos, apenas disse o óbvio: “ninguém Senhor”. Então ela ouve palavras ainda melhores que as anteriores, que em instantes, poucos segundos curam tudo de mau que em sua vida havia acumulado: “Eu também não te condeno, vai e não peques mais.” Junto com as palavras, sentiu uma forte mão que cuidadosamente lhe ajudou a uma posição de dignidade. Ali estava agora uma cidadã do reino dos Céus, uma mulher digna, recém perdoada, diante de um homem de verdade, que, em vez de aproveitar-se dela, ao contrário, em alguns dias iria morrer por ela. Da expectativa da morte, num instante, para a esperança segura da vida eterna; da situação de desgraça sem saída para a luz do dia, sem nenhuma acusação sobre sua consciência.

Poucas palavras, bem poucas até, mas corretas, bem escolhidas e no tom certo. Uma pequena ajuda com as mãos, e uma vida inteiramente transformada. Isso é que são palavras, palavras com o toque de um Mestre!

 

 

 

escrito entre: 06/05/2003 a 09/05/2003

revisado em 29/05/2003