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Estudo nº 10 – Por que perdoar?

Semana de  31 de maio a 07 de junho

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

  

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

Por que perdoar?

 

         Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

1.       Introdução – sábado à tarde

 

Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou.”  (Col. 3:13, NVI).

         Este estudo tem por foco ‘como perdoar os outros’. Isso é essencial para termos condição de vida entre nós, que sem exceção nos ofendemos porque somos falhos. Se não quisermos perdoar, então não devemos nós mesmos transgredir nenhuma lei, nem a de DEUS, nem as dos homens, ainda assim não teríamos o direito de negar o perdão, uma vez que a sua provisão foi obtida na cruz. Todo o perdão, quer o de DEUS, quer o que nós devemos conceder, tem seu fundamento na cruz. Portanto, nós mesmos nada podemos negar, pois o preço final das conseqüências de todos os pecados não somos nós que pagamos se concedemos perdão. Como posso negar algo que outro pagou?

         Analisemos um pouco o verso acima. Está em três partes.

a)       Suportem uns aos outros” – É assim que devemos viver. Não há quem não ofenda, não há quem não peque, aqui ninguém é infalível. Também não vai acontecer de alguém nunca ser ofendido. Portanto, ou aprendemos a conviver com essa situação sem degenera-la de vez, ou nunca estaremos aptos a sermos seres sociais. É preciso saber que suportar as falhas de nossos semelhantes, e nisso não estamos fazendo nada demais, pois eles também precisam nos suportar.

b)       Perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros.” – Ora, suportar envolve perdoar, como o verso bem sugere. Para vivermos em harmonia uns com os outros, a cada vez que algo ofensivo acontecer, a situação precisa ser resolvida pelo perdão, ou não haverá maneira de manter a sociabilidade nem a civilização, pois iremos nos maltratar uns aos outros até a morte. Suportar-nos mutuamente requer perdoar-nos mutuamente.

c)       Perdoem como o Senhor os perdoou.” – Aí está o exemplo: o Senhor. Ele nunca ofendeu a ninguém, mas foi o primeiro a perdoar. Não o fez para obter algo em troca, mas por amor. Antes que pecássemos, Ele já estava decidido a nos perdoar. E o perdão dele é, digamos assim, o ‘perdão dos perdões’. Se não fosse o perdão de JESUS, nenhum outro perdão seria válido. Como acima expusemos, sempre que perdoamos, o valor do preço da culpa que deixou de pesar sobre quem foi perdoado foi provisionado por JESUS em Sua morte na cruz.

Aí está a ciência do amor. A solução para todos os problemas. A receita da vida feliz e eterna. Vivermos entre nós com humildade e sabedoria, portanto, por intermédio do sistema do perdão, suportando cada um as incoerências das falhas dos outros. Isso também é ser sábio.

  

2.        O fator perdão – domingo

 

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como DEUS os perdoou em CRISTO (Efésios 4:32. NVI)

Necessitamos conhecer melhor a ciência do perdão, vamos dizer assim, a teoria e a prática do perdão. Não pode haver perdão sem que o mal feito seja de alguma forma pago. Ou seja, não há perdão legítimo sem que também haja justiça. Perdão sem o ressarcimento do prejuízo, seja moral, seja material, é impunidade, é burla da lei, quer dos homens, quer de DEUS. Portanto, em nosso pequeno estudo sobre o perdão, assumiremos como devendo envolver também os requisitos da lei, para que haja justiça. Não podemos jamais admitir um governo ou um reino em que vez por outra a justiça é deixada de lado, para simplesmente dar livre trânsito ao perdão.

Mas, para complicar os pensamentos dos leitores, caso o mal que cometemos, como podemos perdoar se as conseqüências do mesmo não podem mais ser corrigidas? Por exemplo, num caso de assassinato, como podemos perdoar o assassino se ele não é capaz de devolver a vida de quem matou? Ele não consegue nem mesmo dar a sua vida pela vida da outra pessoa. Ou se o prejuízo financeiro foi tão grande que se tornou impagável? Ou se resultou em separação de um casal, e destruiu uma família? São muitos os males cometidos cujos efeitos não podemos fazer nada para repor. Como podemos conciliar a necessidade de justiça e perdão? Parece que devemos ser injustos para podermos perdoar. Mas não é assim.

Reafirmamos, todo perdão só é legítimo se não fere a lei que reclama por justiça. Não pode haver impunidade, disso o mundo de satanás está cheio, mas é inadmissível no reino perfeito de DEUS. E nós somos incapazes de resolver esse impasse. Nós somos muito bons em criar os problemas, mas não em soluciona-los para que não restem conseqüências.

Ora, não podemos nessa reflexão esquecer da cruz. Aqui está a solução para o aparente impasse. Na cruz todo preço necessário a ser pago por todo mal que foi, que está e que ainda será feito (até o fechamento da porta da graça) foi depositado por JESUS o Salvador.

Como assim? E aquela pessoa assassinada, que nunca mais voltará à vida, e talvez tenha perdido a vida eterna por isso? E aquele patrimônio perdido para sempre? E aquela família desfeita para sempre?

Por incrível que pareça, para tudo isso, o seu custo foi pago por JESUS. Veja bem, aquela pessoa assassinada que perdeu a sua vida, foi atingida por tremenda injustiça. Supondo que ela não estivesse preparada para a morte, e supondo que mais tarde viesse a se preparar, e assim obter a vida eterna. Ora, por causa da morte súbita, isso lhe foi negado. Como tal custo pode ser pago?

Focalizemos pelo lado da culpa do assassino. Ele, por isso, merece sofrer muito e depois morrer. Isso é o que diz a Lei de DEUS. Pois, JESUS sofreu tudo o que essa pessoa deve sofrer, e também morreu em seu lugar. Mas e os familiares que ficaram sem aquele querido que perderam? Se esses familiares se converterem, serão salvos, e o pequeno tempo de dor pela perda na terra se converterá em uma eternidade de felicidade no reino de DEUS. E ainda poderão ter a ventura de serem amigos para sempre do assassino, se ele se converteu depois. E o que foi assassinado, e perdeu a vida eterna nesse episódio? O seu julgamento será de acordo com a sua oportunidade, tanto a que ele teve, quanto a que perdeu sem culpa sua. A tremenda injustiça a que foi jogado é que causou tão grande sofrimento em JESUS lá na cruz, justamente para que a outra pessoa que o matou pudesse, se quiser, ser salva. Quanto ao morto, receberá a sua recompensa ou sentença conforme um complexo sistema de influências e escolhas que só DEUS é capaz de avaliar. Ele tombou numa guerra injusta, cuja maior vítima foi o justo Salvador. Mas, a rigor, nem ele será injustiçado. Mesmo perdendo a vida eterna de forma trágica, não pagará por nada do que fez de mau sem sber que aquilo era mau. Portanto, quando os parentes do morto perdoarem o assassino, o estarão fazendo mediante o preço pago por JESUS na cruz. Ali houve sofrimento e dor de tal tamanho que é suficiente para pagar por tudo o que os humanos deveriam sofrer e morrer. Portanto, todo o perdão concedido, quer pelos homens quer por DEUS, tem seu pagamento suprido na cruz. Não fosse assim, o perdão seria um ato de concessão para a desobediência. Ou seja, podem desobedecer que nós os perdoamos, e não vai custar nada.

Em casos de danos materiais, a situação do perdão é muito mais fácil. O patrimônio perdido será mais que restituído aos que herdarem a vida eterna.

Todo pecado é um ato de injustiça, e todo perdão concedido é um ato que se vale do depósito gerado na cruz para ser um ato legal, sem que se incorra no risco de incentivar a impunidade e a libertinagem, nem que assim se crie uma terra sem lei, ou onde a lei não tenha valor. Não é assim. JESUS sofreu demais para não ser assim. Ele pagou muito caro para que a humanidade pudesse ser livre das injustiças que com nossos maus atos provocamos.

É como diz a lição desse dia. Assim como DEUS perdoou a Adão e Eva, muito tempo antes de ter JESUS pago pelos seus atos na cruz, do mesmo modo, também nós devemos perdoar antes de termos restituído nossas perdas. Elas nos serão devolvidas, pela devida forma, quando JESUS voltar pela segunda vez. Nesse dia em diante quem perdeu patrimônio, não vai mais sentir falta dele, então terá em tal abundância que nem vai mais lembrar. Quem perdeu queridos em ações de violência, se esses queridos estiverem salvos, os terá de volta. Se eles não se salvaram, a injustiça terá caído sobre JESUS, e Ele sofreu sem ver o resultado de Seu sofrimento para esse caso específico, ou seja, o prejudicado de fato foi JESUS. Satanás, no final do milênio, pagará por sua parte do mal que fez acontecer. É necessário perceber que não é o perdão que torna as coisas injustas, mas o pecado. O perdão é a concessão como que de um título de ‘não devedor’ porque houve um Salvador que já fez um depósito antecipado para ressarcir o mal cometido.

Esse é um daqueles assuntos no qual nos aprofundaremos durante a eternidade. Ele está intimamente associado ao amor. O amor é capaz de conciliar a justiça com a misericórdia. A cruz, assunto que entendemos tão fracamente, permitiu que pudesse haver perdão sem que a Lei fosse ferida, uma vez que tudo nela foi pago por JESUS. Portanto, aproveitemos, não para pecar, mas para perdoar, para que o preço pago por JESUS, ao menos nesses casos, não tenha sido em vão. Ele sofreu do mesmo jeito, quer perdoemos, quer não. Então, ao menos perdoemos e sejamos perdoados, ao menos sejamos gratos a JESUS, e tomemos do depósito da cruz para perdoar tudo o que nos fizerem de mal. O resultado disso será vidas salvas para a eternidade. Isso não é algo bom? É muito bom. Foi provido pelo amor, não pela lei. E o amor é a lei. Que coisa impressionante e profunda.

 

 3.        Por que perdoar? – segunda

 

Estudemos os versos de contexto do perdão, para então entrarmos na questão acima posta. Mateus 6:14 diz que ‘se perdoarmos, também seremos perdoados’ por nosso Pai celestial. Isso significa que todos devem perdoar uns aos outros. É lógico esse procedimento. Todos os que querem estar livres de culpa, devem libertar os outros de suas culpas, no que lhes compete. É uma corrente de libertadores: assim como DEUS nos libertou do que Lhe devemos, cabe-nos libertar aqueles que nos devem. Não é negociação de perdões e de culpas, mas porque devemos ajudar assim como somos ajudados por DEUS, devemos amar como somos amados por DEUS, devemos fazer aos outros o bem que deles esperamos. Aqueles que apenas pagam com a mesma moeda, estes estão a contribuir com o princípio da desavença, da guerra e da morte.

Marcos 11:25 diz que quando estivermos orando, e durante a oração lembrarmos que temos algo contra outra pessoa, de imediato devemos ali assumir uma atitude de perdão, e perdoar, se nós formos a parte ofendida, ou pedir perdão a DEUS, se nós ofendemos. Evidentemente, caso tenhamos perdoado alguém, essa pessoa deve ficar sabendo disso. Devemos ir até ela, e com diplomacia, propor reconciliação. E se nós tivermos ofendido, cabe-nos também ir até ela e pedir perdão. A ciência do perdão nos diz que somos nós que devemos tomar a iniciativa. Isso é dito a todos, portanto, se todos seguirem essa regra, desavenças e problemas entre os seres humanos durariam sempre bem pouco tempo. Em todos esses casos, ao menos duas pessoas, a que ofendeu e a ofendida, estariam indo, uma em direção a outra, propor a reconciliação. Isso que é sabedoria, algo que vem do alto.

Em Lucas 17:3 diz que se um irmão pecar contra nós, devemos ir até ele e aconselha-lo, ou repreendê-lo se for o caso, e se ele se arrepender, perdoa-lo de imediato. A repreensão é algo muito difícil de fazer. Nós, seres humanos, afetados pelo pecado, acumulamos muitas experiências de ódio. Nos tornamos muito desajeitados para o uso da diplomacia. Portanto, devemos ter cuidado ao fazermos a tal repreensão. Não se refere a um bate-boca para mostrar que o outro está errado, mas a um contato de amor, convidando-o à volta da amizade. Pode-se mencionar o desejo de perdão mútuo, já que é bem raro apenas uma parte cometer um erro. Por outro lado, se ele não aceitar a reconciliação, e tipos assim são cada vez mais numerosos nesses últimos dias, então perdoar mesmo assim. Ao menos você estará apto a receber perdão de DEUS. É, nesses casos, importante destacar ao outro que o amamos e nada temos contra ele.

Em Lucas 23:34 encontra-se a emocionante expressão dita por JESUS quando todos o abandonaram, e estava sofrendo a pior de todas as dores, física e espiritual. Nesse momento estavam introduzindo os pregos em sua carne. Ele em vez de reclamar da sua sorte, disse perante os homens, perante os anjos e perante o Universo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Esse é o espírito do verdadeiro cristão: o perdão sem que tenha sido pedido, sem mesmo que tenha havido a consciência da sua necessidade por parte do pecador.

Em Colossenses 3:13 está a orientação mais sábia para o convívio entre pecadores. Parte do pressuposto verdadeiro que entre pecadores sempre vai haver ofensas, e que não existe um que não vá ofender um outro. Portanto, temos três opções: (1) Nos separarmos uns dos outros caso não queiramos nos suportar mutuamente, e assim não brigaremos. Isso requer viver distante uns dos outros, para que não briguemos. Tal procedimento é impossível. (2) Vivermos, como a maioria das pessoas do planeta vive, sempre brigando, se desaforando um ao outro, e indo até a guerra. Essa opção até prova que fomos criados para sermos seres sociais, e viveremos próximos uns dos outros, mesmo que lutando uns com os outros, mas é uma opção estúpida. (3) A outra estratégia é nos suportarmos mutuamente pelo procedimento do perdão. A cada ofensa, se nos perdoarmos, poderemos viver socialmente num nível muito superior ao que resulta da ausência do perdão.

Vamos agora, em poucas palavras, tentar responder a relevante pergunta da lição: ‘por que perdoar?’Qual o grande motivo para perdoarmos? Ora, isso é muito fácil responder: porque somos seres sociais. DEUS nos criou para convivermos uns com os outros, e felizes. O Seu projeto inicial era para viermos eternamente juntos. Hoje, devido ao pecado, morremos, mas a promessa é a de retornarmos à vida eterna, se buscarmos o perdão, e se nos adequarmos às condições necessárias para uma sociabilidade harmoniosa. Nós fomos criados para vivermos bem uns com os outros. Isso se chama intimidade. A nossa felicidade depende dessa intimidade. Ou, aprofundando, Ele nos criou para que nos amássemos mutuamente, e nisso reside a felicidade. A intimidade, condição para a existência do amor, requer que tudo esteja bem entre as pessoas. Portanto, havendo alguma irregularidade, ela deve ser o quanto antes reparada. E o reparo é feito pelo perdão, que recoloca todas as coisas outra vez em seus devidos lugares, ou seja, que restabelece o respeito entre as pessoas, em que elas se amam mutuamente outra vez. Haveria um motivo mais óbvio para nos perdoarmos mutuamente?

Percebamos mais algumas coisas interessantes relacionadas a por que perdoar. É para respeitar a Lei de DEUS, os Dez Mandamentos. E por esse raciocínio retornamos ao ponto anterior. Essa é a Lei do amor, ou seja, pela qual nos tornamos semelhantes ao que nos criou. DEUS é amor, e se nos perdoarmos mutuamente, criaremos condições para que nos amemos cada vez mais, e assim vivamos felizes porque não temos inimigos. Conhece uma terapia de vida melhor que essa? E conhece algo mais simples que o perdão para viver feliz? Não é incrivelmente fácil o que DEUS propõe? Force a sua inteligência ao máximo, e tente encontrar algum defeito na ciência do perdão. Não é para combate-lo, mas esse é um exercício recomendável. Vai constatar que o perdão é algo perfeito, um procedimento que vem da divindade. Ora, perdoe, e seja muito mais feliz, tenha muitos amigos, viva de bem com todos, ame a todos, até mesmo aqueles que o odeiam (quem sabe eles se tocam, e mudam), viva bem em sua família, viva bem em sua comunidade, viva bem em sua igreja, sim, seja feliz, muito feliz. Para isso, basta saber perdoar sempre.

  

4.        Como perdoar – Terça

 

No estudo de domingo, nos desviamos um pouco de uma questão crucial: o perdão é ou não é um procedimento que envolve injustiça? O comentário da lição diz que sim. Nós dissemos que o perdão que nós damos não envolve injustiça. Onde se encontra a explicação. Há conflito aqui?

Não, não há conflito. Para haver perdão, ou seja, para haver misericórdia, precisa haver injustiça. Não existe maneira de atender a Lei para resolver a situação de alguém que a transgrediu, senão pelo caminho da injustiça. E não estamos desdizendo o que afirmávamos no domingo, mas completando. A injustiça da qual estamos falando, quando perdoamos, não é sobre nós. No máximo, o que perdemos ao perdoar, é algo temporário, mas, mais tarde, quando JESUS voltar, quando a verdadeira justiça for feita, então teremos a recompensa por termos perdoado. Não que o mereçamos, mas porque aceitamos o amor de JESUS.

Até para nós podermos perdoar sem perder nada, senão temporariamente – veja que aos justos nunca lhes faltará o pão, DEUS compensa o necessário se formos injustiçados pelos homens – deve ter havido alguma injustiça temporária. Mas, como podemos nós reclamar das injustiças, se também as provocamos? Qual a nossa força moral para nos queixarmos de perdas porque outro fez mal contra nós, se nós, noutro momento, fizemos algo parecido?

O ponto é, para haver perdão, deve haver injustiça. A Lei requer que o transgressor seja morto, como então livra-lo da morte se a Lei não contém nenhuma cláusula de como o livrar? Aqui que entra JESUS e a cruz. A injustiça para que pudesse haver o perdão ocorreu sobre JESUS na cruz. veja em itens:

a)         JESUS nunca cometeu pecado nenhum, Ele sim é que pode reclamar de injustiça, se o quisesse;

b)        Foi julgado e condenado injustamente;

c)         Foi zombado e humilhado injustamente;

d)        Foi executado (morto) injustamente;

e)         Foi tratado como o pior de todos os pecadores, o somatório de todos os pecados, injustamente – foi injusto o que JESUS teve que suportar;

f)          Ainda assim, a todos perdoou, por causa da carga injusta que Ele carregou. Isso é injustiça, quando um puro tem que pagar por outro impuro. Aí está a injustiça que nos permite perdoar, sem, a longo prazo, perder nada. Isso se chama graça.

Então, agora vem a pergunta: Como perdoar? A questão assim posta agora torna-se óbvia. O que temos a fazer é ‘ligar’ a nossa atitude de perdão à de JESUS. Ou seja, bem assim como Ele perdoou – tendo para isso sofrido a verdadeira injustiça para viabilizar a graça – assim, nós também, respaldados na graça, devemos estender o perdão adiante. É como uma corrente, se nós já fomos perdoados por JESUS, e se Ele já pagou injustamente o que devem a nós, e o que nós devemos aos outros, o que nos falta para perdoar? A saúde que perdi por causa de o pecado de outro, vai ser restabelecida; a felicidade que perdi por causa do pecado de outro, será restabelecida, enfim, tudo o que perdi, será restabelecido, não na mesma proporção, mas infinitamente mais. Por que então não perdoar? O que ganho em não dar perdão? Absolutamente nada, mas perco muito, demais. E o que perco em dar o perdão? Nada, mas ganho muito, uma das coisas que posso ganhar é a vida eterna com felicidade, e isso já é o suficiente – mas não fica só nisso.

Então, como se deve perdoar? Muito fácil, assim como JESUS perdoou, sem perguntar se quer ou não quer o perdão. Depois a pessoa pensa se vai ou não vai aceitar o perdão. Assim é conosco, estamos perdoados, mas depende de nós o aceitarmos para que o perdão disponível, com tudo pago, seja completo.

  

5.        Perdoar nossos inimigos - quarta

 

Pedro não perguntou, mas a questão está presente em todas as mentes: devemos perdoar aos nossos inimigos? Até mesmo os piores, aqueles que foram sanguinários, que arruinaram nossa carreira, ou nossa família? Até onde vai o perdão? Há limite, além do qual, não é necessário perdoar?

JESUS, O Mestre ensinou, assim como praticou. Em Mateus 5:44 relata: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” Aqui está o limite do perdão, ou seja, todos devem ser perdoados. Como nós somos incapazes de ler o coração, não nos compete não perdoar se a pessoa incorreu no pecado contra o Espírito Santo, ou seja, se a pessoa não se arrepende. Por via das dúvidas, a nós compete perdoar sempre, sob risco de incorrermos em grave erro, e de acontecer de nós mesmos não sermos perdoados, enquanto o outro já foi perdoado por DEUS. Isso devemos fazer mesmo que nos tenha feito algo mau, e não importa se é amigo ou inimigo, não importa nem mesmo o tamanho do mal que nos fez. A sabedoria é a seguinte: que tal se esse inimigo, pelo nosso perdão, se torna em amigo, e venha a viver conosco, em plena felicidade, na eternidade? Quem somos nós para impedir tal possibilidade? Não seria essa uma impressionante conquista? Não é isso uma devastadora derrota ao verdadeiro inimigo, satanás? Mas, se por falta de perdão, ele se perder, e evidentemente nós também nos perderemos, não é isso uma vitória para satanás? O que então ganhamos com isso, sendo rígidos com os que nos ofenderam? Não só ganhamos nada como perdemos tudo. Isso é ser sábio? Pelo contrário, é uma devastadora estupidez, com conseqüências desastrosas eternas para nós e talvez para muitos outros!

Não é olho por olho, nem dente por dente. O Mestre ensinou que não devemos resistir ao perverso, isto é, não devemos discutir com ele, provando que nós é que estamos certos. Veja, se ele é perverso, isso por si já denuncia que é mau caráter por natureza. Muda alguma coisa provar que ele está errado? Pelo contrário, isto reforça o seu ódio por nós, e torna-lo-á em inimigo ainda maior.

Se o perverso te der um tapa num lado, volta-lhe também o outro lado. O que O Mestre quis dizer com isso? Não retribua com a mesma moeda, ou seja, não devolva com outra tapa nela, porque isso não para assim. Disso resulta uma briga que pode terminar em tragédia. E se ele ver a sua calma, poderá até ficar envergonhado do que fez. E se não ficar, o que você ganha brigando com alguém tão mau que já se tornou completamente insensível, incapaz de reprimir seu humor? Outra vez, só vai perder.

Se ele te tirar a túnica, disponha a dar-lhe também a capa. Não é isso o que orienta a polícia, quando te roubam o carro, o seja lá o que for? Eles dizem, não resista, dê a eles o que pedem, mas saia com vida. Perca tudo, mas não perca o que é irrecuperável, a sua vida. Naquele tempo JESUS já dizia isso, hoje é algo muito necessário estrategicamente para sobreviver. Há ou não há sabedoria nas palavras de JESUS? Até a polícia, para a nossa segurança, as recomenda!

Se ele te fizer andar uma milha, vai com ele a segunda milha. Ou seja, surpreenda-o com algo positivo. Não é o que hoje diz a qualidade total? Faça algo mais para agradar o cliente. Ora, biblicamente ele não deve ser visto como teu inimigo, mas um ‘cliente’, ou seja, um possível candidato para o reino de DEUS. Quem sabe na segunda milha dê tempo para uma conversa amistosa, e para o início de um relacionamento que vá resultar na conversão dele? Não custa tentar! Se o conseguir, quem foi o ganhador? Ele ou você? De novo, há sabedoria nessas palavras!

Dê o que te pedem, disse JESUS. É uma estratégia muito sábia. Por um lado, nos libertamos da ganância, por outro, cultivamos amizade. Pode-se com isso atrair pessoas para melhor conhecerem nosso Mestre.

Para nesses dias de estresse, de tensão, de fortes emoções negativas, de insegurança, de medo, etc, uma boa terapia é amar os inimigos, fazendo algo por eles. Isso faz um bem tremendo, e produz uma paz interior incrível. É fácil estar de bem com aqueles que nos querem bem, mas é algo muito positivo e salutar estar de bem com aqueles que nos querem mal. Isso é uma atitude superior. Quem assim procede não fica remoendo mágoas em seus pensamentos. Faz bem a nós e pode até resultar na solução de alguns problemas de relacionamento que de outra forma jamais se resolveriam. Pode, muito bem aliviar as nossas tensões, ampliar nosso círculo de amizade e criar condições para mais pessoas alcançarem a salvação. Há algo de errado com isso? Faz parte da ciência do perdão, que, convenhamos, resolve tudo. Se o mundo está cada vez mais violento, é porque essa ciência é desconhecidas por muitos.

 

 6.        Perdão e justiça civil – quinta

 

Sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem.” (I Ped. 2:13 e 14, NVI).

         Essa é uma ordem questionada por muitos, pois há autoridades que são injustas, outras autoritárias, outras corruptas e até imorais. Vamos em síntese examinar esse assunto do ponto de vista bíblico, em tópicos.

a)       Toda autoridade é uma delegação de DEUS, isto é, administra em nome de DEUS. Se essa autoridade não corresponde ao que DEUS dela deseja, não será por isso que as pessoas a ela sujeitas também devem ser tais como ela é. Toda autoridade deve corresponder em coerência aos princípios do governo de DEUS. Ela faz parte desse governo, por delegação de poder. Nenhuma autoridade nem poder vem de outro lugar senão de DEUS. Portanto, as autoridades constituídas, sejam grandes ou menores, devem estar de acordo com o que DEUS deseja. No entanto, por ser uma delegação de DEUS, se essa autoridade estiver em desacordo ao que DEUS determina, e no entanto, se o povo estiver em conformidade ao que DEUS deseja, então logo esta autoridade será destituída por DEUS. Mas, se o povo se corromper como a autoridade, então o povo terá os governadores que merece. Portanto, aqueles que conhecem os bons princípios de vida, sempre devem ser obedientes a autoridade civil, desde que ela exige seja compatível ao que DEUS aprova. As autoridades fazem parte do governo de DEUS, e é Ele que deve destituí-las. Ele o tem feito, sempre que o povo merece tal providência.

b)       Sendo DEUS a autoridade superior, e sendo a autoridade do país desviada do que DEUS pede, e sendo as pessoas corretas em menor número, por certo DEUS não mudará a autoridade desse país, mas propiciará uma proteção especial aos que seguem os princípios do governo de DEUS. Ainda assim, em tudo o que for justo, devem esses cidadãos ser obedientes a autoridade secular.

c)       Por sua vez, toda lei secular boa não é outra coisa que um desdobramento da Lei de DEUS. Por exemplo, não diz nos Dez Mandamentos qual a velocidade das estradas. Mas diz “não matarás”, portanto, para evitar mortes, ao menos para reduzi-las, há as leis de trânsito. Estas são desdobramentos do mandamento “não matarás”, e devem ser obedecidas como o são os Dez Mandamentos. Desobedece-las incorre no mesmo pecado que desobedecer um dos mandamentos, no caso dos menores – os seis últimos – da Lei de DEUS. Esse é outro motivo pelo que devemos ser obedientes às autoridades seculares.

Portanto, a partir desse raciocínio, tanto é pecado a desobediência a algum dos Dez Mandamentos como à lei civil, desde que esta esteja de acordo com os princípios do governo de DEUS, expostos em Seus mandamentos. Cremos que em outros mundos também hajam autoridades dentre o povo, e cremos que estas também fixam leis, mas lá, as leis são todas legítimas, isto é, fundamentadas nos princípios eternos e universais do governo do Universo. Assim, a desobediência a qualquer autoridade, uma vez que o que ela pede seja justo, significa transgressão da lei, é pecado. Precisa do perdão de DEUS e de quem mais foi atingido.

Considere o caso de transgressão de uma lei civil, por exemplo, de um atentado ao patrimônio de outra pessoa. Supondo que pela lei dos homens isso incorra em prisão de 12 meses, como pode nesse caso haver perdão? Se o afetado perdoar, deve ainda assim o infrator ser preso?

As duas coisas não são o mesmo. Ele deve ser preso sim. O que o prejudicado pode perdoar, e isso se quiser, é o fato de lhe ter roubado, e se desejar, até pode perdoar o roubo em si, não a pena da lei que só o Estado pode perdoar, por um juiz. O correto nesse caso seria o que roubou restituir e ainda assim ser preso, muito embora tenha sido perdoado pelo prejudicado. O que afinal foi perdoado? Da parte do perdão de DEUS, a pessoa recebeu de volta a possibilidade da vida eterna; da parte do perdão da pessoa prejudicada, foi restituída a amizade entre ambos, de modo que não há mais nada de errado entre essas pessoas. Mas isso não isenta ao que roubou de restituir o que levou, nem de pagar perante o estado o que a ele deve. O correto é restituir. Se não tiver mais possibilidade de faze-lo, então alguém deve pagar essa conta, possivelmente, como de costume, o que foi roubado. Se ele perceber sincero arrependimento, vale a pena isenta-lo também disso que agora se transformou num peso sobre ele. Quanto ao que deve ao estado, a prisão, se o Estado o isentar disso, a tentação para ele recair e outros se sentirem incentivados a essa prática será maior, e a nação torna-se num lugar onde a lei não tem muito valor. É a chamada impunidade.

Há, portanto, aqui, nesse caso específico quatro aspectos distintos a serem considerados: o perdão de DEUS que restitui a vida eterna quando JESUS voltar; o perdão da vítima que restitui o amor com o criminoso; a questão da restituição do produto do roubo; e a pena que a lei do Estado requer, e que a justiça dos homens deve impor. JESUS morreu para que ele tenha de volta a vida eterna, mas não isentou das conseqüências dos nossos atos. Se o tivesse feito, o crime compensaria, e ser justo nunca aqui compensaria...

  

7.        Conclusão - sexta

 

Então, por que perdoar? Essa é a pergunta que a lição propõe para em torno dela examinarmos a sabedoria do perdão. Há aqui duas coisas a considerar: o perdão da parte de DEUS e o perdão da parte dos homens. O da parte de DEUS nos isenta da morte eterna, e nos devolve a vida eterna. Ora, isso é para nós uma grande solução.

O perdão da parte dos homens restabelece o amor entre as pessoas, de modo que elas passam a viver de bem entre si, e são mais felizes, já aqui nessa terra. Portanto o perdão é sinônimo de solução. E nós, nessa Terra, precisamos é de soluções, pois somos causadores de problemas. Se não houvesse o perdão, ao longo do tempo só acumularíamos problemas sem solução. E a sociedade se tornaria cada vez mais inadequada para a vida. Na realidade, é o que acontece hoje, os homens para viverem entre si, partem para o ridículo, se armam e se protegem uns dos outros. Tudo por falta de capacidade de perdoar, e também de arrepender-se. A violência na sociedade em que vivemos decorre do não funcionamento da instituição do perdão de DEUS. Isso não porque o perdão não funciona, mas porque os homens se afastaram tanto de DEUS que já não aceitam mais o arrependimento e o perdão. Daí a vida ficar cada vez pior, ao ponto da sociedade ser segurada por quatro anjos para ela não se auto-destruir antes do tempo, e assim impedir a pregação deste evangelho a todo o mundo, para que JESUS volte.

Assim, finalizando, o perdão é necessário porque somos pecadores. Por esse mesmo motivo devemos sempre perdoar, para por esse meio recolocar as cosas outra vez em seus lugares como DEUS deseja. Assim todos viverão melhor, em paz uns com os outros. Por falta do perdão entre os homens (as mulheres não são melhores...), é que o mundo vai direto à repentina destruição, e no caminho, as pessoas enganando e sendo enganadas, até o seu fim.

No Céu é que não necessitaremos perdoar, porque lá seremos outra vez capazes de obedecer as leis de DEUS como o são os seres perfeitos. Isso sim vai ser bom, como todos ali serão felizes! Tente imaginar a felicidade ali, se aqui são muito felizes aquelas famílias onde todos se perdoam, quanto mais onde são tão superiores que nem se ofendem! Vamos para lá, “eis que” será muito bom.

  

escrito entre: 26/04/2003 a 05/05/2003

revisado em 25/05/2003