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Estudo nº 1 – DEUS e o perdão

Semana de 29 de março a 5 de abril

Comentário auxiliar elaborado pelo prof. Sikberto R. Marks

 

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

 

DEUS e o perdão

 

           Este comentário tem por objetivo auxiliar na compreensão dos estudos diários relacionados a série de treze lições especiais semanais que abrangem de abril a junho. O tema geral desses estudos é “perdoados”. Trata-se de uma abordagem urgente, vital e necessária para os nossos dias em que cada vez mais impera a vingança em lugar da concórdia. Nosso sincero desejo é que todos tenham bom proveito por esses estudos, e que os comentários, de alguma forma, lhes sejam benéficos. Bem logo nos conheceremos!

 

  1. Introdução geral ao estudo do trimestre

 

Pedir perdão é difícil porque requer humildade. Perdoar é difícil porque requer misericórdia. A humildade e a misericórdia são atributos divinos. Para que sejamos capazes de pedir perdão, ou que sejamos capazes de perdoar, temos que receber o dom da humildade ou da misericórdia. Esses não são dons desse mundo, mas fazem parte do governo de DEUS, o governo pautado pelo amor. E só no amor há misericórdia para perdoar, e humildade para pedir o perdão sempre que necessário. Com esses dois atributos, o mundo seria totalmente diferente, mesmo em meio ao império do pecado, seria aqui quase a perfeição.

Na cruz, O Mestre do perdão demonstrou humildade a ponto de se fazer pecador em nosso lugar para extravasar toda a Sua misericórdia e nos perdoar de todos os pecados. Diante de DEUS, Ele é o único com direito a conduzir nossos pedidos de perdão ao trono da graça. Esse perdão é o único eficaz, que salva para a eternidade, pois está acompanhado do preço a ser pago pelas conseqüências do pecado: a morte. Todo aquele que é perdoado por intermédio de JESUS está salvo. Por outros meios não há perdão, só pelo nome de JESUS.

 

 

  1. Introdução ao estudo da semana

 

DEUS prova o Seu amor para conosco pelo fato de ter CRISTO morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rom. 5:8).

           Vendo o céu de uma perspectiva daqui da Terra, lá é tudo invertido. É que nós nos acostumamos ao que está errado, mas é aqui na Terra que está invertido, ou seja, aqui está tudo errado. No Céu está tudo de cabeça para cima, portanto, correto.

           Aqui, quando alguém nos ofende, esperamos que ele tome a iniciativa de pedir a reconciliação. Isso é o mínimo, pois muitos buscam logo a vingança. Assim as coisas aqui entre nós, pecadores e afetados pelo poder degenerativo do pecado, são resolvidas. Melhor, assim as coisas pioram cada vez mais, e nada é resolvido. Assim é que a violência nunca termina, mas aumenta cada vez mais. Esse é o modo de agir típico de satanás.

           No Céu, onde tudo está certo porque é orientado por uma inteligência superior, não funciona dessa maneira. Lá, o ofendido toma a iniciativa de reconciliação. Da primeira vez em que houve necessidade de reconciliação foi quando Lúcifer se revoltou contra o governo de DEUS. O Senhor foi falar com Lúcifer até se esgotarem as possibilidades de reconciliação. Então Lúcifer foi expulso, e tornou-se satanás e diabo, porque passou a ser mau por opção pessoal. Ele jamais aceitou a reconciliação, portanto, de nada adiantaria o Senhor morrer por ele e seus anjos.

           Da segunda vez que perdão foi necessário na história do Universo, foi na queda de Adão e Eva. Estando eles com medo do que poderia lhes acontecer, naquele dia mesmo receberam a visita do Senhor, que lhes propôs a reconciliação. Ele veio oferecer-se em lugar deles para morrer por eles e por todos os seus descendentes. Quem cresse n’Ele poderia outra vez viver eternamente. Isso Ele cumpriu 4.000 anos depois, quando foi sacrificado na cruz, manso, humilde e misericordioso como são todos aqueles que amam.

           Nossa geração é a última da Terra, a que está enfrentando os piores momentos do conflito iniciado aqui fazem seis mil anos. É nessa geração que acontecem os piores atos dos seres humanos. Alguns fazem coisas horríveis, e são presos até sua morte. Outros, depende do país, recebem a pena de morte. Algum dos presos nesse planeta, pelo que fez, deve ser o pior de todos. Não sabemos identifica-lo, mas, pelo que conhecemos da Bíblia, até esse pode ser perdoado por DEUS. Ou seja, até esse pode receber a vida eterna, basta querer. Esse perdão não lhe tira da cadeia, nem isso seria justo, nem bom para ele, mas lhe tira do inferno para onde vão todos os pecadores, não importa a extensão do que fez.

           Entendamos um pouco melhor o amor de DEUS. Suponha o pior dos pecadores, o mais cruel deles. Imagine ele arrependido pelo que fez, e não querendo fazer de novo, desejando mudar completamente de vida. Você acha que alguém assim não merece uma oportunidade? O amor diz, ele merece essa oportunidade. Ele precisa do perdão. E se você for a pessoa que o influenciou a desejar essa mudança radical de vida, conhecida como conversão, como se sentiria depois, no Céu, vendo um ser mau como aquele, então vivo para sempre, por ter sido perdoado? Isso lhe acrescentaria imensa felicidade por toda a eternidade, e ele lhe seria eternamente grato. E não se preocupe, se aqui na Terra é conveniente mantê-lo preso, pois a mente é afetada de tal maneira que um homem assim só se torna confiável após a transformação total na segunda vinda, lá no Céu, ele não será mais ameaça para ninguém. Veja bem, aqui na Terra, tudo o que de mau alguma vez fizemos, sempre será um ponto fraco em nossa mente, sempre será uma luta para nós. Assim continuará até que sejamos inteiramente transformados. O pecado pode levar a mentes serem tão deformadas que, embora o arrependimento, e o desejo de mudança, a recaída é possível enquanto não ocorrer a total transformação, e esta só quando JESUS voltar. Você já imaginou como ele se sentirá instantes após essa transformação? Pode avaliar como vai ficar feliz? Essa, em resumo, é a ciência do perdão. Foi para que tal possibilidade se concretizasse que JESUS morreu na cruz. O perdão está ao alcance de todos, excetuando-se aqueles que não o desejam.

 

 

  1. Um amor eterno

 

O estudo de hoje explora algo que aqui na Terra não teremos condições de entender por completo. DEUS escolheu as pessoas para serem salvas muito antes delas terem nascido, o nome dessas pessoas constava no livro do Cordeiro desde a eternidade (ver. Efés. 1:3 e 4, Apoc. 13:8). Como podemos ao menos ter um entendimento parcial sobre tão grande maravilha (mistério)?

DEUS conhece o futuro como se fosse o presente. Outro mistério para nós, seres limitados e mortais, que nem temos um razoável conhecimento do passado. Podemos entender que DEUS sabe quais serão as nossas decisões, não importa quanto tempo ainda falta para que sejam tomadas? Assim, entendemos que Ele nos amou desde tempos imemoriais porque, na devida época, a da nossa existência, decidiríamos aceitar o Seu amor, e Ele gostou muito disso. Portanto, como ele já sabia disso desde sempre, do mesmo modo já constava o nosso nome no seu livro. É difícil entender, mas Ele não interfere nas nossas decisões nem nos predestina para a vida ou para a morte, isso nós é que escolhemos. No entanto, Ele conhece o que iremos decidir antes da decisão ocorrer. Assim podemos, ao menos um pouco, entender o direito ao livre-arbítrio.

Se nossa compreensão desses mistérios é limitada, ao menos nossa admiração da grandiosidade do amor de DEUS se ressalta diante desses mistérios. Conhecendo como Ele conhece todas as coisas, pode amar pessoas que ainda não nasceram, e reservar para elas um lugar especial. É o que diz em I Cor. 2:7, quando DEUS pré-ordenou, desde a eternidade, a nossa glória. Ele é realmente incrível, somos muito limitados hoje para entender o amor de DEUS. Esse amor tem dimensões para nós hoje desconhecidas, ou ao menos, não de todo compreensíveis. Como será bom estudar esse tema após a salvação!

Uma dimensão do amor de DEUS é a sua ligação com a perfeição. Ocorrendo o pecado, DEUS já tinha concebido uma forma de perdoar sem contudo criar um precedente de impunidade perante a Lei, nem tão pouco anular ou alterar a Lei. Nesse debate, tomam outra dimensão as palavras de JESUS: “vim cumprir a Lei, não anular” (Mat. 5:17). A questão era prover o perdão sem contudo afrontar a Lei. O amor, que em certos momentos se confunde com misericórdia, levou a formulação da estratégia de salvação transferindo a acusação e penalidade que pesava sobre o ser humano, para JESUS. Alguém pagou essa conta, e a Lei foi preservada e também o ser humano obteve, por esse meio, que conhecemos por graça, a possibilidade de ter outra vez a vida eterna. Portanto, na cruz, mais do que obedecer os mandamentos, JESUS os ratificou como válidos para toda a eternidade. Para salvar o ser humano Ele não incorreu no erro da impunidade, ou seja, o perdão puro e simples, apenas esquecendo o que houve de errado. No entanto, outra coisa incrível, satanás conseguiu transformar a ressurreição de JESUS, cuja morte selou a validade da Lei, em motivo de mudança da Lei. Isso é que se chama astúcia e maldade. Não é por menos que ele é o pai da mentira. Mais uma vez, a cruz permite um impressionante contraste do amor de DEUS contra as mentiras e falsidades de satanás.

 

 

4. Confissão

 

Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (I João 1:9).

 

Para termos a vida eterna, precisamos ser santos, como DEUS, O Criador, é santo. Para sermos santos, precisamos ser transformados, de pecadores em seres puros. E para sermos transformados, há que reconhecermos que somos pecadores. Aí está o processo de confissão. É o ponto central de nossa parte para nossa salvação. Funciona assim:

ð                                Pelo testemunho de alguma pessoa já em processo de mudança, ou por um sermão, ou por uma leitura, ou por muitas outras maneiras, a pessoa se percebe pecadora.

ð                                Pelos mesmos motivos, a pessoa percebe a superioridade de uma vida transformada, ela foi de alguma forma fortemente atraída pelo amor de JESUS, para a beleza de uma vida superior, santa;

ð                                e ela deseja também ser como JESUS é, e ter um dia vida eterna, viver as delícias do reino do amor, quer mudar desde já sua vida;

ð                                não quer mais viver como vinha até o presente, está envergonhada do que é;

ð                                então, arrependida, quer falar com alguém que lhe queira ouvir, alguém que tenha credibilidade, e que a possa ajudar;

ð                                então, dirige-se a DEUS, que já sabe de tudo, e Lhe declara seus sentimentos, as coisas erradas que fez, seu desejo de não fazer mais essas coisas erradas, seu desejo de ser ajudada nesse sentido, isto é a confissão.

ð                                Ela sente-se aliviada por ter partilhado com um grande amigo, JESUS, seu Senhor.

ð                                O desejo dela foi atendido, não porque informou ao Senhor os pecados que havia cometido, Ele já o sabia, mas porque desejava a mudança.

Assim, a confissão é um processo pedagógico de mudança na vida da pessoa. A pessoa não quer mais ser o que foi no passado. Ela agora aceita, até deseja a transformação. Sente-se feliz em ser perdoada e ser transformada, deseja viver a vida eterna. Está sendo curada, e seu desejo faz parte do processo de solução de seu problema espiritual. A confissão lhe permitiu descarregar suas angústias sobre um Ser poderoso, e agora sente-se aliviada, limpa, uma nova pessoa, pronta para uma nova vida superior.

 

 

  1. “Os seus pecados estão perdoados”

 

Precisamos entrar, com empatia, na experiência do paralítico que teve seus pecados perdoados. Aquele homem passava por sentimentos torturadores como muitos hoje passam. São dificuldades, futuro incerto, sofrimento no presente, excessiva dependência dos outros para o sustento e deslocamento. Como se isso não bastasse, a sociedade o convenceu de que sua situação resultou de grandes pecados seus. Suas muitas culpas estavam sendo motivo de seu sofrimento. E Ele não via saída para suas torturas. Quão grande era o pagamento que lhe cabia!

O homem via as outras pessoas. Eram felizes, sorriam, iam bem na vida. A cada pouco adquiriam mais posses. Tinham amigos, trabalhavam e se realizavam. Como foi que aconteceu que ele se tornou tão grande pecador para cair tão fundo, a ponto de ser castigado com a paralisia? E pelo que sabia, nunca mais seria uma pessoa normal, com direito a um pouco de felicidade. Como seria bom poder trabalhar e obter o que necessitava. O seu caso era irremediável, felicidade, nunca mais. Foi o que os religiosos da época lhe fizeram crer. E muitos ainda aumentavam a sua dor com zombarias.

Ouve falar de JESUS. Soube por um ou outro dos poucos amigos que tinham por ele alguma consideração. Soube que esse JESUS perdoava pecados, e que as pessoas saíam d’Ele verdadeiramente aliviadas e transformadas. Soube que Ele curava qualquer doença. Percebe que precisava de JESUS. Era sua última esperança, mas que esperança!

Quando será que poderia encontrar-se com JESUS? Seria logo, levaria muito tempo, ou nunca teria tal permissão? Tornara-se ansioso, mas uma ansiedade que de certa forma lhe causava alívio. Só em pensar em JESUS, já se sentia melhor. Procurava saber mais sobre esse homem, e quando mais informações obtinha, mais se animava. Tudo indicava que JESUS era a solução completa de seus insolúveis problemas.

O paralítico soube muitas coisas sobre JESUS: ele curava e não cobrava nada; era muito acessível; não deixava de ajudar; multidões gostavam d’Ele; era poderoso em extremo, parece que podia resolver qualquer problema. Como fazia bem saber essas coisas! Bem assim como para nós hoje.

Finalmente chega a notícia que JESUS passaria por sua cidade. O homem se agita. Ansioso em extremo, procura garantir quem lhe possa ajudar chegar até o chamado profeta. JESUS vem vindo (semelhante ao que nós esperamos hoje, mas numa nuvem...). Uns amigos, os poucos que têm, o ajudam. Vencem por muitos esforços a multidão, indo por caminhos alternativos. Repentinamente, eis o homem frente a frente com JESUS. Ele estava ao mesmo tempo nervoso, emocionado, esperançoso, feliz... A solução de seus problemas agora estava a segundos de distância. Vendo aquela figura de JESUS, tudo o que de bom lhe haviam dito parecia pouco. O seu semblante inspirava o mais puro amor. Agora sentia que seria liberto de suas torturas. O homem nada consegue falar, pois suas emoções e sua inexperiência em estar diante de grandes personalidades o deixaram sem palavras. Mas JESUS entendia tudo o que ele mais queria, e lhe disse, sem que ele pedisse por palavras, mas que ele ansiava no coração: “homem (ou amigo), os teus pecados estão perdoados”. Mas que alívio. Isso por si bastava para ele, era o que mais o torturava.

Deu-se um diálogo com os escribas e fariseus. Questionam o ato de perdão. O homem fica nervoso, será que vai cair tudo na água, será que o perdão não vai valer nada. Que momentos angustiosos. Então ele ouve algo a mais: “levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa.” À ordem, ele fez isso, e conseguiu normalmente. Não sentia nada de ruim. Ao contrário, sentia-se feliz como uma criança que ganha um brinquedo: estava perdoado e curado. Era uma pessoa normal. Agora sua vida recomeçava. Poderia trabalhar, viver melhor, ter esposa, ter filhos, ser como todas as pessoas normais são. Era outra vez um filho de DEUS. Suas esperanças se realizaram.

Uma pequena reflexão. Como foi fácil para o homem torturado por anos, obter tanto o perdão como a cura! Foi muito mais fácil que ele imaginara. Ele nem chegou a falar alguma coisa, e quando viu, estava perdoado, e pouco depois, caminhando normalmente. Toda a vida mudada, transformada, sem nenhum sentimento de culpa. Uma nova vida. Agora ele podia ser feliz, e de fato era. Que coisa boa foi encontrar JESUS.

 

 

  1. Perdão maior que o pecado

 

“Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rom. 5:20).

 

Como é dura, difícil, triste, sem graça, ..., a vida com a carga de uma consciência atormentada. Mas, como é agradável experimentar o genuíno perdão, aquele que é dado por DEUS (não o que é simulado por algum ser humano que se passa por DEUS). O pecado tem o tamanho e o poder de satanás, mas o perdão, e a graça, tem o tamanho e o poder de DEUS. Satanás é limitado, mas DEUS é infinito. Portanto, por essa lógica, não há pecado que não possa ser alcançado pelo perdão, senão uma condição, a daquele que não deseja perdão ou não sente a sua necessidade. A quantidade de pecados, a intensidade da maldade, e amplitude de seus efeitos maléficos não podem jamais ser tão grandes que estejam fora do alcance do perdão. A morte de JESUS na cruz foi tão abrangente que mesmo que um ser humano pudesse atirar uma bomba atômica sobre o trono de DEUS, tal ato de ódio poderia ser perdoado. Mesmo que DEUS fosse ferido intensamente, isso poderia ser perdoado. Mesmo que tal homem fizesse uma passeata diante do trono celeste, com palavras manchadas pela sujeira mais baixa desse mundo, que gritasse contra o nome de DEUS, Seu santo nome, isso poderia ser perdoado. Mesmo que fizesse atos obscenos diante de DEUS, haveria perdão. Esses poderiam ser perdoados, uma vez fazendo isso não inteiramente conscientes de seus atos. Satanás, quando ainda era Lúcifer, ao pecar contra DEUS, não podia ser mais perdoado, pois estava inteiramente ciente do que fazia e das conseqüências de seus atos. Assim também aquele outro, que apenas cultiva um pequeno pecado oculto, não notório por ninguém, e que nunca sentiu necessidade de mudança, nem de perdão, esse não será perdoado. A questão não é o tamanho da ofensa, mas sim, se quer ou não quer continuar pecando, se ama ou odeia o pecado. Tudo pode ser perdoado, menos aquele pecador que não sente a necessidade do perdão.

Enquanto satanás cria ciladas, impõe condições, engana, derruba, etc., para matar as pessoas, DEUS Se revela, Se condenou em nosso lugar e Se ofereceu por nós para morrer. O perdão tornou-se legítimo, eficaz e definitivo, desde que o aceitemos e não nos arrependamos de termos sido perdoados – isso é muito comum.

O perdão cria as condições - isso não é apenas uma sensação - de reconciliação. Na vida dessa pessoa, do verdadeiramente arrependido, passa a reinar o amor. Ela muda a maneira de viver. Seus velhos hábitos rústicos desaparecem. Na família, torna-se aos poucos polido e diplomático. Ele ama as pessoas assim como é amado por DEUS. Ele vive a atmosfera do Céu, e passa aos demais os sentimentos bons de tal experiência.

 

 

  1. Ilustrado o perdão de DEUS

 

“Então Pedro aproximou-se de JESUS e perguntou: ‘Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? JESUS respondeu: Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete’” (Mat. 18:21 e 22).

Os seres humanos, por vezes, instituem critérios que acham bons, mas que se voltam contra o próprio ser humano. É sabido que os judeus perdoavam até três vezes. O critério supunha dar limite ao pecado. De fato, não convém permitir que se repita o mesmo pecado por indefinidas vezes. Nem o mesmo, nem pecados variados. Limitando a possibilidade de perdões, indiretamente limita-se também a ocorrência de pecados, não é assim? Uma infantil ilusão. Não é dessa forma que o ser humano é transformado.

Por outro lado, àquele que cabe perdoar, esse, pelo raciocínio acima também incorre em erro. Além de não contribuir em nada com quem peca, ainda a si mesmo prejudica duplamente. Veja, quem peca é prejudicado pelo critério de até três perdões. Mas o ofendido, por esse sistema, tem prejuízo dobrado: ele está endurecendo o seu coração na contabilidade dos perdões concedidos aos seus irmãos, bem como deixa de se perceber como pecador, que talvez necessite de maior misericórdia do que alguns que lhe ofenderam mais de três vezes. Passa a olhar os outros com ótica crítica, e se torna juiz, sendo ele mesmo tão mau quanto aquele que lhe ofendeu pela quarta vez. Diga-se de passagem, aqueles sábios religiosos que rejeitavam JESUS foram afetados por esse mal: ver nos outros mais maldade do que neles mesmos. O sistema de contabilidade do perdão lhes tornou cegos aos seus estados espirituais.

Mas a regra havia se tornado em tradição, com força de lei. Há tradições boas e tradições prejudiciais. Nenhuma tradição, mesmo boa, tem força de lei. Esse status só podemos atribuir a lei, algo que veio de legislador legitimamente no poder de suas funções. Nenhum texto que se diz ser lei, mas que não se originou de legislador, é lei. Por isso, os Dez Mandamentos alterados não são lei, não tem esse valor, sua força fundamenta-se numa tradição errada. Portanto, seu valor é nulo, não reconhecido pelo Legislador do Universo. Essas alterações não são provenientes do Legislador, portanto, não devem ser seguidas, eis que são prejudiciais. Atrás dessas alterações há interesses traiçoeiros, com poder de matar, não de garantir a vida.

Que tal DEUS adotar o critério de perdoar três vezes, ou que sejam sete vezes? Por acaso algum ser humano poderia ser salvo? Tenha certeza, não existem seres humanos cujo número de pecados seja tão pequeno. Todos se perderiam, principalmente aqueles ocupados em contabilizar os pecados de outros...

A beleza e a ciência do perdão estão justamente no seu objetivo: possibilitar ao pecador, por pior que ele seja, por mais que tenha caído em pecado, centenas de vezes, milhares, ou milhões de vezes, ha oportunidade de viver para sempre, sendo puro como se nunca tivesse pecado. A questão não é quantas vezes perdoar, isso está fora de foco. O centro da questão é a reconciliação sempre. O que é mais inteligente: estar de mal com alguém porque ultrapassou o limite de ofensas, ou estar sempre de bem com todos, tendo-os perdoado e da mesma forma tendo sido perdoado? O foco situa-se no amar aos outros como a si mesmo. Há limites para amar? Deve haver barreiras para colocar as coisas em ordem? Devemos limitar a solução de problemas? Em que tipo de vida entre irmãos tal estratégia resulta? Em pouco tempo todos nós estaríamos em déficit com todos, e não haveria mais como nos relacionarmos uns com os outros. A sociedade chegaria a um impasse. Mas que pergunta boba Pedro fez para JESUS?

Agora, um pouco sobre a resposta. JESUS poderia ter se rido da pergunta sem nexo. Mas não, ela estava arraigada por uma cultura social e pela tradição. A tradição, ao longo do tempo, torna as pessoas cegas para o que é verdadeiramente correto. De tanto se repetir o costume, ele, mesmo ridículo de tão errado, passa a ser aceito como correto e válido. Quer um exemplo? Diz-se por aí que “a voz do povo é a voz de DEUS”. É uma espécie de ditado. Até remédio já foi vendido por essa afirmação, envolvendo um famoso jogador de futebol. Mas essa frase é uma grave mentira. Iguala DEUS ao povo, e diz que o que o povo fala é o que DEUS fala. O que a maioria diz simplesmente é verdade, como se fosse dito por DEUS. Você já pensou sobre os estragos de uma afirmação dessas uma vez aceita pelas pessoas? Isso recebe poder de lei!

JESUS respondeu a Pedro com todo o respeito, mas não deixou de desmanchar por completo a tradição que levava a erro. Enfim Ele disse, se quer contabilizar, então perdoe 490 vezes. Na verdade Ele disse, se quer contabilizar, então perdoe sempre. Ou melhor ainda, perdoe tantas vezes quantas lhe ofenderem, assim como você mesmo pode vir a precisar ser perdoado. Esse critério estabelece a condição de sempre haver fácil acesso ao perdão e à solução dos problemas. Quem já chegou a perdoar 490 vezes a um seu amigo, de tanto o perdoar, continuará disposto para perdoar mais, acostumou-se a isso, entrou na rotina, aprendeu a perdoar, e vai perdoar sempre.

Setenta vezes sete quer dizer, multiplicar um número perfeito por outro número perfeito dez vezes superior. Aqui está a sabedoria: o infinito número de perdões é que nos leva a perfeição, não a sua limitação. Por esse caminho nós todos poderemos vir a ter de volta a vida eterna, por DEUS estar disposto a perdoar-nos sempre que necessitarmos e sentirmos desejo de reconciliação. Perdoar indefinidamente é algo que provém do amor, partidário da vida; limitar o perdão isso provém de origem partidária da morte.

 

 

  1. Aplicando o estudo da semana

 

Há, como já vimos, uma ciência com o perdão. O perdão é fruto do amor, por isso, não está sujeito a alguma limitação. Vejamos bem, JESUS orientou que amássemos até mesmo os nossos inimigos (Mat. 5:44). Ora, isso não é nenhuma obrigação. Quem ama, não o faz para receber algo em troca, mas simplesmente porque ama. É assim que os seres celestes vivem uns com os outros, e por isso é que são perfeitos. Aqueles que amam não tem inimigos, ao menos não vêem assim quem não gosta deles. Nós devemos sempre estar prontos para ter como vizinho quem quer que seja aqui na Terra, mesmo aquele que nos causou grande mal. Quem não pensa assim, enquanto não mudar seu modo de pensar, não poderá entrar para a vida eterna.

A beleza do amor, e do perdão, está exatamente no fato de desejar o bem até mesmo àqueles que lhes desejam o mal. Está no fato de querer que estes mudem de vida, e que sejam salvos, e que se tornem amigos aqui na terra e também na eternidade. Que tal se todos pensassem assim? Logo não teríamos mais guerras aqui na Terra. Veríamos coisas hoje impossíveis de imaginar. Por exemplo, Saddam Hussein abraçando George W. Bush, os palestinos em paz com os judeus, etc. A humanidade estaria livre do flagelo da guerra, da violência, do terrorismo, e de tantos males que são em número cada vez maior. Deixaríamos de gastar fortunas em sistemas de segurança, em exércitos, em polícias, etc. Investiríamos esses recursos em algo construtivo e de proveito para a sociedade. Nas famílias, a felicidade seria natural. Todos seriam amigos uns dos outros. Não haveria inimigos. Desapareceriam as preocupações, o medo, a sensação de insegurança.

Seria tão bom, não acha? Então, porque seguir com o sistema errado? Porque não ensaiar, desde já, o sistema inteligente do Céu, aquele que DEUS utiliza? Que os seres perfeitos utilizam, e por isso são perfeitos? Por que viver com problemas? Poucos acreditam no que é certo... infelizmente, são muitos que acreditam que a voz do povo é a voz de DEDUS.

 

 

 

escrito entre: 08/03/2003 a 14/03/2003

revisado em 19/03/2003