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Lição 10

31 de maio a 7 de junho


Por que perdoar?

 


Sábado à tarde

Ano Bíblico: Ester 8–10

VERSO PARA MEMORIZAR: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou" (Col. 3:13, NVI).

NOSSO MUNDO está cheio de pessoas machucadas e ofendidas. Afinal, quem não ofendeu ou machucou alguém inadvertidamente, muitas vezes aqueles a quem mais ama? Mais importante ainda, quem não foi machucado ou ofendido mesmo por aqueles a quem mais ama?

Este é um dos tristes fatos da vida: é fácil ofender; é ainda mais fácil ficar ofendido. Mas o que não é tão fácil é perdoar. Se tão-somente o perdão fosse tão fácil quanto a ofensa! Que mundo diferente seria o nosso!

Nesta semana vamos examinar a questão de perdoar os outros. Vamos procurar os motivos por que devemos perdoar, especialmente tendo em conta que Cristo nos perdoou. Jesus contou algumas belas parábolas sobre a importância do perdão. Perdoar tem, literalmente, conseqüências eternas. Perdoar os outros é parte essencial do que significa ser cristão.

Vamos ver se podemos chegar a uma compreensão melhor desse importante ensino fundamental à nossa fé, mesmo que às vezes seja muito difícil de se praticar.


Domingo

Ano Bíblico: Jó 1 e 2

O fator perdão

"Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo" (Efés. 4:32, NVI).

Um dos aspectos mais básicos e importantes da fé cristã tem a ver com o perdão. Nossa religião não terá sentido se, realmente, não houver perdão.

Em primeiro lugar, envolve o perdão de Deus a nós, sem o que não estaríamos em melhor situação do que os animais irracionais. De fato, sem as promessas que acompanham esse perdão, estaríamos em pior situação do que os irracionais, porque eles não têm conceito de transcendência, de eternidade, como nós, e do abismo entre o que nós somos e o que desejamos ser. Mas os seres humanos têm essa característica e, assim, sem a promessa da eternidade que acompanha o perdão, seria mais fácil ser uma galinha, porque, mesmo sem perdão, as galinhas não vivem em desesperança; nós, sem o perdão divino, não temos esperança.

Mas, além de sermos perdoados, como cristãos, devemos perdoar. Um cristão irreconciliável é um absurdo tão grande como um ateu cristão ou um redondo quadrado. Como cristãos, devemos perdoar; nossa religião requer isso.

Mas nem sempre é fácil. Às vezes fomos tão machucados, tratados tão injustamente, usados pelos outros com tanta grosseria e julgados tão incorretamente que o perdão parece impossível e mesmo ofensivamente injusto.

Mas neste conceito de perdão existe um sentido de injustiça. Perdoar alguém por algum mal-feito é não considerar essa pessoa responsável pelo que poderia ser responsabilizada; é não considerar ofensiva a ofensa. Você não perdoa alguém por lhe dar dinheiro, trocar o pneu furado de seu carro nem por ajudar sua mãe a atravessar uma rua movimentada. Você perdoa quem o insulta, quem o engana, quem o ofende ou a alguém que você ama. O verdadeiro perdão costuma vir antes da restituição, antes da indenização. Você perdoa, mesmo que a ofensa não seja, ou não possa ser, corrigida pelo ofensor. Isso não é justiça – isso é perdão. Se exigíssemos justiça em cada aspecto de nossa vida, nunca poderíamos perdoar e nem ser perdoados.

Por que um cristão perdoa, ou deveria perdoar? Examine o texto de hoje. Como ele nos ajuda a entender por que devemos perdoar os outros? Cristo nos perdoou, e isso é bom. Mas então, por que nós deveríamos perdoar os outros? O que uma coisa tem a ver com a outra?


Segunda

Ano Bíblico: Jó 3–5

Por que perdoar?

1. Leia os textos seguintes a respeito do perdão. Ao lado de cada um, escreva as razões que você encontrou para nos ajudar a entender por que devemos perdoar os outros:

Mat. 6:14

Mar. 11:25

Luc. 17:3

Luc. 23:34

Col. 3:13

Podemos encontrar na Bíblia numerosos motivos para perdoar. É um mandamento; Jesus, como nosso exemplo, perdoou; Está escrito que se não perdoarmos aos outros, nós mesmos não seremos merecedores do perdão de Deus.

Mas nenhuma dessas respostas vai à raiz da pergunta: Por que perdoar os outros? Precisamos ser perdoados por Deus a fim de ser poupados da condenação no fim dos tempos; isto é claro. Mas que propósito Deus tem para querer que perdoemos os outros? Que razões existem para Deus nos pedir algo que às vezes pode ser muito difícil?

Talvez perdoando, estejamos ajudando a nós mesmos; ficamos livres da raiva, da ira e do ódio que podem destruir nossa vida. Afinal, o ódio é uma arma que atira para trás. Perdoando, manifestamos o caráter de Deus aos outros; em resumo, somos uma testemunha ao mundo do tipo de Deus a quem servimos. Perdoando, ajudamos a quebrar o ciclo de ódio, vingança e, freqüentemente, de violência que tanto dano traz ao mundo. Em outras palavras, perdoando ajudamos a tornar o mundo um lugar melhor. Imagine como seria este planeta se todos aprendessem a perdoar a todos os outros.

Assim, além de todos os aspectos espirituais envolvidos no perdão aos outros, existe também (como freqüentemente é o caso) um elemento muito prático e realista.

Olhe para o mundo ao seu redor, hoje. Quanta dor e sofrimento você pode ver como resultado direto da falta de perdão? Faça uma lista de conflitos internacionais, conflitos domésticos ou conflitos pessoais e violência que podem ser identificados diretamente como resultado da indisposição de um lado em perdoar o outro.


Terça

Ano Bíblico: Jó 6 e 7

Como perdoar

"Ser cristão é perdoar o indesculpável, porque Deus perdoou o indesculpável em você."

– C.S. Lewis

Mas uma coisa é dizer que devemos perdoar; outra coisa é perdoar. Muitos sofreram insultos terríveis de pessoas que não mostraram qualquer remorso ou tristeza pelo que fizeram. Como cristãos, devemos perdoar, mas muitas vezes não é fácil. Como podemos aprender a perdoar?

Só existe uma resposta: é chamada graça. Podemos aprender a perdoar unicamente compreendendo como nós mesmos fomos perdoados. A graça que nos perdoou é a mesma graça que pode nos levar a perdoar os outros.

2. Estude os seguintes versos. O que eles dizem sobre a Cruz e o que aconteceu nela? Podemos entender como podemos perdoar os outros?

Rom. 4:5

5:6-8

I Tim. 1:15

Heb. 12:3

Deus perdoou os nossos pecados, não porque nós somos dignos, não porque merecemos, não por qualquer coisa que poderíamos fazer para obter esse perdão. Foi puramente pela graça; um favor não merecido que nós, tão indignos, obtivemos o privilégio de ser chamados "filhos de Deus" (I João 3:1).

A fim de nos perdoar, Cristo teve que tomar os pecados do mundo. O próprio Deus, na pessoa de Seu Filho, tomou sobre Si a penalidade de toda a nossa iniqüidade. Foi esse o preço que Deus pagou para poder nos perdoar tão livremente. Foi a injustiça máxima.

Além disso, devemos lembrar que não importa quem faça o que para nós, todos pertencemos à mesma triste família, "gatos da mesma ninhada", irmãos e irmãs em pecado, nada mais. Assim, a distância que temos que caminhar para perdoar os outros quase não existe se comparada com a distância que Cristo, o Deus Infinito, teve que percorrer a fim de nos perdoar.

Em última instância, a única maneira de aprender a perdoar os outros é cair ao pé da Cruz e morrer para o eu. Só quando o eu é quebrado podemos ajuntar as peças novamente e aprender a perdoar. Só quando aprendemos a participar da graça que nos foi dada podemos conceder graça aos outros. Só quando percebemos que fomos perdoados podemos começar a perdoar os outros.

Ninguém disse que seria fácil (pense novamente no que custou o nosso perdão); ninguém disse que não exigiria dor, orações e lágrimas. Mas, assim como fomos perdoados, podemos também perdoar. Requer graça, e Deus tem bastante graça para nós. Temos apenas que aceitá-la.


Quarta

Ano Bíblico: Jó 8–10

Perdoar nossos inimigos – Leia Mat. 5:43-45

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas Eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos Céus" (Mat. 5:43-45, NVI).

O ideal do perdão cristão é ilustrado em um dos clássicos publicados depois da Segunda Guerra Mundial. Na história surpreendente de Ernest Gordon, Miracle on the River Kwai [Milagre no Rio Kwai], ele conta como foi capturado enquanto fugia de Sumatra depois da queda de Cingapura. Junto com outros prisioneiros de guerra, ele foi forçado a viajar pela selva a fim de construir a famosa ponte do rio Kwai. Foi ali que aconteceu um milagre da graça. O Espírito Santo substituiu o ódio aos seus inimigos pela compaixão, como é ilustrado neste episódio:

"Nós paramos em um desvio por um longo tempo. Estávamos no mesmo trilho em que estava parada uma composição com japoneses feridos. Eles estavam abandonados e sem cuidados médicos. ...

"Eles estavam em uma situação desesperadora; eu nunca tinha visto homens mais imundos. Os uniformes estavam endurecidos de lama, sangue e excremento. Os ferimentos estavam dolorosamente inflamados e cheios de pus, fervilhado de larvas. ...

"Os feridos olhavam para nós desolados, com a cabeça encostada nos vagões, esperando a morte com fatalismo. ...

"Sem uma palavra, a maioria dos oficiais da minha seção desafivelou a mochila, tirou parte da ração e um trapo ou dois, e, com os cantis cheios de água nas mãos, passaram-se para o trem japonês para ajudá-los. Nossos guardas tentaram nos impedir, gritando, ‘Não, goodka! Não, goodka!’ Mas nós os ignoramos e nos ajoelhamos ao lado do inimigo para dar-lhes comida e água, limpar e fazer curativo em seus ferimentos, sorrir e dizer uma palavra amável. Exclamações agradecidas de ‘Arigatto!’ (‘Obrigado!’) nos seguiram quando partimos." – Ernest Gordon, Miracle on the River Kwai [Milagre no Rio Kwai], págs. 162 e 163.

3. Qual é o antídoto de Cristo para um espírito de vingança? Mat. 5:38-42

Ernest Gordon passou a admirar seus companheiros. Dezoito meses antes, eles teriam se ajuntado prontamente para destruir seus captores, caso tivessem caído em suas mãos. "Agora esses mesmos estavam curando os ferimentos do inimigo. Experimentamos um momento de graça, lá naqueles vagões manchados de sangue. Deus cruzou as barreiras de nosso preconceito e nos deu o desejo de obedecer ao Seu mandamento: ‘Amarás o teu inimigo.’ ...

"Vimos que Deus estava nos honrando ao permitir que compartilhássemos Seus labores... pelo mundo que Ele ama."Ibidem, págs. 163 e 164.


Quinta

Ano Bíblico: Jó 11–14

Perdão e justiça civil

"Sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem" (I Ped. 2:13 e 14, NVI).

Um homem comete um crime terrível contra uma mulher. O culpado é preso e condenado. Antes de condenar, o tribunal quer ouvir a vítima; dependendo do que ela disser, a sentença pode ser branda ou muito severa. Depende dela.

Agora a vítima é um cristã, que sente, sob a convicção do Espírito Santo, que precisa perdoar a pessoa que cometeu esse crime contra ela. E ela perdoa; pela graça de Cristo que trabalha em sua vida, pela compreensão de que ela mesma foi perdoada, e do preço que custou aquele perdão, ela concedeu abertamente o perdão ao criminoso.

A pergunta é: O que ela deve dizer ao tribunal? O homem cometeu um crime terrível. Ela pede indulgência? Pede que ele receba a sentença mais leve possível? Ou busca o maior castigo possível?

Pense nesta questão de todos os ângulos possíveis: Talvez, se receber uma sentença mais leve, ele logo estará livre novamente para fazer o mesmo a outra pessoa. Talvez, se receber uma sentença leve, outros poderiam ser tentados pela sentença leve a cometer o mesmo crime. Talvez ele realmente mereça o pior castigo possível. Mas, se perdoar, ela não deveria querer que ele fosse castigado tão levemente quanto possível, ou talvez nem ser castigado por isso? Como você agiria em uma situação como esta?

O texto de hoje deixa claro que governantes têm sua parte, que envolve castigar "os malfeitores". Claro, em certo sentido, todos nós somos malfeitores (Rom. 3:10-18). Mas o mais importante a lembrar é que precisamos fazer uma distinção entre o civil e o espiritual, entre o pecado e o crime, que não são sempre a mesma coisa.

Talvez devamos perdoar todas as coisas, mas isso não significa necessariamente que as coisas não têm conseqüências legais. Certamente têm. A parte difícil para os cristãos é como fazer a distinção. Como perdoar e, ao mesmo tempo, respeitar o direito e a necessidade da lei civil e do castigo?

Leia Êxodo 21:23-26. Conservando em mente a distinção entre os códigos civis, legais e a verdade espiritual, como entender essas leis com o conceito de perdão?


Sexta

Ano Bíblico: Jó 15–17

Estudo adicional:

"A maneira do Salvador tratar com Pedro tinha uma lição para ele e para seus irmãos. Conquanto tivesse Pedro negado a seu Senhor, o amor de Jesus por ele jamais vacilara. E ao assumir o apóstolo o encargo de ministrar a outros, devia tratar o transgressor com paciência, simpatia e compassivo amor. Lembrando sua própria fraqueza e queda, devia tratar as ovelhas e cordeiros entregues a seu cuidado com a mesma ternura que Cristo tivera com ele." – Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, pág. 516.

"Quantos hoje em dia não manifestam o mesmo espírito! Quando o devedor pediu ao seu senhor misericórdia, não tinha verdadeiro conhecimento do vulto da dívida. Não reconheceu seu estado irremediável. Tinha esperança de livrar-se a si mesmo. ‘Sê generoso para comigo’, disse ele, ‘e tudo te pagarei.’ Assim há muitos que esperam por suas próprias obras merecer a graça de Deus. Não reconhecem a própria incapacidade. Não aceitam como dádiva liberal a graça de Deus, antes procuram apoiar-se em justiça própria. Seu coração não está quebrantado nem humilhado por causa do pecado, e são severos e irreconciliáveis para com os outros. Seus próprios pecados contra Deus, comparados com os do irmão para com eles, são como dez mil talentos contra cem dinheiros – quase um milhão contra um, e ainda ousam ser irreconciliáveis." – Ellen G. White, Parábolas de Jesus, pág. 245-247.

PERGUNTAS PARA CONSIDERAÇÃO:

1. Leia Mateus 18:24-35. Qual é o objetivo da história? Como reconciliar esta história com o conceito de justificação somente pela fé? Perdoar os outros nos torna merecedores de ser perdoados por Deus?

2. Como você entende o papel da graça no perdão? Você percebe uma semelhança entre o perdão e a graça? O perdão não é uma manifestação de graça?

3. Como responder a uma pessoa que afirmasse que, mesmo como cristão, seria impossível perdoar, por exemplo, o assassino e estuprador de sua filha?


Auxiliar e Comentários Adicionais


Esboço

Texto-Chave: Colossenses 3:13

Objetivos:

1. Mostrar que o perdão é uma via de duas mãos.

2. Destacar que perdoar pode ser difícil, especialmente quando foi cometida uma grande injustiça.

3. Mostrar que, pela graça de Deus, nós podemos perdoar.

Esboço:

I. A necessidade de perdoar (Efés. 4:32).

A. O perdão é fundamental para a fé cristã

B. Nós nos perdoamos porque Cristo nos perdoou e, como cristãos, devemos ser como Ele é.

II. Por que e como perdoar os outros (Mar. 11:25).

A. Perdoamos para nos livrar da raiva e do ódio.

B. Perdoamos para ser testemunhas ao mundo do Deus a quem servimos.

C. Perdoamos para podermos quebrar o ciclo de ódio e violência.

D. A compreensão do perdão de Deus e do que aconteceu na Cruz nos ensina como perdoar.

III. Nossos inimigos, justiça civil e perdão (I Ped. 2:13 e 14).

A. Só Deus pode substituir o ódio a um inimigo pela compaixão.

B. O perdão não elimina as conseqüências legais de um crime.

Resumo:

Quando Jesus orou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Luc. 23:34), Ele estava orando por aqueles que bateram nEle brutalmente, O esbofetearam, rejeitaram-nO e O condenaram injustamente à morte. Como nosso exemplo, Ele mostrou como perdoar.

Por que perdoar?

Ao longo das lições deste trimestre, estudamos o papel do perdão sob diversas perspectivas. Esta lição se concentra em um aspecto que pode ser bastante difícil – a necessidade de perdoar aqueles que nos ofenderam.

Às vezes é fácil dizer "eu perdôo você". Mas nem sempre é fácil trazer essas palavras à realidade. Quando alguém nos ofende, a tendência natural é desejar o pior para aquela pessoa. Sem o amor de Cristo em nosso coração, não existe maneira de perdoarmos verdadeiramente.

O verdadeiro perdão segue o modelo do perdão de Deus aos nossos pecados. Envolve "domínio próprio ou paciência para com palavras ou atos públicos... e também o hábito de ignorar interiormente as falhas, injustiças ou debilidades de outros."SDA Bible Commentary, vol. 7, pág. 212.

O perdão verdadeiro também envolve um interesse genuíno pelo outro. Quando Cristo perdoou Seus algozes na Cruz, Ele demonstrou este aspecto do perdão. Demonstrou o mesmo quando purificou o templo. Daquela ocasião está escrito que "não era propósito de Cristo humilhar os oponentes. Não Se alegrava em vê-los em situação difícil". – Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, págs. 594 e 595. Ele estava bem ciente do perigo eterno que Suas escolhas e ações poderiam trazer, e aquele pensamento era doloroso para Ele. Ele desejava o melhor, mesmo para Seus inimigos.

Um resultado do perdão de Cristo aos nossos pecados é que temos a oportunidade de nos tornar "mais fortes na esperança, na perseverança, no caráter e na certeza do amor de Deus."SDA Bible Commentary. Vol. 6, pág. 526. O scrifício de Cristo "abriu o caminho, de maneira que o mais pecador, necessitado, opresso e desprezado pode achar acesso ao Pai."O Desejado do Todas as Nações, Pág. 113.

"O cristão verdadeiramente convertido nunca perde o senso de indignidade que experimentou quando rendeu a vontade a Cristo pela primeira vez. ...[Sua] única proteção é lembrar da caverna que ele havia ‘cavado’ (Isa. 51:1; cf. Sal. 40:2), não confiar no eu e submeter alegremente sua vontade aos desejos de Deus a cada dia." – SDA Bible Commentary, vol. 7, pág. 290. Assim, não podemos perdoar verdadeiramente alguém que tenha nos ofendido a menos que nos submetamos diariamente aos desejos de Deus, como Cristo fez enquanto vivia na Terra.

Quando tomamos ciência do sacrifício insondável que Cristo fez para perdoar nossos pecados, percebemos que "nós mesmos devemos tudo à livre graça de Deus" e um sentimento de humildade pela graça que nos foi estendida deve nos motivar para "que esta graça seja revelada a outros". – Ellen G. White, Parábolas de Jesus, pág. 250. Devemos ser humilhados pelo preço que Deus pagou pela nossa redenção. "O perdão à humanidade foi comprado a um custo infinito, embora nada custe aos homens, exceto o sacrifício de algum orgulho pessoal, a fim de perdoar aos outros." – SDA Bible Commentary, vol. 5, pág. 348.

A oferta do perdão aos outros afeta o perdão de Deus a nós. "Aquele que está pouco disposto a perdoar os outros não merece ser perdoado. Além disso, perdoá-lo seria tolerar seu próprio espírito irreconciliável. ... Só quando estamos em paz com nossos semelhantes podemos estar bem com Deus."SDA Bible Commentary, vol. 5, pág. 348.

Nós oramos: "Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores". Se quisermos ser sinceros nesta oração, será melhor não guardar nenhum rancor contra outros.

Um espírito perdoador pode tornar a vida mais agradável para todos. Ellen G. White assinala que as "palavras amáveis nunca são perdidas. Jesus as registra como ditas a Ele mesmo. Semeie sementes de generosidade, amor e ternura, e elas florescerão e produzirão frutos". – Comentários de Ellen G. White, SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1.118. Mas um espírito não perdoador tem o potencial de provocar devastação. Charles Stanley explica que "[um espírito irreconciliável] é um veneno capaz de arruinar não só a sua vida, mas a vida dos que estão ao seu redor também". – "Prefácio", The Gift of Forgiveness. Um espírito não perdoador pode afetar não só a sua relação com a pessoa que recusa perdoar, mas também as relações que tem com outros (veja pág. 20). Esse espírito cheio de amarguras também pode afetar a pessoa que abriga esse sentimento. "A pessoa é deixada com um profundo senso de vazio, uma sensação interna de que está faltando algo" (pág. 22). Sentimentos de raiva e amargura não resolvidos podem afetar a saúde. Um espírito irreconciliável também pode "levar [os que você recusa perdoar] a irar-se e pecar." – SDA Bible Commentary, vol. 5, pág. 837.

Um espírito perdoador traduz-se em tolerância. O cristão não devolve violência com violência. O cristão "‘vence o mal com o bem’ (Rom. 12:21) e ‘amontoa brasas vivas’ sobre a cabeça de quem o ofende (Prov. 25:21 e 22). ...

"O cristão não luta pelo que considera serem seu direitos. Ele se submete à perda em lugar de procurar oportunidade para provocá-la."SDA Bible Commentary, vol. 5, pág. 339.

Estudo Indutivo da Bíblia

Textos: Mateus 5:38-48; Efésios 4:29-32; Colossenses 3:12-14; I Pedro 2:21-25.

1. A vida não é justa. São cometidos crimes e injustiças todos os dias de todas as formas concebíveis, e não temos controle sobre a maioria deles. O que está sob nosso controle é como respondemos a esses atos de injustiça. Deus não nos deu a responsabilidade de tornar a vida mais justa, mas de responder à injustiça de uma forma semelhante a Cristo. Mencione alguns dos problemas insolúveis do mundo para os quais o perdão cristão poderia ser o começo de uma solução muito aguardada.

2. O perdão é útil só no domínio da religião? Ou é um caminho para romper barreiras entre cristãos e não-crentes? Leia Mateus 5:43-48. Como os ensinos de Cristo sobre as relações humanas começam a construir um mundo melhor? Quanta influência um perdão cristão pode ter sobre a sociedade que nos rodeia?

3. Estudos científicos indicam que os cristãos vivem mais do que pessoas que não têm fé. Parte disso é porque os cristãos têm um sistema de apoio, tipo de segunda família. Parte disso é porque eles têm fé em um poder de fora de si mesmos. Que parte da longevidade de um cristão pode ser atribuída ao fato de que por causa do perdão os cristãos não precisam combater a culpa nem perder o sono por injustiças cometidas contra eles?

4. Perdoar não é o mesmo que esquecer. O milagre do perdão cristão é que assim como algumas pessoas cometem atos premeditados de crueldade e ódio, alguns cristãos podem adotar deliberadamente o mesmo espírito de Jesus, que perdoou os que O crucificavam. Ninguém vai esquecer o que Jesus passou para comprar nossa salvação. Podemos alguma vez esquecer a dívida que temos diante de Deus por Seu perdão? Nossos atos de perdão serão esquecidos?

Testemunhando

Calvino nunca perdoou seu pai por segurar uma arma de fogo junto à cabeça da sua mãe enquanto ele e suas irmãs observavam horrorizados. Quando se tornou adulto, Calvino descobriu o segredo de que o único pai que ele conhecia não era seu pai biológico. Calvino ficou tão magoado que, para não ter que enfrentar seu padrasto, ele se recusou a comparecer ao enterro de sua mãe.

É possível que eu não possa ser salvo a menos que perdoe alguém que me ofendeu? O que a Bíblia diz? "Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos Céus não perdoará os seus pecados" (Mar. 11:26, NVI). Palavras duras. Precisamos levá-las a sério. Sem o perdão de Deus, o pecado permanece.

O que existe no coração que não sabe perdoar? Ressentimento, amargura, hostilidade, rancor. Na raiz de cada um desses sentimentos prejudiciais existe ira, ira não resolvida. A ira é uma emoção natural. Mas quando é alimentada, pode levar a qualquer e a todas as emoções mencionadas acima e podem levar ao ódio. Só podemos esperar que Calvino tenha finalmente encontrado forças em seu coração para perdoar o único pai que ele conhecia. Partilhando as boas-novas de salvação, vamos contar aos outros que devem perdoar. Mas Deus não nos deixa impotentes. Ele não só nos perdoa, mas também dá o poder para perdoar-nos mutuamente. Os que sentem que não podem perdoar precisam saber que pelo poder de Deus eles podem perdoar, devem perdoar. O perdão é uma escolha que só nós podemos fazer.

Aplicações à vida diária

Ponto de partida:

Diga o que você pensa: "Uma charge na revista The New Yorker mostrava um pai exasperado dizendo ao filho pródigo: ‘Esta é a quarta vez que nós matamos o bezerro cevado’. Deus faz isso repetidas vezes em nossa vida." – Bruce Larson, Setting Men Free. Citado por Charles R. Swindoll, em The Tale of the Tardy Oxcart and 1,501 Other Stories, pág. 214.

Perguntas para consideração:

1. "Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sal. 30:5). O que sobra quando uma pessoa perdoa? O que sobra quando uma pessoa recusa perdoar? Quem precisa de mais consolo, o que perdoa ou a que não perdoa? Explique sua resposta.

2. O método "lábio superior duro" funciona bem quando perdoamos ou somos perdoados, ou uma abordagem mais transparente é mais produtiva? Que idéias Jeremias 31:3 e II Timóteo 2:24 e 25 trazem?

Perguntas de aplicação:

1. A maior chave para saber perdoar é compreendendo como nós mesmos fomos perdoados. Deste modo, o verdadeiro perdão é encontrado ao pé da Cruz. O que realmente aconteceu na Cruz é que nos permite ser perdoados, não importa o que tivermos feito. Se entender isso, isto é, o que aconteceu na Cruz, e o preço pago para perdoar, você poderá começar a entender como pode perdoar os outros.

2. Os programas de computador são preparados para funcionar em vários idiomas. Nos principais editores de textos, o usuário clica em Ferramentas, em Idioma, e então seleciona o idioma desejado. A conversão afeta todas ferramentas de escrita que usam um módulo dos idiomas: Verificador Ortográfico, Enciclopédia, Gramática, Hifenização etc. Mas o idioma pode só ser convertido se o módulo do novo idioma tiver sido comprado e instalado. Quando decidimos perdoar, precisamos "acessar" a mente de Cristo. Quando o "módulo" da nova mente foi assegurado? Quando foi instalado? Qual é o ponto de partida para converter para a mente de Cristo? Qual é o caminho? Que áreas da vida a nova mente afeta?