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LIÇÃO 8 – LEALDADE

Pr. Samuel Muniz Bastos


Pastor distrital em São Luís, MA

Na semana passada estudamos o que vem depois do perdão: amor a Deus como reconhecimento da graça. Esta semana veremos mais uma coisa que procede da gratidão que reconhece o perdão: Lealdade.

Amor e lealdade são frutos naturais de um coração que olha para a cruz diariamente e avalia o preço do resgate pago ali.

Quero tornar mais claro o assunto desta semana contando uma rápida história: Em um mercado de escravos numa localidade da América do Sul estava um homem que verificava os escravos ali expostos. De maneira pausada olhava um por um. Havia ali um escravo, velho, maltratado pelas agruras da vida e que já não tinha tanto vigor.

O homem olhou detidamente para o velho escravo, que lhe dava em retorno um olhar de desprezo por imaginar que aquele seria mais um patrão tirano. O homem pagou o preço do escravo e em seguida lhe disse: você está livre, eu o comprei para libertá-lo. Após tirar-lhe as algemas disse-lhe para seguir adiante pois era um homem livre.

O velho ex-escravo atônito com a situação, num misto de alegria e gratidão volveu-se para o homem que o livrou e disse: senhor, quero em gratidão servir-te livremente pelo resto da vida.

Essa é uma representação precisa do que Deus fez por nós e do que deveríamos fazer por Ele, pois diz a Bíblia: "Eu Sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim" (Êxo. 20:2 e 3).

É bom lembrarmos que a lei não tem intenção de ser meio de salvação. Foi entregue para os israelitas no Sinai após terem sido redimidos do Egito mediante poder e sangue. Deus os restaurou a uma justa relação com Ele pela graça. O Senhor deu a lei como algo que ajudasse Israel a continuar sendo seu povo e a ter uma relação mais íntima com Ele. O motivo que os levaria a cumprir a lei deveria ser o amor e a gratidão a Deus por havê-los redimido e feito filhos seus.

Em Êxodo 20:2 Deus deixa bem claro os indicativos da Sua graça, que libertou Israel após séculos de escravidão e tortura, e o verso 3 começa mostrar os imperativos da Sua justiça, que seriam cumpridos pelo poder conferido pela graça.

A abordagem inicial da lei revela por trás da letra do mandamento um princípio de lealdade. Por que inicia assim?

– Poderia ser uma advertência contra o politeísmo dos vizinhos de Israel, era também uma prevenção para o interior da vida, porque lealdade não é medida só por ações, mas por pensamentos também.

– Outra razão é que Deus é fiel, leal por totalidade: "Saberás, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que O amam e cumprem os Seus mandamentos" (Deut. 7:9).

"Deus é fidelidade, e não há nEle injustiça; é justo e reto" (Deut. 32:4).

Deus libertou totalmente os israelitas e não a metade. Era totalmente fiel à Sua parte na aliança. Poderia Ele esperar menos? "Santos sereis, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, Sou santo" (Lev. 19:2).

– Em terceiro lugar, se Deus Se entregou por inteiro para salvar, o homem tem que se entregar por inteiro para adorar. "Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração" (Jer. 29:13).

Coração dividido é território de ninguém. Lealdade dividida ou relativa é deslealdade absoluta. "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro..." (Mat. 6:24).

George R. Knight diz o seguinte sobre esse texto: "Os escravos achavam-se sob o domínio de seus senhores que podiam fazer deles o que quisessem... outra coisa é que os escravos não tinham tempo para si mesmo. Todo o seu tempo pertencia a seu senhor. Se os cristãos, pois, forem servos de Jesus, sempre levarão a vontade de Deus em consideração em tudo que fizerem... todas as horas, todos os dias eles vivem para Deus. Deus não tem devotos de tempo parcial, que O servem durante o expediente, mas que fazem um bico para algum outro senhor em seu tempo livre." – Caminhando com Jesus, [Meditação Matinal, 2001], pág. 252).

– Você é totalmente leal a Deus?

– E quando as exigências dele se chocam com os teus interesses e sentimentos?

– Você é servo ou patrão de Deus? Aceita o que Ele diz ou diz o que Ele deve fazer?

Submissão Sincera

Não ter outros deuses além de Deus, implica na possibilidade de escolher. Quer o homem queira ou não, estará sempre sujeito a alguém. Não existe liberdade absoluta – nem no mundo natural nem na sociedade humana. A liberdade que o homem tem é de escolher a quem se submeter.

"Não existe posição neutra. Aquele que não está completamente ao lado de Deus, para todos os efeitos e propósitos práticos, está do lado do diabo. Luz e trevas não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. É impossível servir ambos, Deus e mamom, porque suas demandas são irreconciliáveis." – SDA Bible Commentary, vol. 5, pág. 351.

É por causa dessa incompatibilidade que Jesus afirmou que a grandeza do primeiro mandamento da lei é: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento" (Mat. 22:35-38, NVI).

Coração, alma e entendimento (Mat. 22:35-38) ou coração, alma e força (Deut. 6:5) implica na totalidade do ser humano. O amor a Deus tem que dominar cada aspecto do ser humano. A santificação tem que abranger cada aspecto do seu ser: espírito, alma e corpo (I Tess. 5:23).

As palavras de Moisés (Deut. 6:5), Jesus (Mat. 22:35-38) e Paulo (I Tess. 5:23) apontam para a integralidade do ser todo. O espírito é o homem interior. Deve ser o lugar da habitação de Deus. "Desde os séculos eternos era o desígnio de Deus que todos os seres criados, desde os luminosos e santos serafins até ao homem, fossem um templo para a morada do Criador." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 161. A essência do espírito é a consciência. É por intermédio dela que Deus nos convence e dirige.

A alma é a mente humana, cujo centro é a vontade. É na alma que se encontra a capacidade de escolher e tomar decisões. O corpo é a parte externa e visível do ser. É o painel do interior. Em Romanos 12:1 Paulo insiste que apresentemos nossos corpos como "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus".

Há um texto no Velho Testamento que pode muito bem ilustrar a verdade da entrega total ao lado desses que já citamos. É Levítico 8:23. "E Moisés o imolou, e tomou do seu sangue, e o pôs sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito." O que isso significa?

Que a família de Arão foi chamada para o ofício sumo-sacerdotal e agora estava sendo empossada e capacitada. Era necessário que se entregasse inteiramente para esse ministério.

A aspersão do sangue do cordeiro sobre a orelha era uma representação da entrega mental de Arão. Seus ouvidos, olhos, boca, sentimentos, pensamentos e propósitos precisavam ser consagrados pelo sangue do cordeiro.

O polegar direito, na mão direita simboliza as ações, trabalho, atitudes e força física que também deveriam ser usadas no santuário. Os pés podem representar as veredas do homem, que precisam estar na mão de Deus. "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará" (Sal. 37:5).

Em suma, da cabeça aos pés, Arão estava molhado pelo sangue do cordeiro, sinal de entrega e devoção total. Será que Deus espera menos de nós? Se queremos que Deus domine nossa vida precisamos abrir-lhe todos os cômodos da alma.

– Deus é Senhor total de sua vida?

– Você acha que é possível ser feliz com a afeição dividida?

– Há algum aspecto da sua vida que não é inteiramente de Deus?

Lembre-se, a única maneira de Deus operar na vida de Naamã era se ele se submetesse à orientação de Deus. Somente quando ele mergulhou sete vezes (totalidade) e com todo o corpo é que o milagre ocorreu. O mesmo será conosco.

Deus e o Dinheiro

O dinheiro em si é neutro, mas ninguém é neutro quanto a ele. Eu até acho que o dinheiro é uma bênção. A Bíblia afirma que o "amor" ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tim. 6:10).

Existem três textos em Eclesiastes que formam uma interessante teologia do dinheiro. No capítulo 10 verso19 é dito que "o dinheiro atende a tudo". Será? Acredito que esse "tudo" é restritivo. De maneira invertida, ou seja, sem seguir a ordem crescente dos capítulos, Salomão esclarece mais sobre o dinheiro.

Em Ecl. 7:12 è dito: "A sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor." Aqui vemos que o dinheiro é útil, mas não atende a tudo, principalmente quando se trata de vida. Por que não dá vida? Porque "quem ama o dinheiro jamais dele se farta" (Ecl. 5:10) "e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (I Tim. 6:10).

O dinheiro tem seu lugar e importância na sociedade, mas o seu uso mostra que ele está mais para tirar do que dá a vida. Um exemplo clássico de perda da vida eterna por causa do dinheiro é o do jovem rico em Mateus 19:16-22.

O rapaz afirmou ser um bom religioso desde a infância. Guardava a lei, ia à escola Sabatina, era benquisto, admirado por todos, etc... Aparentemente tinha tudo. Jesus, porém lhe disse que lhe faltava "uma coisa". Essa "uma coisa" naõ podia ser substituída por nenhuma outra. O que faltava?

Faltava ele romper suas amarras de ouro para seguir Jesus e se tornar mais rico ganhando o tesouro que ele ainda não tinha. Só que aquele pobre menino rico não teve coragem de pôr o pé na estrada com Jesus e ficou sem entender que é mais gratificante viver na pobreza com Jesus, que num palácio de ouro sem Ele.

Esse jovem retrata muita gente na igreja hoje, que professa servir a Jesus. Livres na confissão, divididos na ação. O amor ao dinheiro e sua decisão por ele mostrou que o jovem nunca guardou a lei que diz: "não terás outros deuses diante de mim."

O jovem rico era, biologicamente, filho de Abraão, mas não parecia nada com o pai. Há vários pontos na vida de Abraão que fizeram dele o amigo de Deus e pai da fé. Eu vou mencionar três que foram negligenciados pelo jovem rico e por nós tantas vezes.

1 – Em Gênesis 12 Abraão ouve a palavra de Deus e obedece sem questionar. Abraão retrata a fé que obedece (ele já era rico, mas vai em busca de outro tesouro).

O jovem rico ouve a mesma voz de Deus, mas não obedece. Não caminha como Abraão rumo ao desconhecido.

2 – Em Gênesis 22:1-3 Abraão sacrifica o que lhe é mais precioso, o filho. É a fé que sacrifica. O jovem rico não ama a ponto de sacrificar o terreno pelo eterno.

3 – Em Gênesis 14:20 Abraão devolve os dízimos para o sacerdote de Deus. Ele não usa como quer, apesar dele ter trabalhado, guerreado e arriscado a vida. Essa é a fé que em gratidão reconhece e obedece.

O jovem rico não dá nem a Deus e nem aos pobres.

O que aprendo disto tudo? Em Gálatas 3:7 diz: "Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão." Se eu quero ser salvo pela fé ou já professo a fé em Jesus e falho num desses pontos, não sou filho de Abraão.

Muitas pessoas fazem do dízimo um cavalo de batalha ignorando que a maneira de Abraão agir é um modelo para o crente de hoje. Agir diferente disto é deslealdade para com Deus.

O jovem rico não é descrito pelo seu nome próprio, porque, acredito que fica mais fácil colocar nele o meu nome e o seu. Será que ele não retrata um pouco de cada um de nós?

Cuidado! Milhões de reais, em contraste com a promessa da eternidade não passam de uma pilha de lixo, e muita gente vai se perder por muito menos do que milhões de reais.

Outros Deuses

"Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor" (Jer. 9:23 e 24).

É popular o dito de que "quem tem a informação, tem o poder". Gregório Iriarte em seu livro Neoliberalismo Sim ou Não? diz que "no momento atual a educação é considerada como o investimento mais rentável, mesmo sob o aspecto econômico" (pág. 28). Estamos na era em que, quem sabe mais, vale mais.

Considerando que o homem passa grande parte do seu tempo buscando reconhecimento, não é bom para o ego a satisfação pelas realizações acadêmicas?

São poucas as pessoas que têm o privilégio de cursar uma faculdade. E são poucos os que reconhecem humildemente que a última prova do gênio é a simplicidade.

O pecado original consistiu em o homem transferir o centro de seu pensamento e de suas afeições de Deus para si mesmo. Mas o homem de Deus precisa entender que "a presunção, que cega e marca os medíocres, é substituída por um halo de humildade sincera que coroa os gênios e os santos. É que estes são conscientes das limitações que passam despercebidas aos menos esclarecidos". – S. Júlio Schwantes, Colunas do Caráter, pág.122.

Daniel era um gigante intelectual em Babilônia, no entanto, ele nos dá uma receita de lealdade a Deus pelo reconhecimento da limitação humana. "Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dEle é a sabedoria e o poder; é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; Ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes" (Dan. 2:20 e 21).

Daniel está ensinando à igreja de Deus que "o rio da humildade se abebera em duas fontes inesgotáveis: a da reverência ante a grandeza do Universo que nos cerca e ante a glória do Deus a quem adoramos, e a do reconhecimento de nossa insignificância individual. A primeira tem sua razão de ser fora de nós; a segunda, em nós mesmos. Não exige excepcional imaginação descobrir a primeira; o acesso à segunda é embargado pelo orgulho inato. O homem natural está fora de si. Quando, porém, ‘cai em si’, faz a grande descoberta que muda o rumo de sua vida. Reconhece que seu ‘eu’ só adquire significado numa vida centralizada em Deus." – Ibidem, pág. 123.

A vaidade cultural nunca pode ser um substituto para a fé. Nestes dias em que a Bíblia tem sido tão questionada, há necessidade que haja fé para aceitar e submeter-se à sabedoria de Deus nas proposições da Sua palavra. A verdadeira sabedoria está fundamentada na cruz, ante ela a cultura se orienta ou perde seu rumo (I Cor. 1:18-25).

Quanto à riqueza e poder, está escrito: "Não digas, pois, no teu coração: a minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é Ele o que te dá força para adquirires riquezas" (Deut. 8:17 e 18).

Dinheiro, cultura, entendimento têm seu lugar, mas a verdadeira lealdade está em entender que ou Deus está no controle ou não há lealdade.

É muito fácil ter aparência de piedade, ou seja, identificar-se teoricamente com a igreja e suas demandas, ter uma aparência externa de cristão, no entanto, viver sem o poder de uma vida consagrada, sem comprometer-se totalmente com Cristo. O maior problema da igreja hoje, é a falta de compromisso de seus membros com a doutrina e o estilo de vida.

Deus entregou o Céu todo na pessoa de Cristo para nós. Se formos leais precisamos demonstrar dando nosso ser todo para Deus.

Que essa seja nossa pregação e prática em nome de Jesus. Amém.