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LIÇÃO 7 – PERDOADOS PELO AMOR DE DEUS

Pr. Samuel Muniz Bastos
Pastor distrital em São Luís, MA

Quero começar a considerar a lição desta semana com o seguinte pensamento de Normam V. Peale: "O Universo é uma câmara de eco na qual você recebe de volta tudo o que dá. "

Deus e o homem são seres viventes nesse Universo moral e veremos pela lição o que Deus tem dado ao homem e se o homem tem ecoado o amor de Deus na medida da sua capacidade.

Existe alguma forma de medir e avaliar o amor de Deus?

Deus é a essência do amor e amor é a pura essência do ser de Deus. Se Deus é indescritível, infinito e incognoscível, assim é o seu amor. Querer medir Deus pela nossa capacidade mental é reduzi-lo a quase nada.

Mas, a despeito da nossa limitação, há visíveis indicadores do amor de Deus ao nosso redor que nos enchem de admiração.

"Nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (I João 4:19). O que torna esse amor tão relevante para mim é o fato de Deus Se incomodar grandiosamente com coisas tão ínfimas a ponto de ficar irrequieto: "Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa" (Isa. 62:1).

Davi continua exaltando a beleza do amor de Deus ao contrastar o poder divino e o mérito humano. "Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, e a Lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem que dele Te lembres? E o filho do homem, que o visites?" (Sal. 8:3 e 4).

"Que é o homem?" É o senso equivocado desse conhecimento que nos impede de ver a grandeza do amor de Deus.

A contemplação da imensidão das coisas criadas leva Davi a uma séria reflexão. Se toda essa grandeza foi criada e é maior que nós, qual o tamanho do homem ante o criador?

Às vezes eu tento me colocar no lugar de Davi, e penso que a luz percorre trezentos mil quilômetros em um segundo. Que é aproximadamente 1,70m (a minha altura) comparado a trezentos mil quilômetros?

Mas, "segundos" não são a limitação do cosmo. Há estrelas que estão a milhares de anos luz de outras. Um ano-luz são aproximadamente nove trilhões e meio de quilômetros.

O Sol que nos aquece é maior que o planeta Terra cerca de um milhão e trezentas mil vezes. Que é o homem? O Sol é só uma dos quatrocentos bilhões de outras estrelas desta galáxia. Os astrônomos acreditam que haja cerca de cem bilhões de galáxias e cada uma com bilhões de estrelas separadas por uma distância de milhares de anos-luz.

Não exageramos ao dizer que a Terra no Universo é como um grão de areia no deserto do Saara. Se a Terra é isso, que é o homem?

Acredito que Deus criou o Universo e Deus é maior que tudo o que foi criado. Davi não está cheio de razão quando pergunta "Que é o homem"? O meu coração fica cheio de alegria e reverência quando um Deus tão poderoso não Se aquieta incomodado pelo bem-estar de partículas tão pequenas em um Universo tão grande.

O amor de Deus fica em relevo quando penso também nos grandes homens desta terra. Você acha que George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, conversa natural e descontraidamente com os homens que fazem sua segurança? Ou que ele dá liberdade para qualquer agente dirigir-se a ele? Acredito que não. E ele é só um homem.

Quanto a Deus, Ele não só lembra do homem, como o visita, diz o salmista, apesar do homem ser tão pequeno e finito.

"Ele nos amou primeiro" (I João 4:19). Com que tipo de amor? "Com amor eterno Eu te amei" (Jer. 31:3). É lógico que a eternidade desse amor envolve o momento da criação do homem. A criação do homem implica em grande amor da parte de Deus.

Primeiro, na doação do sábado à humanidade o Senhor proporcionou um encontro entre a divindade e a humanidade, entre a eternidade e a temporalidade para entreter relacionamento com o homem. O homem não pode ir até Deus, este vem até o homem. Após o pecado o sábado é o dia em que o Céu desce à Terra e àqueles que entram nesse templo edificado no tempo e no espaço, Deus vem para restaurar o que se estragou durante a semana.

Segundo, quando Deus criou o homem, já sabia que este pecaria, e que tal criação resultaria em Sua morte. Mas ainda assim, não só criou como também proveu um plano de restauração. O auto-sacrifício de Deus começou na criação (Apoc. 13:8), a estrada final do pecado também.

Se isso não é amor, o que é então?

Mudando um pouco de assunto, a capacidade do homem amar é reflexo das digitais de Deus em nós. A evolução tem buscado suas maneiras de explicar isso, e uma delas é através da evolução teísta. Esta assume que todos os processos materiais são governados e dirigidos por Deus: e os processos evolucionários não fazem exceção.

Por ser uma tentativa de harmonizar o relato bíblico da criação com a explicação científica, a evolução teísta tem-se tornado o paradigma dominante entre os estudiosos evangélicos.

A igreja católica a defende a ponto de o Papa João Paulo II ter declarado que "Se o corpo humano tem sua origem em matéria pré-existente, a alma foi criada diretamente por Deus." (Revista Veja, 30 de out. de 1996, pág. 47). Isto daria à evolução natural a saída para explicar a até então inexplicável capacidade de amar que tem o ser humano.

Amigos, isto não passa de mais um plano de Satanás de tentar destruir a Bíblia sem na realidade dar fim a ela.

Você crê na Bíblia como única regra de fé e prática para o cristão?

Deus Enviou Seu Filho

Vimos algumas maneiras de Deus antecipar o Seu amor ao homem, mas nenhuma delas prodigaliza tanto amor como na cruz.

"Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dEle. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu filho como propiciação pelos nossos pecados" (I João 4:9 e 10).

Jesus Cristo estava consciente de todas as tragédias de Sua vida como homem e diante dEle pairava continuamente a sombra do calvário, "mas precisamente com este propósito vim", disse Jesus (João 12:27). O Seu amor era maior que Seu medo, aliás, o verdadeiro amor lança fora o medo (I João 4:18).

Há duas palavras que merecem destaque nos textos anteriores quando falamos no amor de Deus. São elas: "Enviou" (I João 4:9 e 10) e "Vim" (João 12:27)). Deus enviou Seu filho, mas não O obrigou; o filho veio por livre consentimento.

Há amor nisso? Sim, pois, "se o Pai deu o Filho, deu-Se a Si mesmo. Embora o cálice do Getsêmani simbolizasse a ira de Deus, ele foi dado pelo Pai (João 18:11) e voluntariamente tomado pelo Filho. Embora o Pai tenha enviado o Filho, o mesmo Filho veio. O Pai não colocou sobre o Filho uma carga que não estava disposto a carregar, nem o Filho extraiu do Pai uma salvação que este estava relutante a conceder." – John Stott, A Cruz de Cristo, pág. 137.

"A morte de Cristo prova o grande amor de Deus pelo homem. É o penhor de nossa salvação. Remover do cristianismo a cruz, seria como apagar do céu o Sol. ... Com a enternecedora compaixão do amor de um pai, Jeová considera o sofrimento que Seu Filho teve de suportar para salvar a raça da morte eterna. ... Sem a cruz não teria o homem união com o Pai. Dela depende toda a nossa esperança. Daí brilha a luz do amor do Salvador. " – Atos dos Apóstolos, pág. 209.

Quero fazer mais uma consideração sobre o amor de Deus em Cristo. George Buttrick fala acerca de um quadro que ele viu numa igreja italiana. "À primeira vista é como qualquer outra pintura da crucificação. Quando a pessoa examina mais atentamente, contudo, percebe a diferença pois há uma grande e ensombreada figura atrás da figura de Jesus. O cravo pregado na mão de Jesus atravessa até a mão de Deus. A lança que lhe trespassa o lado chega até Deus." – A Cruz de Cristo, pág. 143.

Eu não tenho palavras para descrever o amor de Deus em ter enviado Jesus. Se algum dia o homem conseguir tal coisa, terá se tornado maior que Deus.

O amor de Deus é desinteressado? Se fosse desinteressado não seria amor. A diferença é que o interesse de Deus não é maculado pelo pecado, é salvífico, "porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

Se o amor não tivesse interesse a cruz teria sido em vão. O interesse de Deus é salvar.

Amar a Deus

Volto agora ao pensamento com o qual iniciei este comentário. "O Universo é uma câmara de eco na qual você recebe de volta tudo o que dá."

Deus tem recebido de volta alguma coisa? Sim. Quando não é desprezo é impropérios pelos que muito falam e nada vêem; é uma aberração egocêntrica, fria e amarga que erroneamente às vezes chamamos de cristianismo.

Só há um lugar no Universo a partir do qual daremos uma correta resposta ao amor de Deus; é ao pé da cruz. Se a cruz e o que ela representa para nós não fizer amarmos ao Senhor, nada o fará. A contemplação da cruz é o primeiro passo e a motivação para respondermos a Deus em amor.

"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos" (I João 5:3).

"Quando, como seres pecaminosos e sujeitos ao erro, chegamos a Cristo e nos tornamos participantes de Sua graça perdoadora, surge o amor em nosso coração. Todo peso se torna leve; pois é suave o jugo que Cristo impõe. O dever torna-se deleite, o sacrifício prazer." – Caminho a Cristo, pág. 59.

A observância da lei não nos salva, mas mostra de que lado nós estamos. Revela o partido que tomamos no grande conflito entre Deus e Satanás. Demonstra se aceitamos por completo os princípios de vida que o Céu tem para o homem e mede a qualidade do meu amor a Deus.

A aceitação da vigência e guarda da lei funciona como um termômetro da fé, pois se eu professo crer em Deus e questiono suas normas para a vida, que fé é essa? Quando eu questiono não estou querendo impor minha razão sobre a de Deus?

Se Ele já disse que a maneira de eu demonstrar amor para com Ele é pela observância dos mandamentos, desviar-me disso é incorrer no pecado de Caim que recebeu uma orientação e a cumpriu a seu modo e não conforme a orientação. O resultado foi o desagrado de Deus. Enquanto isso Abel creu para obedecer conforme a orientação e foi justificado e aprovado por Deus (Heb. 11:4).

Não há amor sem lei, pois o amor precisa da lei para se orientar e a lei precisa do amor para se inspirar, já dizia o pastor Elias Brasil.

Infelizmente muitos que se dizem cristãos têm confundido justificação pela fé com anarquia espiritual. Desses pode ser dito que "no tocante a Deus, professam conhecê-Lo; entretanto, O negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tito 1:16).

Boa obra é aquela que materializa a fé que atua pelo amor (Gál. 5:6).

Andando em Amor

O maior beneficiado com a guarda dos mandamentos não é Deus e sim o homem.

"Se diligentemente ouvirdes a Minha voz e me obedecerem fielmente e guardardes a Minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos. ... Vós Me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Êxo. 19:5 e 6).

A obediência dos israelitas deveria ser uma resposta de amor em reconhecimento e gratidão pela libertação do Egito, tipo da libertação do mundo e do pecado. A guarda da aliança era um sinal visível da aceitação da salvação e uma maneira externa de viver princípios fundados no coração. O resultado era o especial status de ser uma nação santa, um reino de sacerdotes.

"Mas notai aqui que a obediência não é mera aquiescência externa, mas sim o serviço de amor. A lei de Deus é uma expressão de Sua própria natureza; é uma corporificação do grande princípio do amor, sendo, daí o fundamento de Seu governo no Céu e na Terra. Se nosso coração é renovado à semelhança de Deus, se o amor divino é implantado na alma, não será então praticado na vida a lei de Deus?" – Caminho a Cristo, pág. 60.

Nós vivemos na nova aliança e a nova aliança não propõe a mudança da lei mas do coração, para a internalização dos princípios da lei de Deus (Jer. 31:33; Ezeq. 36:26; Heb. 10:16).

A vida exterior do crente não se reduz a um manual de "faça ou não faça", porque a questão do fazer não é tão relevante quanto o ser, e o que ele faz é só um indicador do que ele tem e é no íntimo.

Se você tem os dez mandamentos escritos no coração então sua vida se traduzirá na prática nos princípios por trás de cada preceito. Na minha concepção os princípios são os seguintes, de acordo com a seqüência dos mandamentos:

  1. Lealdade
  2. Adoração
  3. Reverência
  4. Santificação
  5. Respeito às autoridades
  6. Preservação
  7. Fidelidade
  8. Honestidade
  9. Veracidade
  10. Contentamento

O valor dessas palavras vai muito além da letra. Elas não são exaustivas, são apenas sugestivas.

Eu penso que uma vida praticante desses princípios não deixaria de causar um profundo impacto sobre outras vidas. O mundo está cansado de teóricos da religião e sedento de praticantes do amor de Deus, por isso "não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade" (I João 3:18).

Eu e você podemos ser uma grande bênção neste mundo, ou uma maldição: tudo depende da maneira como vivemos a verdade.

Que tal sermos mais comprometidos com Deus em nosso estilo de vida?

O Cumprimento da Lei

"O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rom. 13:10).

A maior expressão de amor de Deus foi feita na cruz. Seu amor seguiu um padrão de exteriorização em conformidade com Seu ser auto-coerente. A relação de Deus com a lei não é de sujeição nem de subestimação, mas de identidade. Ela é a expressão do Seu ser moral.

O que quero dizer é que a maneira de Deus amar não desloca a lei do seu lugar nem a altera. Se isso pudesse ser feito, não haveria necessidade de tanta agonia no calvário.

A questão é que se Deus ama em conformidade com Ele mesmo e Sua lei, quando eu professo que tenho a Deus na vida e O amo mas desprezo Sua lei estou em completa contradição entre profissão e ação.

Por isso João afirma que "aquele que diz: eu O conheço e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade" (I João 2:4).

A afirmação de que podemos só amar e faremos automaticamente a coisa certa descamba numa ética orientada pelo eu e pela situação. Não basta só ter boa vontade é preciso ter a informação correta. A amor precisa da lei para se orientar, pois a lei é o termômetro que mede a resposta de amor do homem a Deus. Guardar a lei é manifestação específica de amor.

Como se traduz isso na prática? "Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo" (Gál. 6:2).

"Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, ... compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, ... alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram, ... esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; ... se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber" (Rom. 12:10,13-15,17 e 20).

Encerro afirmando que o mundo precisa do toque de Jesus que pode ser dado através das minhas mãos. O cristianismo não é para ser rótulo e sim estilo de vida. Muitos homens amam o poder, mas poucos têm o poder de amar.

Lembre-se, a porta entre nós e o Céu nunca se abrirá enquanto estiver fechada a que fica entre nós e nosso próximo.

Que o poder da nossa vida seja a vivência do amor.

Oxalá eu e você sejamos bondade em carne e osso. Amém.