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LIÇÃO 13 – VIVENDO A VIDA DE FÉ

Pr. Samuel Muniz Bastos
Pastor distrital em São Luís, MA

Neste trimestre, embarcamos juntos em uma aventura de descobertas surpreendentes acerca do perdão de Deus e o que ele pode fazer na vida humana. Agradeço a Deus por ter auxiliado algumas pessoas com estes comentários, mas a gratidão maior é porque aprendi muitas coisas novas sobre o perdão, sua necessidade e prática diária.

Encerrando o trimestre, veremos a partir de agora o assunto da fé. Arrependimento e fé são dois elementos essenciais no processo da salvação. O arrependimento já foi analisado anteriormente; agora, veremos a fé e suas implicações.

"Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé" (Rom. 1:17).

A fé é de suma importância para nós, e vital na experiência cristã. A Bíblia declara que somos salvos pela fé: "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa" (Atos 16:31; Efés. 2:8; Rom. 5:1); enriquecidos pelo Espírito pela fé (Gál. 3:5 e 14); Santificados pela fé (Atos 26:18); guardados pela fé (I Ped. 1:5; Rom. 11:20); estabelecidos pela fé (Isa. 7:9); curados pela fé (Tia. 5:15; Atos 14:9); andamos pela fé (II Cor. 5:7); e só podemos agradar a Deus pela fé (Heb. 11:6).

Todos esses benefícios extraídos da Bíblia, servem para nos mostrar quão importante é a fé. Mas o que é fé? Às vezes alguns termos são confundidos com fé, são eles: "crença", "esperança", "a fé".

Crença é usada como se fosse fé, mas ela denota apenas um elemento da fé, o intelectual. Esperança tem a ver exclusivamente com o futuro, enquanto a fé envolve passado, presente e futuro. Por "a fé", queremos dizer a soma total da doutrina cristã entregue aos santos (Atos 6:7; I Tim. 4:1 e 10; Judas 3).

A palavra que o Velho Testamento mais usa para a fé, crer, é confiança. Quando queremos conceituar fé, imediatamente pensamos em Hebreus 11:1 "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem". Estas palavras não são uma exaustiva definição de fé, mas ampliam nossa visão e mostram a atuação da fé.

Não é fácil definir fé, mas sabemos que na conversão o arrependimento é o voltar-se para Deus. É um ato do coração que envolve uma transação intelectual, emocional e volitiva.

1 – Elemento Intelectual:

"Como, porém, invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão nAquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Rom. 10:14 e 17).

Este elemento inclui a crença na revelação de Deus tanto na natureza, quanto nos fatos históricos da Bíblia e suas doutrinas ali ensinadas.

2 – Elemento Emocional:

É como o despertar da alma para suas necessidades pessoais e a aplicabilidade pessoal da redenção fornecida por Cristo, juntamente com um assentimento imediato a essas verdades. Às vezes é um despertar instável que necessita de repetições ou contínuos reavivamentos. Passagens como Sal. 106:12 e 13; Mat. 13:20 e 21; João 8:30 e 31 enfatizam esse elemento.

3 – O Elemento Voluntário:

"Certamente, ninguém que não apropriar voluntariamente a Cristo pode ser salvo, e ninguém pode obter respostas às suas orações se não receber de todo coração a promessa de Deus." – Henry C. Thiessen, Palestras em Teologia Sistemática, pág. 275.

O elemento voluntário inclui:

● A rendição do coração a Deus.

"Crê no Senhor Jesus" (Atos 16:31). Crer nEle como Senhor é reconhecê-Lo como Senhor; e não podemos reconhecê-Lo como Senhor a não ser que abdiquemos o nosso próprio eu (cf. Mat. 11:28 e 29; Prov. 23:26; Luc. 14:26 e 33).

"Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo" (Luc.14:33).

● A apropriação de Cristo como Salvador.

"Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome" (João 1:12; 4:14; 6:53; Apoc. 3:20).

A pessoa enferma tem que se render a seu médico, mas tem também que apropriar o remédio para sua doença.

A fé é um dom de Deus (Efés 2:8). Não é uma obra que resulta em salvação, mas é uma condição necessária para que ele ocorra. A rendição a Deus prepara nosso coração para acreditar na salvação, no perdão e nas promessas, e essa fé dá ousadia, coragem para com reverência reivindicá-las.

Ninguém pode viver à vista de Deus sem ser justo e ninguém é justificado sem se apropriar da justiça de Cristo pela fé, de modo que a fé é vital para o crente, aliás ninguém é crente sem a fé com todos os seus elementos.

É mais fácil viver a fé que explicá-la, pois ela amadurece e cresce na proporção em que nos relacionamos com o seu objeto: O Senhor Jesus Cristo.

– Quanto tempo do dia temos dedicado ao fortalecimento do relacionamento com Cristo?

– Como pode haver relacionamento se não há diálogo? Ler a Bíblia é ouvir a Deus. Orar é falar com Deus.

Completos em Jesus"E por estarem nEle, que é o cabeça de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude" (Col. 2:10, NVI).

Perceberam que o texto diz que não é ter o nome na igreja, ou fazer parte da Sociedade JA, que nos dá a plenitude, e sim "o estar" em Cristo.

O que significa estar em Cristo? Significa a aceitação e permanência no compromisso declarado público pelo santo batismo. Para que permanecer em Cristo? "E, assim, habite Cristo em no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor... para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus" (Efés. 3:17 e 19).

O perdão de Deus não é simplesmente uma declaração nos tornando justos, mas é um poder em forma de mão que nos tira do fundo do poço, do qual não podíamos sair; limpa-nos da lama (I João 1:7 e 9), e troca nossas vestes sujas dando-nos os finos trajes da justiça de Cristo (Zac. 3:4; Apoc. 19:10).

Esse perdão nos dá perspectivas maravilhosas. É como se fosse o abrir dos portais do paraíso. Libertação, o dom do Espírito Santo, promessa de poder para vencer, um novo estilo de vida, esperança, paz e segurança quanto ao futuro são algumas poucas das infindáveis provisões da cruz. "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Rom. 8:32).

Qual é a principal coisa que Deus nos quer dar? Ele mesmo em plenitude. "Para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus" (Efés 3:19). Com isso se processa? "Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas... até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Efés. 4:10 e 13).

O crescimento de Cristo em nós é gradual e precisa ser diário, e, ultrapassará as fronteiras deste mundo e continuará sendo um processo pela eternidade sem fim. Mas, ainda que, neste mundo, esse crescimento precisa ser grande o suficiente a ponto de dizermos "já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gál. 2:20).

Como podemos alcançar a plenitude de Cristo ainda que neste mundo? "Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai... sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo" (Efés. 5:19-21, Col. 3:16).

Em uma palavra, a resposta é: "comunhão". Uma comunhão plena nos dará poder para um testemunho pleno falado e vivido. É impossível viver a vida da fé e do autor e consumador da fé, sem tempo para comungar e alimentar essa fé.

Você quer ser pleno de Cristo, seja da Sua palavra. Leia-a para ser sábio; creia-a para ser salvo; pratique-a para ser santo. Amém.

Seguir a Cristo

"O único homem que tem o direito de dizer que está justificado pela graça é aquele que deixou tudo para seguir a Cristo." – Dietrich Bonhoeffer.

O autor dessa sentença fala com a autoridade de quem a viveu. Dietrich Bonhoeffer morreu aos trinta e nove anos, no dia 5 de abril de 1945 em Frossenburg, numa prisão nazista, enforcado por causa de sua fé. "Bonhoeffer morreu como tinha vivido, isto é, dando testemunho de sua fé." – William Hordern, Teologia Protestante ao Alcance de Todos, pág. 216.

Ele estava em perfeita tranqüilidade e paz quando, logo após um culto realizado com os companheiros de infortúnio, os policiais o levaram para a execução, mas ainda assim ele permaneceu sereno e imperturbável.

Dizia a todos: Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-Me" (Luc. 9:23).

Não há fé que não siga e não há seguir autêntico sem fé. O maior exemplo disso é Abraão. Em Gênesis 12 nos é dito que ele ouviu a palavra de Deus e, sem questionar, se pôs em movimento pelo dinamismo da fé. Em Hebreus 11:8 é dito que, "pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, ... e partiu sem saber aonde ia."

Em Gênesis 22, a fé de Abraão lhe traz a maior dor que um pai poderia sofrer, a de oferecer em holocausto o próprio filho. Pela fé, Abraão olhou além da morte, para a ressurreição e teve a disposição de oferecer seu maior bem: o próprio filho. Essa é a fé que sacrifica por amor.

Abraão é o pai ou modelo para todos os crentes (Gál. 3:7). Se a minha fé não tem a textura da de Abraão, é porque não sou um filho genuíno.

Seguir a Jesus é a ação de fé. Uma das características dos 144 mil é que "são eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá" (Apoc.14:4). A palavra "Cordeiro" já implica sacrifício. Seguir a Jesus implica em ter na vida pessoal a experiência de Jesus, e isso inclui o gólgota, o monte da morte; mas inclui também a ressurreição e a glorificação.

O jovem rico de Lucas 18:22 rejeitou o convite para seguir a Jesus e ficou eternizado como o homem mais pobre da história, pois trocou o tesouro da eterna salvação, pelos tesouros efêmeros daqui. Bem diferente de Paulo, que disse: "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo" (Filip. 3:8).

A motivação de Paulo era que "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Rom. 8:18), e nessa certeza Paulo morreu comemorando a garantia da vitória (II Tim. 4:7 e 8).

Seguir a Jesus tem o seu preço, que é uma ninharia quando você o paga olhando para a cruz.

– Você acha que está pronto e disposto para seguir a Jesus se isso inclui uma grave enfermidade?

– Você tem tido fé para rejeitar empregos que implicam transgredir o sábado, mesmo estando necessitado de emprego?

Mah Tov – "O Que É Bom" no Viver da Fé

Viver a vida de fé é viver dentro dos parâmetros que Deus traçou para provar nossa obediência, pois, é para a obediência por fé que fomos chamados (Rom. 1:5; 16:26; Gál. 5:6).

Seguindo a Jesus, como podemos materializar uma autêntica obediência? "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus (Miq. 6:8).

Esse texto é uma resposta à inquirição do verso anterior: "com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante Ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite?" (Miq. 6:6 e 7).

Era uma época de grande apostasia espiritual, e o povo de Judá estava às margens de uma tragédia nacional: o exílio. Mesmo assim, em vez de reforma verdadeira acontecer, o povo caiu no formalismo de um ritual que perdera o sentido teológico e espiritual.

É em face disso que Deus declara o que é bom (Mah Tov) e agradável aos Seus olhos: "Que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus."

"Que pratiques a justiça" – A injustiça social era gritante naquela época em que reis, sacerdotes e profetas se vendam por subornos para tripudiar a justiça. Praticar a justiça era ordenar a vida de acordo com os julgamentos divinos.

"Ames a misericórdia" – Este seria o testemunho prático do reconhecimento da misericórdia de Deus e deveria ser vivido de forma interpessoal. Bondade, gentileza e amor são a roupagem exterior da fé.

"Andes humildemente com o teu Deus" – Andar com Deus implica em ordenar os passos conforme os de Deus. Enoque é o maior exemplo de como andar com Deus.

"Humildemente" – Isto implica acima de tudo em aceitar as proposições de Deus sem desconfiar e permitindo que Deus dirija. É não querer pôr os pés na frente dos de Deus, mas aceitar com circunspecção, cuidado e cautela pessoal o querer de Deus.

Lúcifer estava no Céu andando com Deus, mas em presunção e foi jogado na terra. Enoque estava na terra e andou humildemente com Deus e foi para o Céu.

Essas três sentenças são um resumo dos dez mandamentos, ou seja, aí estão os deveres do homem para com o homem nas primeiras duas sentenças, e do homem para com Deus na última.

Em suma, qualquer fé que não se adeqüe à ética dos mandamentos, não é fé e sim presunção, pois fomos chamados à obediência por fé (Rom. 1:5) e a fé não anula a lei (Rom. 3:31).

Temor e Amor

"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor" (I João 4:18).

Não quero fazer exegese desse texto e sim alguns comentários pessoais.

Não existe amor sem riscos. Jesus arriscou nos amar e acabou numa cruz. Acontece que a cruz não era o fim de um amor arriscado, mas a plena demonstração de que quem ama sacrifica.

Não amamos porque temos medo, e o principal medo é o de sacrificar o nosso eu com suas mórbidas tendências comodistas, acostumada à lei do menor esforço. Temos medo de amar porque o amor nos expõe à possibilidade de não sermos correspondidos, de sermos feridos e nos torna mais vulneráveis.

O amor nos obriga a sair de um senso comum omisso para um senso crítico convertido que olha para as pessoas com profundo discernimento e a despeito de suas falhas, as ama. O amor não teme olhar para as pessoas, porque não se centraliza no que elas são, mas, no que podem se tornar.

A falta de coragem para amar produz tormento. O tormento da solidão, da insatisfação, da angústia, do vazio interior, da infelicidade, e finalmente o tormento no lago de fogo e enxofre, pois as portas do Céu não se abrirão para nós, se a porta entre nós e o nosso próximo permanecer fechada.

"Nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (I João 4:19). Se o perdão não nos torna pessoas melhores é porque ainda não entendemos a cruz. É verdade que não é fácil amar alguns. Para Jesus não era fácil amar a todos, mas Ele amou. O gostar é natural, mas o amar é voluntário. Quando decidimos amar, conseguimos, porque vira prioridade. Talvez o que mais nos falte seja a decisão de amar indiscriminadamente.

Eu e você, pelo perdão que nos foi dado, precisamos ser um pequeno Cristo para o mundo, para os irmãos da fé e para os familiares.

Mas, lembre-se, "só o homem crucificado pode pregar a cruz. Disse Tomé: ‘A menos que eu veja em suas mãos o sinal dos cravos... não crerei.’ O que Tomé disse acerca de Cristo, o mundo hoje está dizendo a cada pregador: A menos que eu veja em Tuas mãos as marcas dos cravos, não crerei. É verdade. Só o homem... que morreu com Cristo, ... pode pregar a cruz de Cristo." – John Stott, A Cruz de Cristo, pág. 325.

Que o perdão que provém da cruz e nos redimiu no passado, transforme o nosso presente e encha de glória nosso futuro. Que a nossa fé seja coerentemente prática e bem alicerçada em Cristo Jesus. Maranata. Amém.