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LIÇÃO 12 – SERVIÇO ABNEGADO

Pr. Samuel Muniz Bastos


Pastor distrital em São Luís, MA

Alguns anos atrás eu li uma história que me chamou muito a atenção, da qual até hoje eu continuo a extrair muitas lições. Ela foi narrada assim: Há alguns anos, nas Olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes, todos física ou mentalmente deficientes, se reuniram na linha de largada para a corrida dos 100 metros. Quando foi dado o tiro de largada, todos eles saíram, não exatamente em disparada, mas com a disposição de terminar a corrida e vencer.

Todos, isto é, menos um menino que tropeçou no asfalto, caiu umas duas vezes e começou a chorar. Os outros oito ouviram o menino chorando. Diminuíram a velocidade e pararam. Então todos eles se viraram e voltaram. Cada um por sua conta.

Uma menina com Síndrome de Down curvou-se, beijou-o e disse: "Isso vai fazer a dor passar."

Em seguida, os nove se deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. Todo mundo no estádio se levantou, e os aplausos duraram dez minutos.

Aqueles jovens podiam até ser deficientes, mas eles não padeciam da pior das doenças: "insensibilidade". Como cristãos nós temos a maravilhosa tarefa de repartir com os outros as ricas bênçãos provenientes do altruísta e incomparável amor divino. O que Deus tem feito por nós é fruto da Sua maravilhosa graça, e ela tem sido tão abundante que se torna impossível enumerar as Suas dádivas, contudo, mesmo numa leitura superficial de Sua Palavra encontramos várias razões para sermos felizes:

É certo que a "lista de graça" não termina aí, esta acima não passa de um parco exemplo daquilo que temos recebido de Deus e daquilo que podemos experimentar plenamente se permitimos que Ele conclua a boa obra que em nós foi iniciada (Filip. 1:6; I João. 3:2) e que precisa ser compartilhada a fim de que outros sintam o desejo de conhecer este Deus que só nos tem feito bem (Tia. 1:17).

Nisto se reconhece um cristão que é realmente grato a Deus, ele não perde nenhuma oportunidade de compartilhar sua alegria da salvação, e por isto ele se torna um excelente instrumento de proclamação a favor do cristianismo, o contrário também é verdade, aquele que nunca reconhece o que Deus tem representado para ele, é uma péssima propaganda contra o cristianismo.

Como a ilustração inicial sugere, muito mais importante que cruzar "a linha de chegada" é ajudar a outros (II Cor. 11:2; Efés. 4:1 e 2; Filip. 2:3 e 4; Col. 3:13 e 14; Tia. 1:27; Tia. 5:16), também, a concluir a corrida da fé (II Tim. 4:7).

Espírito de Serviço

Em seu livro "As 21 Indispensáveis Qualidades de um Líder", John C. Maxwell, conta uma história que alguns a classificariam como sendo de bravura, mas ele preferiu, acertadamente, classificá-la como sendo uma história de servidão. A história é a seguinte:

"Um dos mais brilhantes generais que o exército americano conheceu foi H. Normam Schwarzkopf. Em 28 de maio de 1970, um homem foi ferido por uma mina, e Schwarzkopf voou até o local do acidente. Enquanto o helicóptero transportava o ferido, outro soldado pisou em uma mina, ferindo gravemente a perna. O homem se debatia no chão, gritando e chorando de dor. Foi quando todos perceberam que a primeira mina não era apenas a única armadilha. Todos estavam bem no meio de um campo minado.

Schwarzkopf acreditava que o homem ferido poderia sobreviver e recuperar a perna – mas somente se parasse de se contorcer no chão. O general só poderia fazer uma coisa. Ele teria de caminhar até o soldado e imobilizá-lo. Schwarzkopf escreveu: Comecei a caminhar pelo campo minado lentamente, passo a passo, olhando para o chão, à procura de saliências que denunciassem uma mina ou pequenos pinos apontados para cima. Meus joelhos tremiam tanto que ao dar um passo tinha de segurar e firmar a perna com as duas mãos antes de poder dar outro. ... Parecia que se tinham passado mil anos antes que eu chegasse até o garoto.

Schwarzkopf, um homem de aproximadamente 100 kg imobilizou então o ferido e o acalmou. Isso salvou a vida do soldado. Depois, com a ajuda de uma equipe de especialistas, o general e os demais soldados saíram do campo minado.

A qualidade que Schwarzkopf demonstrou naquele dia poderia ser descrita como heroísmo, coragem ou até imprudência. Entretanto, creio que a palavra que melhor descreve sua ação é servir.

Woodrow Wilson disse que, "a espiritualidade adulta vem somente quando se aceita que é melhor servir ao próximo do que a si mesmo". Isto significa orientar sua vida na direção dos outros para não se perder no caminho da felicidade.

O verdadeiro servo coloca a vontade de Seu Senhor acima de sua vontade, e neste caso a vontade áurea do nosso Senhor é que sirvamos uns aos outros, e isto está muito claro em Sua Palavra (Mat. 20:26-28) e nas palavras proféticas de Sua Mensageira:

"Os seguidores de Cristo foram redimidos para ser úteis ao próximo. Nosso Senhor ensina que o verdadeiro objetivo da vida é servir. Cristo mesmo foi obreiro, e dá a todos os Seus seguidores a lei do serviço – o serviço a Deus e ao próximo. Aqui Cristo apresentou ao mundo uma concepção mais elevada da vida, a qual jamais conheceram. Vivendo para servir aos outros, o homem é levado à comunhão com Cristo. A lei de servir torna-se o vínculo que nos liga a Deus e a nosso semelhante". – Parábolas de Jesus, pág. 326.

"Deus nos concede os Seus dons para que possamos servir a outros, tornando-nos assim semelhantes a Ele. Os que recebem os Seus dons para que possam reparti-los com outros, tornam-se semelhantes a Cristo. É em ajudar e erguer a outros que nos tornamos enobrecidos e purificados. Esta é a obra que faz a glória refluir para Deus. Precisamos tornar-nos entendidos nestes pontos. Nossa alma precisa ser purificada de todo egoísmo, pois Deus deseja usar o Seu povo como representante do reino celestial." – Conselhos Sobre Educação, pág. 177.

Talvez a mais árdua tarefa de Cristo em relação aos Seus discípulos foi lhes fazer entender os princípios do reino, que não muito diferente de hoje, estão em tremendo contraste com os valores mundanos movidos pelo egoísmo, individualismo e presunção. Os discípulos precisavam entender que ser importante no reino é colocar o bem-estar dos outros acima dos interesses pessoais, é não ter medo de perder posição ao servir, é estar sempre disposto a servir, é fazer pelos outros aquilo que gostaria que eles fizessem por eles (Mat. 7:12).

Só quando eles entenderam que a principal função dos seguidores de Cristo é servir, é que eles puderam conquistar o mundo com a pregação do Evangelho, milhares de pessoas foram atraídas à Igreja de Deus pelo sentimento de servidão, compartilhado pelos discípulos e novos conversos (Atos 2:42-46). Nossa missão hoje não é em nada diferente, nos restando apenas incorporar a vontade do Mestre Jesus, para que também alcancemos o Mundo nesta geração. "A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo." – Atos dos Apóstolos, pág. 9.

Morrer, Viver

Em, Teologia do Novo Testamento, George Ladd explicou com muita propriedade o que é tomar cruz e seguir a Cristo: "A cruz não é um fardo, mas um instrumento de morte. Tomar a cruz significa a morte do próprio eu, da ambição pessoal e dos propósitos egoístas. Em lugar das realizações pessoais, por mais altruístas e nobres que sejam, devemos desejar somente a direção divina. O destino do homem depende desta decisão."

Renunciar a si mesmo é muito mais que uma mera separação dos prazeres do mundo, é submeter-se totalmente à vontade do Mestre, mesmo que a priori Sua vontade não esteja totalmente clara, contudo, tendo a certeza que Ele sempre tem o melhor para nós "Respondeu-lhe Jesus: O que Eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois" (João 13:7).

Renunciar a si mesmo significa morrer para a carne, para o eu, pois como bem sabemos os frutos do Espírito (Gál. 5:22 e 23) estão em constante luta com as obra da carne (Gál. 5:19-21) mas, "os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gál. 5:24). Creio que é em Romanos (6:2-6) que encontramos uma definição para morrer para o eu e renascer para Cristo Jesus e em conseqüência disto servir o próximo. Paulo explica que não existe um rito mais apropriado para exemplificar a morte para o eu do que o rito do sagrado batismo: "fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pala glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida" (Rom. 6:4) e isto é muito mais que um ato simbólico, é ação divina de matar o "velho homem", de incorporar nosso ego pecaminoso, ou seja, o eu, ao sacrifício de Cristo na Cruz, para que Sua morte represente a nossa vitória sobre a velha criatura e vivamos em novidade de vida (Rom. 6:4 ú.p).

Nós somos muito afortunados em seguir um Deus que não apenas tem uma teoria perfeita, mas que acima de tudo pessoalmente a experimenta, vive em sua inteireza, pois é em Cristo que encontramos o maior exemplo de renúncia: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz". Filip. 2:5-8.

É nesse sentido que a cruz de Cristo se torna o exemplo máximo de amor para com os homens "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos" (João 15:13). É aos pés da cruz que todo orgulho é quebrado, toda presunção é esmagada, toda arrogância é rejeitada e descobrimos que o segredo do amor amadurecido consiste em viver para que outros também conheçam o sentido da vida: Jesus. É como o Dr. Richard Strauss escreveu "Não encontramos a felicidade procurando por ela, e quanto mais procuramos, mais frustrados e decepcionados ficamos. A procura egoísta de nosso próprio prazer só traz infelicidade. Viver em beneficio dos outros traz grandes recompensas. O amor amadurecido é o crescer de uma posição que recebe muito e dá pouco, para uma posição de dar tudo com alegria sem exigir nada em troca".

Dar em Vez de Buscar

"Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem, e quem tiver comida, faça o mesmo" (Luc. 3:10 e 11).

João Batista, no modo de avaliar de Jesus, foi o maior homem nascido de mulher até então (Mat. 11:11).Em que consistia a grandeza de João Batista, a ponto de Jesus não deixá-la despercebida?

João foi chamado para ser o precursor de Cristo, e essa missão exigia abnegação fora do comum. Ele passou a juventude no deserto, abstendo-se de toda forma de prazer num contínuo esquecimento próprio. Bem distante do conforto de um quarto e de uma cama macia, seu travesseiro eram pedras e sua roupa mais luxuosa não passava de um rústico pêlo de camelo e um cinto de couro.

A pregação de João Batista para os recém-conversos tinha a marca da autoridade vivida. O maior sermão de João Batista pela abnegação era ele mesmo. O melhor de seu tempo, juventude, força e esforço foram dados para a missão de preparar o mundo para o primeiro advento de Cristo.

João deu seu auditório a Jesus. Um dia, ele, chamando a atenção dos seus ouvintes, apontou em direção a Jesus e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29), e, muitos passaram a seguir a Jesus. Quando alguém questionou tal atitude, ele abnegadamente respondeu: "Convém que Ele cresça e que eu diminua" (João 3:30). João deu a Cristo o brilho dos holofotes enquanto saía anônimo de cena para a obscuridade de uma prisão, onde deu a vida pela obra de Jesus.

João era grande porque ele entendeu que o princípio da grandeza é tornar-se pequeno; a continuação da grandeza é tornar-se menor, e a plenitude da grandeza é não ser nada. Essa é a grandeza que o Céu aprecia, e João a alcançou dando até a vida por amor a Jesus.

Para realçar mais ainda a importância do "doar abnegado", Paulo diz, usando as palavras do próprio Jesus que "mais bem-aventurado é dar que receber" (Atos 20:35).

Essa é a prática do Céu, pois, o verbo de Deus é "DAR". Ele não poderia dar algo maior, por isso deu-Se a Si mesmo na pessoa de Cristo. "Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?" (Rom. 8:32).

Ao restaurar no homem a Sua imagem, Deus quer que sejamos em nossa possibilidade abnegados como Ele é na dEle. Dar não é relevante quando damos o que nos sobeja, porque uma coisa é oferecer alguém do que possui, outra, é oferecer do que é.

Os crentes de Corinto entenderam e viveram a plenitude do doar, pois, deram-se a si mesmos por outros. "E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus" (II Cor. 8:5).

Essa é a conduta de um salvo. Essa é a postura de um perdoado que entende e aprecia o preço do perdão.

Cristianismo Apostólico

Os primeiros seguidores de Jesus Cristo, assimilaram tanto Sua maneira de viver, e o grau de semelhança era tão grande que foi inevitável chamá-los de cristãos (Atos. 11:26). Agiram como Jesus, viviam como Ele viveu; a fala era semelhante, e as obras eram continuação do ministério de Jesus. Em uma geração a igreja primitiva abalou o mundo com a pregação falada e vivida do evangelho.

Como era a vida da igreja primitiva? "Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade" (Atos 2:44 e 45; 4:34 e 35). Esse é o glorioso perfil da igreja primitiva.

Com muito acerto Paul E. Holdcraft disse que "a maior glória não é ter mais que os outros, mas servir de uma maneira mais intensa que os outros".

A igreja primitiva viveu a filosofia da vela acesa "que consome a sua própria substância para dar luz e calor aos que a cercam" (Elizabeth Leseur).

A motivação da igreja primitiva era a cruz e a expectativa do segundo advento de Cristo. Essas devem também ser a nossa motivação atual, pois, se a igreja perde a expectativa do advento, se envolverá no materialismo secularizado ou pretensamente batizado.

A mensageira do Senhor tem palavras especiais para este tempo, que devem ser levadas a sério por pastores e membros, líderes e liderados.

"Quando vi pobres almas perecendo por falta da verdade presente, e alguns que apesar de professar nela crer, deixavam-nas morrer por e retinham os meios necessários para levar avante a obra de Deus, foi-me dolorosíssimo este quadro, e pedi ao anjo que o afastasse de mim. Vi que quando a causa de Deus exigia de alguns parte de seus haveres, como o jovem que fora ter com Jesus (Mat. 19:16-22), ficaram tristes; e que logo o flagelo iminente passaria e lhes arrebataria todas as posses, e então seria demasiado tarde para sacrificar bens terrestres e acumular tesouros no Céu."

"Novamente me foi apresentado o sofredor e paciente Jesus, cujo amor tão profundo O levou a dar a vida pelo homem; também vi o procedimento daqueles que professavam ser Seus seguidores, tinham bens deste mundo mas consideravam coisa demasiado grande ajudar a causa da salvação. O anjo perguntou: ‘Podem estes entrar no Céu?’ Outro anjo respondeu: ‘Não; nunca, nunca! Os que não se interessam pela causa de Deus na Terra jamais poderão cantar no Céu o cântico do amor redentor’." – Primeiros Escritos, págs. 49 e 50.

Cristo deu a vida na terra para podermos ter o Céu, agora, precisamos deixar os grilhões do mundo para entrarmos nele. Que Deus nos conceda a força e o desejo para darmos o nosso melhor pela causa de Deus. Maranata. Amém.